Adeus ao mais humanista dos engenheiros de Sorocaba

A morte precoce sempre choca e isso aconteceu comigo na tarde da última quarta-feira quando recebi a ligação de um amigo me contando que o Achilles havia morrido.

Achilles Bonin Mangullo, que alguns chamavam de italiano, tem a sua vida profissional atrelada à história recente do saneamento básico de Sorocaba, quando na década de 60 foi criado o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), uma referência no recolhimento, tratamento e distribuição de água em Sorocaba. Achilles morreu aos 65 anos, portanto mais de metade da sua vida, por exatos 35 anos, ele trabalhou no serviço público. Ele tinha uma memória privilegiada a ponto de dizer quais registros deveriam ser fechados quando necessário interromper o serviço de água para alguma obra e isso era reconhecido por aqueles que trabalhavam com ele.

Sua qualidade técnica extrapolou o serviço público a ponto dele estar no auge da sua carreira, fazendo projetos técnicos de saneamento e distribuição de água para novos loteamentos que estão sendo implementados em Sorocaba e região.

Uma frustração de Achilles, confessada a amigos próximos, de nunca ter sido escolhido para comandar o Saae (embora tivesse sido o braço direito de grande parte dos diretores da autarquia que chegaram ao posto máximo por indicação política) foi compensada quando escolhido para ser o coordenador do Nuplan (Núcleo de Planejamento de Sorocaba) – extinto quando da criação da Região Metropolitana de Sorocaba.

Engenheiro, portanto de raciocínio exato e de familiaridade com a frieza dos números, Achilles tinha uma visão global do que é a sociedade e essa cultura humanística fazia a diferença naquilo que era natural em seu raciocínio, o planejamento. Por isso, no Nuplan, tinha como missão convocar personalidades para debater assuntos de destaque do município e da região, dentro da tese de que Sorocaba não pode mais ser planejada isoladamente, mas sim no contexto de toda a sua região: o que temos?, o que somos?, para onde vamos? e de como pretendemos chegar lá?

São perguntas que Achilles deixou na história do Nuplan e que agora deixa para as gerações futuras pensar e debater.

Achilles havia sofrido três infartos em períodos anteriores ao que lhe tirou a vida na quarta-feira. Ele havia parado de fumar e estimulado por Ângela, sua esposa, estava se animando para intensificar as caminhadas. Adorava os filhos Bruno e Marcela e a neta de 2 anos, a alegria de sua vida. Deixa como legado uma de suas marcas: o hábito de incentivar pessoas a se entregarem ao estudo como forma de obter conquistas e superar situações difíceis.

Seu velório e sepultamento atraíram amigos, colegas de trabalho e políticos. Ronald Pereira da Silva, atual diretor-geral do Saae externou seus sentimentos e ratificou em nome do governo o reconhecimento do poder público por toda a dedicação de Achilles ao bem de Sorocaba.

Sorocaba tem orgulho de Achilles e sempre vai lembrar de sua dedicação.

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