As pessoas só querem sexo e estar por cima

Vou creditar à forma como a vida em sociedade está organizada (com as pessoas nascendo em núcleos, o primeiro deles a família genitora, depois os familiares dessa família, depois os vizinhos, a igreja, a escola…) o desejo de cada pessoa sentir-se segura, acolhida. 

A partir dessa base de segurança, as pessoas desejam ser feliz, o verdadeiro mito humano. 

A vida se resume na busca desse mito.

Durante milhares de anos, bastou que a pessoa fosse alguma coisa (Ser) para alcançar a felicidade. Depois isso significou acumular (Ter). Nos dias de hoje, isso significa uma boa casa, carro, viagens, roupas, escola, clube, celulares, acessos a conteúdos… Bem recentemente, na virada dos séculos 20 para 21, um terceiro elemento (Parecer) passou a fazer parte dos elementos da vida humana nesta trajetória de ser feliz.

Mas como se quantifica ou qualifica ser, ter ou parecer? Que unidade de medida se usa?

É o outro essa medida.

Quando nascemos, buscamos a aprovação da mãe. Depois do pai. E assim sucessivamente a aprovação dos núcleos do qual fazemos parte. A felicidade é o que o outro vê em nós. Mas esse simplista raciocínio, que aqui exponho para que você, leitor, e eu, possamos nos entender, é na verdade de uma complexidade sem fim; tão grande que ele se tornou especialidades da medicina (Psiquiatria) e das ciências de um modo em geral (Psicologia).

Em busca disso tudo, o que mais vejo são pessoas querendo saber o que vai acontecer. Querendo saber do futuro, como se fosse possível a alguém, ou ciência, ter esse poder! O que é certo: colhemos o que plantamos. O futuro é o resultado do presente, cuja realidade é o passado.

É muito comum as pessoas perguntarem aos jornalistas coisas do futuro. No meu caso, muitos perguntam: quem vai ser o próximo prefeito de Sorocaba. Eu tenho minha opinião e um raciocínio lógico que me leva a ver o que vai acontecer. Mas a realidade não é feita apenas de lógica, especialmente porque as pessoas mudam de opinião ou mentem ou não sabem mesmo o que estão pensando.

Eu pensei nisso ao ver a prateleira de uma farmácia no fim da tarde de ontem com remédios Florais de Bach (conjunto de extratos de flores e plantas, cujo princípio básico diz que a doença é o resultado de um desequilíbrio emocional que altera o campo energético das pessoas, provocando alterações no corpo físico), cuja eficácia científica não existe. Mas isso pouco importa, pois as pessoas acreditam. Nesta pandemia vemos o mesmo com a hidroxicloroquina e um vermífugo que não funcionam, mas as pessoas acreditam que eles previnem ou até curam a Covid19. As pessoas crêem. Isso é fato.

Assim, quando um repórter ou pesquisador pergunta a uma pessoa como ela se sente ou pensa, ela fica entre a cruz e a espada, ou seja, fica na dúvida em dizer o que sente ou o que desejaria sentir. Assim, apenas técnicas apuradas conseguem de fato chegar perto da “verdade” de cada pessoa sobre o que ela pensa sobre algo.

E essa prateleira da farmácia, que ilustra essa postagem, mostra essa verdade.

São dezenas e mais dezenas de reportagens mostrando que o brasileiro, neste período de isolamento para combater a pandemia de corona, está tenso, estressado, perdeu o sono, quer mudar de vida, está em pânico, deprimido… (todos sintomas que o Florais de Bach promete curar). Mas quando se olha a prateleira o que se vê? Que o brasileiro quer mesmo estimular sua líbido (fazer sexo) e estar por cima, ou seja, conquistar a liderança e sucesso. Apenas estes Florais de Bach estão esgotados na prateleira porque são os mais procurado pelas pessoas.

O que concluo dessa minha experiência empírica é o que venho sentindo ao longo da minha vida: as pessoas mentem. Mentem a si e a quem está do seu lado. As pessoas são educadas para dizer o que é bem aceito, não o que é verdade. Falar que se está deprimido nessa pandemia, pega bem. Quem diz isso é bem aceito pela mãe, pelo pai, irmão, tio, vizinho, amigo. Não só pega bem, como também elas passam a ser acolhidas com um pouco de carinho. Então as pessoas dizem que estão deprimidas, estressadas, tensas… Mas a verdade é que elas querem apenas trepar. E está aí a prateleira de frascos de Florais de Bach para dizer a verdade.

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