A greve desta sexta-feira tem o caráter pedagógico de forçar o cidadão a decidir se adere ou não à paralisação levando em conta o sentimento do que é individual e o que é coletivo. Odioso é o binômio: fazer greve (petista); não fazer (coxinha)

Greve

Sindicato dos Comerciários de Sorocaba é um dos organizadores da greve

Abomino qualquer cerceamento à liberdade de um cidadão em seu direito imaculado de ir e vir. É impensável que haja qualquer verdade nessas dezenas de áudios que circulam de grupo em grupo de whattsapp tocando o terror de que haverá barricadas, invasões e agressões a quem sair de casa ou tentar entrar no seu local de trabalho.

O que é extremamente valoroso na organização dessa greve é o aspecto didático que identifico nela onde cada cidadão está sendo forçado a pensar se adere a ela ou não. Muitos estão deixando a decisão para um amigo e dependendo do que ele decidir ele também terá segurança em seguir. Assim tem gente que vai fazer greve porque um amigo vai e o contrário também é verdadeiro. Mas verifico também muita gente exercitando o raciocínio e ai acaba na encruzilhada: minha decisão envolve um aspecto pessoal (pesa os prós e contra de sua decisão) e outro coletivo (talvez os políticos sintam o peso de seu voto a partir do que ouvirem da rua).

O que é extremamente odioso é o binômio: quem entende que deve fazer a greve é visto e taxado como petista o que inclui não ser apenas do PT, mas também do PSOL, PC do B e qualquer outra sigla de esquerda. Petista é um neologismo de ser contrário aos partidos de direita e ai vai do PSDB, PMDB, DEM e toda uma lista de dezenas de outras siglas.

É possível não querer fazer greve e simultaneamente ser contrário ao teor das reformas em curso. É possível não ser petista e nem coxinha. É possível, sim, viver sem a convicção que está exacerbada de ambos os lados. Respeitem isso!