Aramar completa 30 anos e presidente vem lançar obra de reator

O Centro Experimental de Aramar, instalado na divisa de Sorocaba com Iperó, completou 30 anos de sua inauguração, ocorrida no dia 8 de abril de 1988, e na próxima sexta-feira vai receber a visita do presidente da República, Michel Temer, que fará o lançamento oficial da pedra fundamental do RMB (Reator Multipropósito Brasileiro) e dará início aos testes de integração dos turbogeradores do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LabGene).

O RMB é um reator nuclear que tornará o Brasil autossuficiente na produção de radioisótopos – insumo fundamental para a fabricação de rádiofármacos, de grande importância para o tratamento de doenças em diversas áreas da Medicina, como a cardiologia, oncologia, hematologia e neurologia.

Já o LabGene – parte essencial do Programa Nuclear da Marinha (PNM) – é o protótipo, em terra, da planta nuclear do futuro submarino com propulsão nuclear brasileiro.

Aramar sob protestos

Os protestos populares tomaram conta de Sorocaba desde 1985 quando se descobriu, praticamente pronto, o Centro Experimental de Aramar. Dezenas de manifestações, que foram estimuladas è época pelo jornal Cruzeiro do Sul (que por anos circulou com um selo ao lado do seu logotipo na capa do jornal dizendo Não, Aramar), reivindicaram a paralisação de Aramar, mas não conseguiram impedir a inauguração do empreendimento em 8 de abril de 1988.

Os presidentes José Sarney, do Brasil, e Raúl Alfonsin, da Argentina, participaram da inauguração e mobilizaram pelo menos 470 homens da Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Federal e Polícia Militar. Munidos de pistolas automáticas, fuzis, metralhadoras, eles montaram barreiras nos principais acessos a Aramar. Num desses caminhos, por Porto Feliz, foram utilizados quatro tanques e 44 homens na formação de duas barreiras. Todo esse aparato fazia parte da “Operação Iperó” – que usou jipes, caminhões, cavalos, blindados.

Bebê marca data

Um bebê, que recebeu o nome de Mayara Viviane Adriano, primeira criança nascida naquele dia no hospital Santa Edwiges (atual Modelo), foi homenageada pelo movimento contra Aramar como símbolo da vida. Aramar, para o movimento, representava a morte. O jornalista Fernando Gabeira, que era militante do Partido Verde, visitou Mayara no hospital, entregou flores à mãe, Suely Maria da Silva Adriano, e cumprimentou o pai, o metalúrgico Jorge Adriano.

Medo nuclear

Os acontecimentos desse dia eram uma comprovação de que os acidentes nucleares de Chernobyl e de Goiânia acirraram o medo e a incerteza da população quanto a projetos de natureza radioativa. Para muitos, a associação dos riscos nucleares com Aramar continuava sendo inevitável, algo regido pela lógica. Quase tudo em relação ao programa nuclear da Marinha era desconhecido. Até então as fontes oficiais de governo guardavam segredo sobre as engrenagens do complexo construído na Fazenda Ipanema.

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