Autor: Djalma Luiz Benette

Não há, ainda, decisão sobre a guarita

Em seu artigo “As dificuldades para um governo limpo e eficiente”, publicado na segunda-feira, 11 de março de 2019, o prefeito Crespo faz uma série de considerações sobre suas ações e as interpretações que são feitas dela.

Um desses tópicos foi a guarita que ele construiu na praça Coronel Fernando Prestes, no centro de Sorocaba, onde o fotógrafo Teófilo Negrão foi o primeiro a apontar que ela atrapalhava a visão da Catedral.

O tema viralizou em redes sociais e duas Ações Populares foram protocolizadas na justiça sorocabana. Uma delas, de autoria de Aldry Tessarotto Almenara, está sob a análise do juiz Leonardo Guilherme Widmann; e a outra, de autoria de Alex Vassalo Benitz, está sob análise da juíza Karina Jamengovac Perez. Amabas focam na mesma tecla: a guarita fere o patrimônio histórico.

Prefeito se equivoca

Atenção leitor, estão sob análise. O que os juízes negaram foi a liminar para que a guarita fosse derrubada. Por isso, me surpreendi com a afirmação do prefeito em seu referido artigo quando ele afirma “(…) quando iniciamos a construção do posto fixo da Guarda Civil Municipal na praça Cel. Fernando Prestes, sofremos críticas inconsistentes e até mesmo ação judicial, que posteriormente nos deu razão. Desde então, a base vem garantindo mais segurança aos moradores, lojistas e consumidores. Para se ter uma ideia, desde o funcionamento dela foram realizadas 415 ações policiais bem sucedidas naquele local”. Afinal, ninguém deu razão a ele. Negar uma liminar não significa o fim de nenhuma das duas Ações Populares. Apenas quando houver sentença do juiz é que haverá um fim.

Papel do MP

Conversei com o promotor de justiça Jorge Marum, do Ministério Público em Sorocaba, a respeito de uma ação sua em relação à guarita. Ele me explicou que o MP já atua nessas duas Ações Populares e que ele já pediu a reunião de ambas porque o objeto é o mesmo. No inquérito dessas Ações Populares, o CMDP (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio) apresentou posição contrária à guarita no local onde foi construída, mas a Prefeitura sustenta que a obra não fere o tombamento. Portanto, me disse Marum, “terei que aguardar o desenrolar das ações, porque o MP não pode entrar com outra ação tendo o mesmo objeto das ações populares”.

Primeiros depoimentos frustram CPI

Cercado de expectativa, o depoimento de Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos da Prefeitura de Sorocaba, durante oitiva à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura o trabalho de voluntários no Poder Executivo, frustrou os integrantes da CPI que alimentavam a esperança de que ele entregasse, de bandeja, a cabeça de Tatiane Polis.

Eloy foi telegráfico: Tatiane Pólis estava à disposição de todas as secretarias; Tatiane Pólis firmou um “termo de compromisso” com o gabinete do prefeito Crespo; Tatiane ajudava no programa ‘Fala Bairro’; Tatiane não dava ordens a alguém…

Resta, agora, aos membros da CPI encontrarem o fio da meada para provar o que eles desejam: que Tatiane Polis era falsa voluntária e comandava, sim, funcionários públicos e o contrato de publicidade, no valor R$ 20 milhões, entre a Prefeitura e a empresa Dgentil Propaganda.

Detalhe importante

Ao final das oitivas, a presidente da CPI Iara Bernardi salientou que os membros da comissão estão trabalhando em parceria com investigações da Polícia Civil em inquérito sobre a atuação de Tatiane Polis no governo de forma voluntária.

Quem falou também

A primeira testemunha a prestar depoimento foi a Secretária de Cidadania e Participação Popular, Suelei Gonçalves. Questionada pelos vereadores, a depoente explicou que sua pasta era responsável pelo cadastramento de pessoas interessadas em realizar trabalhos voluntários para a Prefeitura de Sorocaba no âmbito do Programa Sorocaba Voluntária, cujo decreto regulamentador foi revogado pelo prefeito José Crespo no último dia 8.

A secretária disse que não sabe como está a situação dos voluntários que estavam ligados ao programa e afirmou que fez um questionamento acerca disso à Secretaria Jurídica, mas ainda não teve resposta. Suelei Gonçalves não soube dizer a quais secretarias os voluntários atualmente estão ligados na Prefeitura.

Em relação à ex-servidora comissionada Tatiane Polis, a depoente disse que não sabe quando começou a atuar como voluntária e afirmou que ela não estava cadastrada no Programa Sorocaba Voluntária. Suelei Gonçalves também disse não saber a quem compete a gestão e fiscalização do trabalho de voluntários não cadastrados no programa.

O último depoente ouvido nesta terça-feira foi o chefe de gabinete do Poder Executivo, Carlos Mendonça. Questionado pela CPI, ele disse que não sabe quais eram as atribuições de Tatiane Polis, mas salientou que ela não tinha espaço de trabalho dentro do gabinete do prefeito.

Em relação ao contrato de publicidade da Prefeitura de Sorocaba com a empresa Dgentil Propaganda, sobre o qual os vereadores receberam denúncias de que Tatiane Polis exercia influência em sua gestão, Carlos Mendonça não quis se manifestar, argumentando que o assunto não é objeto da CPI. O depoente, entretanto, respondeu que, até onde vai seu conhecimento sobre isso, a ex-servidora não tem envolvimento com o contrato.

E o rádio sorocabano ficou mais triste

A morte de José Rubens Bismara, diretor presidente das emissoras Cacique AM, Ondas Tropicais e Cacique II FM, deixa o rádio sorocabana mais triste. Zé Rubens, como carinhosamente era chamado, era uma figura ativa no comando das suas emissoras – até recentemente apresentava diariamente o programa “Instante de Fé”.

Jornalista e advogado, José Rubens Bismara tinha 88 anos e passou boa parte do seu último ano internado no Hospital da Unimed em Sorocaba. Conversei com Tadeu, seu filho, num dos recentes jogos do São Bento no CIC e ele disse que o pai estava sofrendo na cama do hospital, mas lutando pela vida.

Essa era uma de suas características, lutar para transformar os seus ouvintes: “Ele sempre acreditou que a comunicação, através do rádio, tem o poder de transformar vidas”, informa o comunicado oficial do seu falecimento que partiu da direção da rádio.

Zé Rubens era atento também aos comunicadores que empunhavam os microfones da sua emissora. E a prova disso são as declarações de amor a ele que atuais e ex-funcionários lhe dedicam. Separo a de Jane Sampaio que, no meu entender, sintetiza que foi Zé Rubens: “E o nosso velhinho hoje foi embora… Eu nunca poderia imaginar tanta tristeza com a sua partida! Velhinho bravo, mas que nos ensinou tanto… Me deu a oportunidade de realizar meu sonho… E eu? Retribui sempre dando o meu melhor! Sempre muita gratidão… Do momento em que coloquei os pés na Cacique FM até meu último instante só aprendizado! Velhinho que dava a oportunidade á todos, até estufar o quadro de funcionários! Brigava comigo direto! Mas eu não ligava! Gostava dele de coração! Vi o senhor passar daquele homem forte á uma criança inocente! E essa criança inocente me olhar com olhos de ternura e muita bondade… Nunca vou me esquecer! E eu nunca imaginei que a dor seria tanta assim… Ah se não fosse o Senhor! Fez dos meus dias turbulentos porém, os mais felizes e também os melhores e inesquecíveis! Foram 26 anos juntos! Os melhores anos! Obrigada Dr. José Rubens! Meu coração chora… E chora sentido! Descanse… Já cumpriu sua missão! Sou grata á tudo! Meu coração chora de verdade pela sua partida…”

Na vanguarda da comunicação

As rádios Cacique são líder de audiência na faixa popular de público. É uma opção que deu certo e isso fez da emissora a única a receber em Sorocaba verbas do governo federal ao longo das gestões de Lula, Dilma e Michel Temer. E agora, no governo Bolsonaro, é a única emissora que obteve autorização para cadastrar um jornalista para as coberturas no Palácio do Planalto.

Mas por um instante, e isso não pode ser esquecido, Zé Rubens abriu uma exceção nesse perfil da emissora. Posso me enganar no ano, mas era início da década dos anos de 1980 (talvez 1979?) e aos domingos meu amigo Luiz Algarra (filho do Freitas Júnior, ícone do rádio sorocabano) dava início ao projeto de uma rádio que falava com seu ouvinte sem bajulação das autoridades (vamos nos lembrar que era anos da ditadura militar) e que originou o projeto TV Pirata. Algarra, na rádio Cacique, foi o precursor do que viria a ser Ernesto Varela (repórter fictício do apresentador Marcelo Tas) e do extinto programa CQC (Custe o Que Custar). E isso tudo graças, obviamente, repito, a uma exceção aberta pelo já saudoso Zé Rubens Bismara.

Bibliografia

Natural da vizinha Tietê, José Rubens Bismara, nasceu no dia 07 , de maio, de 1930, vindo a residir ainda criança em Sorocaba. Cidadão Sorocabano, foi assim reconhecido com titulo concedido pela Câmara Municipal. Ao lado do pai, fundou, a Rádio Cacique no ano de 1951. Fez do Radio sua vida , dedicando milhares de horas , em defesa da sociedade, através do tradicional programa a Hora do Titio, e posteriormente na apresentação do Jornal da Cidade.

Jose Rubens Bismara, deixa esposa, filhos, netos, bisnetos e um grande número de pessoas amigas que estavam com ele, todos os dias, acompanhando o Instante de Fé.

Seu velório foi na Ofebas e o sepultamento no cemitério Pax na Árvore Grande.

E a Viaoeste no Parque Casarão do Brigadeiro?

O prefeito Crespo apresentou em audiência pública realizada na última segunda-feira sua pretensão em transformar o entorno do histórico Casarão de Brigadeiro Tobias (leia abaixo sobre sua importância para a história e memória nacional) em um complexo educativo e ambiental, o chamado Parque Casarão do Brigadeiro.

A Secretaria de Planejamentos e Projetos admitiu que ainda não existe orçamento disponível e nem mesmo prazos estabelecidos para a efetivação do projeto. Só sonho!

O prefeito disse que a ideia de implantação do complexo educativo e ambiental partiu do jornalista, historiador e escritor sorocabano Sérgio Coelho de Oliveira, um dos maiores defensores do culto à memória do ciclo tropeiro, lembrando que no Casarão, ao menos nominalmente, funciona o Centro Nacional de Estudos do Troperismo.

Prefeito se esqueceu

Mas o prefeito Crespo se esqueceu de dizer que ele teve participação ativa, quando deputado estadual, na intervenção que essa região de Sorocaba sofreu quando da duplicação do trecho da rodovia Raposo Tavares, que passa pelo local.

Quando a obra de duplicação estava em curso, em 2005, o então deputado Crespo posicionou-se contrário à iniciativa da Viaooeste de alterar o projeto de duplicação da rodovia Raposo Tavares, na região de Brigadeiro Tobias, deixando de construir o contorno para dar seqüência à pista rente à ferrovia. O custo da obra para a Viaoeste com essa alteração cairia.

Preocupado com o atraso da obra – que a posição do então deputado Crespo poderia ocasionar e com o custo normal do projeto original, portanto sem a mudança que acabou prevalecendo –, José Braz Cioffi, então diretor-presidente da Viaoeste em 2005 (quando a empresa ainda não era parte integrante, como é hoje em dia, do consórcio CCR) pediu a ajuda do então prefeito Vityor Lippi para que ficasse ao seu lado nesse embate. E para celebrar este pedido, Cioffi foi recebido em audiência pelo prefeito, na qual eu fiz parte, afinal eu era naquele momento o secretário da Cultura que, entre outras atribuições, tinha o patrimônio histórico (como é o caso do Casarão de Brigadeiro) sob minha responsabilidade.

Foi feita a vontade da Viaoste e a duplicação, a que existe até hoje, saiu contrariando a posição do então deputado Crespo.

Como ficou claro no pronunciamento oficial de Crespo, à época de 2005, a Viaoste assumiu (e disso eu fui testemunha na audiência) o compromisso de restaurar não apenas o Casarão em si, mas o entorno dele: “(…)A Viaoeste tem acenado a possibilidade de restaurar dois patrimônios históricos, a estação ferroviária e o casarão de Brigadeiro Tobias(…)”

Eu fiz ao menos duas visitas técnicas na época acompanhado dos engenheiros da prefeitura e da Viaoeste.

Em setembro daquele ano de 2005 eu deixei o governo para ser o editor do jornal Bom Dia.

E o Casarão não teve compensação alguma por parte da Viaoeste.

E agora, em pleno 2019, quando o então deputado Crespo é o prefeito da cidade, ele lança a idéia de transformar o entorno do histórico Casarão de Brigadeiro Tobias em um complexo educativo e ambiental (a mesma ideia de 2005) sem sequer citar que havia expresso o compromisso da Viaoeste com este projeto.

Por quê?

Eu já estava fora do governo e a Viaoeste ajudou com pelo menos R$ 500 mil, dinheiro da época (o que seguramente em dinheiro de hoje chegaria perto de R$ 2 milhões se for usado o dólar como fator de atualização monetária), a prefeitura no patrocínio e promoção dos jogos daquele ano da Taça Davis (uma das competições mais tradicionais do tênis internacional). Nunca antes na história Sorocaba havia sediado jogos de tamanha magnitude nem no tênis e nem em nenhum outro esporte.

A compensação pela mudança do traçado da Raposo no Casarão de Brigadeiro foi o patrocínio da Taça Davis? Nunca essa pergunta foi respondida e Crespo, na minha opinião, por ser parte viva desta história, não poderia ter lançado a ideia do projeto sem fazer menção a tais fatos como eu faço agora.

Entenda a importância do Casarão

No site oficial da Prefeitura de Sorocaba, é publicado trecho de obra do historiador Aluísio de Almeida, onde ele relata que a casa grande que pertenceu a dona Gertrudes Aires de Aguirre e depois ao filho, o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, é do começo do século XIX, por volta de 1780, sendo identificado pelo arquiteto Carlos Lemos, como um “edifício urbano” construído na zona rural e que permaneceu isolado inicialmente, para receber mais tarde, justapostas aos seus flancos, uma série de pequenas casas que teriam servido de senzala para os escravos da fazenda, que em 1839 eram mais de sessenta. No entanto, essas pequenas casas anexas ao imóvel principal foram demolidas por ocasião da restauração do Casarão, em 1980

Entre o casarão e o o morro granítico empinado aos fundos, serpeia o córrego do Passa-Três, que deu origem ao primeiro nome daquela localidade. Ali existiu um grande açude, transformando-se posteriormente na atual várzea.

O imóvel em questão foi construído em taipa, técnica construtiva herdada dos portugueses aos árabes, à base de argila (barro) e cascalho. O imóvel foi construído por volta de 1780, pelo padre Rafael Tobias de Aguiar que, ao falecer, legou o sítio do Passa-Três a seu sobrinho, o Capitão de Ordenanças Antonio Francisco de Aguiar, casado com dona Ana Gertrudes Eufrosina Aires de Aguirre. Dentre os filhos deste casal o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar.

A história do casarão registrou ainda dois fatos importantes: a revolta de dois escravos contra o feitor da fazenda e o acidente durante o passeio de barco no açude.

À época da construção do imóvel, era o sítio do Passa-Três destinado à plantação da cana-de-açúcar e a casa grande a sede desse engenho. Com o passar dos anos, e já propriedade do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e suas irmãs, transformou-se o Passa Três em plantação de café. Nessa época, por volta de 1860-1870, o imóvel sofreu a primeira alteração, quando a varanda dos fundos foi fechada, transformando-se em nova sala, construiu-se nova cozinha fora da casa e a porta principal foi trocada pela de arco pleno. Os caixilhos e vidros nas janelas são também dessa época.

Atualmente abriga o Centro de Estudos do Tropeirismo, que busca preservar e divulgar esse importante ciclo ligado à História de Sorocaba. Mantém exposição permanente, promove exposições periódicas e preserva parte da Mata Atlântica remanescente de nossa região. Realiza também eventos e atendimento a grupos escolares e ao público interessado em geral pela temática.

Sopro de vida inteligente no cinema sorocabano

A empresa Cinépolis – que detém as salas no Shopping Iguatemi Esplanada de Sorocaba – e a Pandora Filmes fecharam uma parceria para a exibição, quinzenalmente, de filmes independentes ao longo de 2019 em 25 salas da rede em 16 estados do país.

Na prática isso significa um sopro a mais de vida inteligente nos cinemas de Sorocaba, onde, historicamente, são exibidos apenas filmes Blockbuster (termo aplicado aos produtos populares, com forte apelo comercial, feito com grande orçamento e massiva divulgação, e que por isso, geralmente, se torna uma obra muito popular ou bem-sucedida financeiramente).

Além dessa parceria que chegará na cidade, Sorocaba vive duas exceções no que é exibido habitualmente em suas salas de cinema.

Uma fica por conta do Sorocaba 7, no shopping Sorocaba, onde são disponíveis duas sessões diárias para filmes de verdade, ou seja, aqueles que são feitos com pelo menos algum critério de arte, sem efeitos especiais, cujo o ponto central está no roteiro, na capacidade narrativa do seu diretor e na capacidade de fazer o telespectador interagir com sua inteligência. No momento, por exemplo, está em cartaz Suprema que conta de uma juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos, nomeada em 1993 pelo presidente Bill Clinton se, assim, a segunda juíza mulher de um dos países mais democráticos do mundo.

A outra exceção é o projeto Cine Café no Sesc Sorocaba onde apenas de terça-feira, em sessão única às 19h, são exibidos filmes onde é acentuado uma característica marcante com o projeto. Neste mês de março, por exemplo, os filmes foram programados levando em conta o fato de serem dirigidos por mulheres em celebração ao Mês Internacional da Mulher, celebrado no Dia 8 de Março. O filme em cartaz hoje, por exemplo, é “Minha Amiga do Parque” da argentina Ana Katz.

O motivo do projeto

Denominado Caixa de Pandora, o projeto da parceria Pandora e Cinépolis foi criado com o objetivo de fortalecer a exibição de filmes independentes, de diversas nacionalidades, em cidades que atualmente não costumam receber esse tipo de produção.

A curadoria fica por conta da distribuidora Pandora Filmes, que completa 30 anos de mercado em 2019. Pretende-se, assim, promover e fomentar o cinema independente para além das grandes capitais brasileiras. A expectativa é que seja oferecido ao sorocabano filmes inéditos nacionais e internacionais de diretores consagrados e jovens talentos com passagens nos festivais mais importantes mundo afora, como Cannes, Sundance, Veneza, Berlim e Toronto, que já fazem parte do histórico da Pandora Filmes. “Fico muito feliz que uma empresa do porte da Cinépolis entenda a importância da oferta diversificada de filmes para seu público e confie na curadoria da Pandora Filmes”, comemora André Sturm, sócio da Pandora Filmes.

O presidente da Cinépolis Brasil, Luiz Gonzaga de Luca, também comemora a colaboração entre as empresas: “É com imensa alegria que anunciamos essa parceria com a Pandora. A Cinépolis é uma assídua incentivadora do cinema de arte, bem como de filmes independentes, e poder exibi-los em nossas salas, em circuito nacional, deixa-nos extremamente felizes”.

Primeira exibição

O primeiro longa a ser exibido pelo Caixa de Pandora no Cinépolis do Iguatemi Esplanada é o francês “Quando Margot Encontra Margot”, de Sophie Fillières, protagonizado pela premiada atriz Sandrine Kimberlain, em 4 de abril. Ainda em abril, no dia 18, estreia o polêmico “O Mau Exemplo de Cameron Post”, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance.

Na primeira semana de maio, chega às telas da Cinépolis o novo longa da diretora Gabriela Amaral Almeida, “A Sombra do Pai”, com Julio Machado e Nina Medeiros. E no dia 16 de maio, “Compre-me um Revolver”, longa mexicano de Julio Hernández Cordón, exibido no último Festival de Cannes.

FOTO: A imagem que ilustra essa postagem é do filme “Quando Margot Encontra Margot” a ser exibido no dia 4 de abril. O filme conta a história de Margot (Agathe Bonitzer), 25 anos, tem uma vida despreocupada, pontuada por frequentes noitadas em Paris. Uma noite, durante uma festa, ela conhece outra Margot (Sandrine Kimberlain), 20 anos mais velha. Detalhes curiosos e grandes semelhanças fazem com que elas descubram que são a mesma pessoa em fases diferentes. Na manhã seguinte, no mesmo trem para Lyon, elas se deparam com Marc (Melvil Poupaud), o ex de uma delas, cujo charme desperta grande atração em ambas. Daí em diante, Margot e Margot acharão cada vez mais difícil se desligar uma da outra e também de Marc. Como seria reencontrar o seu próprio eu? Isto é o que Margot e Margot irão descobrir.

Sorocabano ganha Ordem do Mérito Judiciário

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região concedeu ao sorocabano José Eduardo de Souza, o Doia, um dos proprietários da Padaria Real, o Grande Colar da Ordem do Mérito Judiciário da Justiça do Trabalho, a mais alta condecoração daquele tribunal. A homenagem é um reconhecimento à gestão de pessoas com deficiência na equipe da padaria, que tem como missão promover não só o devido acolhimento e desenvolvimento profissional das pessoas com deficiência, mas também a sua integração social com os demais colaboradores.

A cerimônia foi realizada na última quinta-feira no plenário do TRT, em Campinas, em solenidade de entrega dirigida pela desembargadora Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que comentou: “Quanta coisa boa se faz nesse país em troca de felicidade, em troca do amor ao próximo. Isso é uma lição de vida para nós todos. Exemplo a ser seguido.”

Presente na cerimônia, o ministro do Superior Tribunal do Trabalho, João Batista Brito Pereira, a propósito do recém-comemorado Dia Internacional da Mulher, enalteceu o protagonismo feminino à frente dos órgãos da Justiça do Trabalho. Destacou a liderança da desembargadora Gisela Moraes na presidência do TRT da 15ª Região, das mulheres que compõem 80% dos cargos da administração desse órgão e das mulheres aprovadas no mais recente concurso promovido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho para ingresso na magistratura: “Elas ocuparam os primeiros lugares nos quadros geral, das cotas destinadas aos candidatos negros e das cotas para os candidatos com deficiência”, relatou o ministro.

Doia atribuiu o reconhecimento a todo trabalho realizado em equipe, especialmente aos líderes dos diversos setores da Padaria Real que promovem não só o devido acolhimento e desenvolvimento profissional das pessoas com deficiência, mas também a sua integração social com os demais colaboradores. Doia lembrou também da fundamental contribuição da assessoria que vem recebendo há seis anos da Consolidar, empresa especializada em processos de gestão da diversidade e inclusão, fundamental para bem administrar a quantidade de colaboradores ocupantes das cotas, pouco acima das expressas em lei: 31 vagas para pessoas com deficiência num total de 728 existentes atualmente. Doia ainda ressaltou o compromisso da sua família com a inclusão: “Sempre tivemos em mente o valor de cada pessoa, independente da sua condição. Isso aprendemos com meu pai, que sempre acreditou, contratou e orientou o trabalho de pessoas com deficiência, desde a fundação da Padaria Real, há 63 anos. É maravilhoso que cheguemos a esse momento. E que todos vejam que um mundo melhor é plenamente possível”, afirmou

O patriarca da família, José Vicente de Souza, acompanhados dos filhos, netos e de colaboradores da Padaria Real, emocionou-se com o reconhecimento: “Ficamos extremamente felizes pela homenagem, simbolizada pelo Grande Colar. Mas, especialmente, pelas palavras da doutora Gisele, que alcançou o propósito do nosso coração.”

Série de homenagens

A outorga do Tribunal Regional do Trabalho dá sequência a uma série de repercussões positivas em diferentes esferas. A de maior amplitude ocorreu há pouco mais de quatro meses, quando a Padaria Real recebeu o prêmio “Reconhecimento Global – Boas Práticas para Trabalhadores com Deficiência”, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na esfera nacional, o Tribunal Superior do Trabalho, na pessoa do ministro do Trabalho Cláudio Mascarenhas Brandão, especialista em inclusão, realizou uma visita técnica na unidade matriz da Padaria Real para verificação dos procedimentos de inclusão em funcionamento na área de produção. Localmente, pela conquista do prêmio da ONU, o prefeito de Sorocaba, José Caldini Crespo, congratulou os dirigentes da Padaria Real e condecorou cinco dos colaboradores com deficiência com o broche oficial da cidade, entregue em um encontro realizado em seu gabinete.

FOTO: Marisa Souza Vieira, José Eduardo de Souza (Doia), desembargador do TRT 15 João Batista Martins César, José Vicente de Souza Júnior e Lygia Souza Carmona

Morreu Emília, uma grande mulher

A morte de Emília Benedita Pires de Sanctis Urban, aos 80 anos, domingo passado, em Sorocaba, marca a passagem do fim de uma história de sucesso das pessoas que ajudaram a construir Sorocaba, essa cidade assim como a conhecemos hoje.

Deixando de lado o machismo que existe neste ditado popular, mas se apegando à cultura pela qual passou o Brasil desde o pós-guerra até o final do século 20, Emília (essa sempre foi minha percepção) é o retrato da expressão “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”.

Historicamente, o casamento é um dos mais importantes pilares que estruturam as relações sociais na sociedade como a conhecemos. E Emília foi o esteio, nos bons e maus momentos, do seu marido, o desembargador José Humberto Urban do Tribunal de Alçada Criminal do Estado, onde prestou bons serviços por mais de trinta anos, o que lhe garantiu a absolvição no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo da única acusação que recebeu em sua vida pública (desde que havia sido o coordenador de Atividades Jurídicas e Internas na Prefeitura de Sorocaba, em 1972, quando o prefeito era José Crespo Gonzales), a de participar da distribuição irregular de um processo dentro do tribunal. Emília sempre entendeu esse mundo dos homens de poder e soube qual o seu papel na construção da identidade do seu matrimônio.

Foi nessa época, em 1997, que tive o meu primeiro contato com dona Emília. Eu havia recém-chegado ao cargo de editor-chefe, responsável pela redação do jornal Cruzeiro do Sul, e Urban, como membro da Loja Maçônica Perseverança III, era integrante do Conselho Editorial do jornal. Semanalmente eu tinha encontros com ele dentro do jornal. Num evento conheci a Emília e desde então, uma vez a cada quinze dias pelo menos, eu a encontrava ao acaso fosse na Supermercearia São Bento ou na Padaria Real. E me era absolutamente gratificante a sua gargalhada. Ela sempre fez questão de deixar claro que gostava daquelas trombadas entre as gôndolas. Emília viveu e morreu sendo uma pessoa extremamente alegre e de bem com a vida.

Não é qualquer pessoa que chega ao cargo de desembargador, é preciso dedicação aos estudos e vocação ao conhecimento. Foram, sem dúvida, características de Urban, mas sustentadas por Emília, isso me ficou evidente com o tempo.

Para dar um exemplo de quem foi Emília, conto uma passagem que me marcou: Uma conversa que tive um dia com Urban, sobre alguma pauta, onde surgiu a expressão “em terra de cego quem tem um olho é rei”. E na prepotência da minha juventude, ao falar sobre essa expressão, num debate até que acalorado para os patamares hierárquicos em que eu me encontrava em relação ao Urban, me lembro dele ter se silenciado. E, na semana seguinte, me surpreendeu me presenteando com um livro de H.G.Wells, escritor de primeira linha da final do século 19. No livro, a obra-prima “Em Terra de Cegos…”, um conto onde ele narra uma região longínqua e quase inacessível em que todas as pessoas são cegas há 14 gerações. Não sabem o que é ver (não têm da visão nem conhecimento por contato nem conhecimento proposicional) e por isso não têm consciência de que lhes falta uma capacidade que outras pessoas possuem; ou seja: não reconhecem ter um problema. São cegas mas não sabem que são cegas. Estão também convencidas que o vale é o mundo inteiro. Quando chega um forasteiro, que lhes fala do mundo exterior e lhes tenta explicar o que é a visão, não o acolhem nada bem e ele descobre que, afinal, em terra de cegos quem tem um olho não é rei.

Uma lição essa do Urban em mim. Bem dada, aliás! E me lembro da Emília, naquela semana, sem citar o livro que foi me dado por seu marido, me dizer: o Zé gosta muito de você. Estava subentendido que ela sabia do livro. A partir desse conto, isso sem que Urban e Emília viessem a saber, apenas se consolidou em mim conceitos tão enraizados como o de que as coisas são, não apenas o que o outro denota que elas sejam.

Emília foi a mãe do João que um dia se apresentou a mim no Luckye Friends, no bairro Mangal, onde eu gostava de ir fazer a barba na navalha antes das barbearias virarem a febre que se tornaram em Sorocaba. Com seu jeito despojado, apenas no fim da conversa ele me falou: você não sabe de quem eu sou filho e então contou. Falei um pouco do seu pai e das vezes que ria com a mãe dele entre as gôndolas.

Emília foi a mãe do Zumba, José Humberto Urban Filho. Meu amigo de sofrimento e paixão nas arquibancadas do São Bento, de onde ele saiu para ser o diretor de futebol do clube. Conhecido em toda Sorocaba e fora dela por ser delegado de polícia (cargo do qual está licenciado para ocupar a vaga de secretário municipal de Políticas Públicas sobre Drogas na Prefeitura de Sorocaba), Urban é o retrato da retidão de um homem público. Quando abracei-o, na manhã de hoje, no velório da sua mãe, quis que ele sentisse as boas energias que eu emanava a ele, reconhecendo a grande mulher que havia sido Emília. A grande mulher por trás dos homens da sua vida. A grande sogra e isso ficou claro na expressão de perda de Maria Helena na cerimônia desta manhã, no cemitério Pax, onde Emília foi sepultada.

Vereador denuncia os supersalários

Na noite de sábado passado, a assessoria do vereador Irineu Toledo da Câmara Municipal de Sorocaba, decidiu emitir uma Nota de Esclarecimento a respeito da polêmica onde ele se viu envolvido, em redes sociais, a partir de um comentário que fez a respeito dos salários dos professores da rede municipal de ensino. A categoria sentiu-se tão ofendida que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais decidiu protocolar o pedido de cassação de Irineu. Pelo horário e dia da divulgação (sábado à noite), se nota a urgência do vereador com o fato.

Em sua nota, ele explica o que quis dizer, ataca quem ele entende que merecia ataque, e pede desculpas a quem ele entende que se ofendeu com sua fala.

Mas, retiro da mensagem da assessoria do vereador um trecho que julgo absolutamente relevante: “(…) por hora o vereador Irineu não pretende ingressar no debate dos supersalários – de professores que recebem acima de R$ 15 mil, R$ 17 mil e R$ 25 mil reais, tendo em vista de que se trata de uma seleta minoria, porém são realidades que existem e devem ser observadas; ou acerca do altíssimo índice de absenteísmo (afastamentos justificados) enfrentado pela Secretaria de Educação, cujas informações preliminares indicam que o custo gerado ultrapassa R$ 6 milhões de reais – no período de janeiro a agosto de 2018 – os quais por sua vez saem dos cofres municipais, e do bolso da população (…).

Ops, salário de R$ 25 mil? Seleta minoria (quantos?) Afastamento de professores sem justificativa?

Não apenas os vereadores, mas o Ministério Público deve-se debruçar sobre esses valores e custos dos servidores públicos municipais denunciados por Irineu Toledo. A Prefeitura deveria se antecipar e explicar tais dados. Está ai um novo motivo para uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dentro do Legislativo. E que esses dados não sejam, outra vez, um tropeço na forma de se expressar do vereador. São números absurdos na medida que são incompatíveis com a realidade do Brasil, não apenas contrários à realidade de Sorocaba.

Para ler a Nota de Esclarecimento do vereador, acesse: http://www.camarasorocaba.sp.gov.br/sitecamara/noticias/vernoticia?codigoNoticia=18243

Tema tratado com a seriedade que merece

A direção da Escola Sesi de Sorocaba, a Prefeitura Municipal de Sorocaba, a Secretaria de Segurança e Defesa Civil, a Polícia Militar e a Polícia Civil Polícia Civil não foram exageradas ao tratar a ameaça de ataques dentro da unidade Mangal do Sesi Sorocaba, que surge na esteira do massacre ocorrido dentro de uma escola pública de Suzano, na Grande São Paulo, onde 10 pessoas acabaram mortas.

Todos trataram o tema com a seriedade que o tema merece. E não apenas pela suspeita recair sobre um adolescente de 14 anos, de perfil introspectivo e contestador, nas palavras do titular da Delegacia Seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel. Não apenas porque a lei garante aos menor de idade ter preservada a sua identidade. Mas, especialmente, por entender (e outros assim entenderam antes de mim) que dar os nomes, fotos e publicidade ao fato estão apenas premiando essa ação delinquente.

É preciso cautela e inteligência a partir do que aconteceu em Suzano para que não sirva de incentivo a outros jovens problemáticos.

Acompanhado dos pais, o adolescente foi ouvido na Delegacia de Investigações Gerais e o inquérito do caso será encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude. Não foram encontradas nem munição ou arma na casa do acusado, mas um telefone celular e um computador pertencentes ao suspeito foram apreendidos e o material foi encaminhado para o Instituto de Criminalística para ser periciado.

Sem aulas

As ameaças de ataque provocaram a suspensão das aulas do Sesi Sorocaba nesta segunda-feira, medida tomada preventivamente após a instituição receber avisos de violência contra a escola nas redes sociais. Algumas mães fizeram vigília na porta da escola para ver se conseguiam informações a mais.

Reforço policial

De acordo com o Sesi, a instituição acionou no domingo a polícia onde foi registrado boletim de ocorrência sobre o fato. “O Sesi reforça que está tomando todas as medidas necessárias para garantir a segurança de seus alunos, funcionários e corpo docente”, afirma a nota.

A Secretaria de Segurança e Defesa Civil informa ainda que, desde o ocorrido na escola de Suzano, foi reforçado o patrulhamento ostensivo nas escolas municipais pela Guarda Civil Municipal. O governo dará continuidade, dando apoio necessário às ações das polícias Militar e Civil, no caso da escola do Sesi.

Pacote antiterror

O vereador Rodrigo Manga, diante do ataque em Suzano e das ameaças no Sesi Sorocaba, encaminhou, ao prefeito de Sorocaba e ao governador do Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (18), um documento contendo quatro propostas antiterrorismo a serem implantadas emergencialmente no município, com o objetivo de ampliar a segurança em escolas públicas e privadas.

São elas: 1) instalação de câmeras de monitoramento em todas as unidades de ensino do município; 2) instalação de detectores de metais; 3) contratação direta (rede privada) ou por concurso público (rede pública) de profissionais de segurança, capacitados ao uso de arma de fogo e aparelhos de choque para contenção de possíveis ações criminosas nas unidades de ensino; 4) implantação de sistema de controle de acesso e identificação de aluno, por meio de cartão magnético ou telemetria. A carta aberta foi enviada por e-mail ao prefeito e ao governador e será entregue posteriormente, em mãos, ao chefe do Poder Executivo de Sorocaba.

O manifesto do vereador tem um 5º item (cancelamento ou, ao menos, suspensão por tempo indeterminado do contrato de paisagismo cujo custo previsto é de R$ 45 milhões aos cofres públicos da Prefeitura de Sorocaba), porém ele não se aplica diretamente ao que se deseja que é dar mais segurança às escolas.

Secretário Eloy está com a faca e o queijo nas mãos

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Vereadores que investiga os voluntários que atuam na Prefeitura de Sorocaba – que nasceu a partir de denúncias de assédios morais, intimidações, tráfico de influência e prejuízos ao erário público contra Tatiane Polis – está no encalço de provar uma disputa de poder entre Tatiane e o secretário de Comunicação, Eloy de Oliveira, pela administração desse contrato de R$ 20 milhões entre a prefeitura e a agência de publicidade.

A decisão do prefeito Crespo de tirar o comando da agência da Secretaria de Comunicação e Eventos e passar a Carlos Mendonça, chefe do seu gabinete, pessoa de sua extrema confiança, gerou um olhar de desconfiança sobre Eloy. Senão é isso, qual seria o motivo do prefeito ter feito essa mudança do gerenciamento financeiro desse contrato?

Eloy está magoado com essa situação. E Eloy será o primeiro a ser ouvido na CPI, ou seja, ele vai dar o tom do que poderá vir a ser e onde poderá chegar essa CPI. Como se diz, ele está com a faca e o queijo nas mãos.

O prefeito tem apenas uma preocupação com as pessoas escolhidas pela CPI para prestar depoimento: Eloy de Oliveira. Eles acham que ele pode detonar a Tatiane Polis por ela ter prejudicado ele na disputa pelo poder do contrato com a agência de publicidade.

Eloy, porém, está longe de ser burro. Ele sabe que não é possível ferrar uma pessoa só nessa disputa, ou seja, prejudicar Tatiane e ao mesmo tempo preservar o prefeito, até porque Tatiane trabalhou como voluntária a pedido do prefeito. Se falar algo para comprometer Tatiane, Eloy estará falando para comprometer o governo.

O que vai fazer, então, o Eloy?

Minha intuição é de que ele vai deixar claro que sente ter motivos de sobra para ferrar a Tatiane Polis (e por extensão o governo), mas vai se comportar como sendo de confiança e fiel a Crespo. Com isso, primeiramente, vai preservar seu cargo (ficando à parte, como está até agora, dos problemas dos dias de hoje onde o jornalismo vive a pior crise da sua história, com postos de trabalho apenas sendo fechados e salários achatados), além de preservar seu emprego e sua renda. Se possível, Eloy terá de volta o controle total sobre o contrato da agência de publicidade (não apenas o conteúdo das campanhas, mas o gerenciamento financeiro dela).

Mas Eloy precisará ser hábil, pois se deixar transparecer que está jogando com essa situação, minha intuição diz que o prefeito Crespo, antes que chegue o dia dele depor à CPI, vira a mesa onde estão a faca e o queijo espatifando tudo no chão, ou seja, deixando Eloy sem seu trunfo. Lembrem-se que ele já agiu assim quando estava no auge o seu embate com a vice-prefeita Jaqueline Coutinho, ou seja, ele acusou Jaqueline e, meses depois, essa acusação rendeu processos nas esferas Civil e Criminal do Ministério Público contra a sua vice. Se sentir-se pressionado, pela lógica, o prefeito fará o mesmo com o seu secretário. Por isso, insisto em minha intuição, Eloy precisará ser hábil. E Eloy sabe disso, afinal ele estava ao lado do prefeito quando ele se decidiu por partir ao ataque contra a sua vice. Eloy sabe como o prefeito pensa e, só essa, é a sua vantagem.

O prefeito pediu que Eloy se reunisse com o advogado Márcio Leme – que além de presidente da OAB- Sorocaba tem como clientes Tatiane Polis e o prefeito Crespo – o que aconteceu ontem, quinta-feira. O objetivo foi dar a Eloy a chance de mostrar ao advogado quais são as suas intenções.

Não faço a menor idéia da avaliação de Eloy ou Leme sobre a reunião. E nem sei se Leme já se reuniu com o prefeito para passar sua avaliação.