Autor: Djalma Luiz Benette

Pelo menos 5 mil sorocabanos se unem em manifestação pró-Bolsonaro

Em que pese a luta dos militantes e simpatizantes da candidatura de Haddad, tentando demonstrar que ainda há tempo e a eleição de domingo que vem possa ter um resultado diferente do que vem sendo demonstrado nas diferentes pesquisas, o fato é que em Sorocaba a escolha por Bolsonaro é absolutamente explícita.

Os números do 1º turno, quando Bolsonaro obteve aqui 213.695 votos contra 45.277 votos de Haddad, deverão se confirmar, ou até aumentar, no 2º turno se forem levados em conta as manifestações de rua convocadas por aliados dos dois candidatos no final de semana.

O chamamento para evento pró-Haddad, no dia 13, na praça Coronel Fernando Prestes, no centro de Sorocaba, reuniu centenas de apoiadores. Já o chamamento para evento pró-Bolsonaro, na praça Kasato Maru, no Campolim, no sábado passado, 21 de outubro, segundo estimativa da Polícia Militar, contabilizou ao menos 5 mil pessoas.

Na foto, militantes do PT em manifestação na avenida Itavuvu, na Zona Norte, no sábado passado. E os sorocabanos que lotaram a avenida principal do Campolim no começo da tarde do último domingo.

O que se observa, mais do que apoio a Bolsonaro é o voto anti-Lula, anti-PT, anti-socialismo, anti-Comunista. É um voto para não deixar o Brasil virar uma Venezuela. As acusações de que Bolsonaro pode fechar o Supremo Tribunal Federal com um soldado, um cabo e um Jeep – como disse Eduardo, filho de Bolsonaro, por quem acabou desautorizado – pouca ou quase nenhuma repercussão teve. A intenção de Bolsonaro em promover o ensino fundamental à distância (sem a presença do aluno na sala de aula) teve nula repercussão. As acusações de que Bolsonaro apoia a tortura…zero repercussão. Ao contrário, aumenta o apoio a ele. Vi gente do bem defendendo a tortura contra “comunistas, ladrões e terroristas” como a senhora que aparece na propaganda eleitoral do PT na TV.

A escolha está feita desde o 1º turno. E nada até agora foi capaz de mudar essa decisão dos sorocabanos e do Brasil.

Vítimas de Roger Abdelmassih negam que Ivanilde seja a porta-voz delas

Vanuzia Leite Lopes, fundadora do Grupo Vítimas Unidas, que reúne mulheres vítimas da violência, me enviou um email após minha publicação, neste blog, a respeito de Ivanilde Vieira Serebrenic que concedeu entrevista ao programa “Conversa com Bial” para promover a série Assédio – que estreou no mês passado pela plataforma Globoplay – que segue sem data prevista para ser exibida pela TV aberta. Assédio, obra ficcional, conta a história de uma rede de mulheres que se forma para denunciar abusos sexuais cometidos por um médico bem-sucedido e respeitado, ou seja, a TV Globo transformou em série o caso do médico Roger Abdelmassih (condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 mulheres).

No email, Vana Lopes – como Vanuzia ficou conhecida – afirma que Ivanilde não representa as mulheres vítimas da violência, acusa-a de desagregar o Grupo Vítimas Unidas e que ela usa a imprensa neste tema para melhorar sua imagem em relação a outros reveses da sua vida. Vana pede que quando o assunto vier, novamente, a ser tratado, que Ivanilde não seja convidada a falar como representante do grupo.

Na foto desta postagem estão Vana e a capa do livro “Bem-Vindo ao Inferno”, de Cláudio Júlio Tognoli, onde Vana é tratada como sendo a mulher que caçou o médico estuprador Roger Abdelmassih.

Leia o que diz o email:

O Grupo Vítimas Unidas, com mais de 130.000 mil participantes em rede social, juntamente com as vítimas de Roger Abdelmassih que são responsáveis pela origem do grupo, sendo que destas 38 se mantém anônimas, estão também no processo contra o Brasil por descaso na Corte Interamericana de Direitos Humanos, viemos por intermédio deste email pedir formalmente que a vítima Ivanilde Vieira Serebrenic, mais conhecida como Ivany Serebrenic, não seja nossa  representante sobre a minissérie Assédio, que conta a história de muitas de nós. O que sucede explicamos neste breve texto:

A senhora Ivany divulga ser defensora de vítimas, sendo que não temos conhecimento, tampouco provas de que ela tenha ajudado efetivamente ninguém; ela usa a imprensa em interesse próprio para limpar seu nome, pois a mesma foi presa na operação Pandora, período de 2009, sendo posteriormente absolvida, no ano de 2017, pois a gravação telefónica que ela se encontrava junto com seus cúmplices,  prova raiz do processo, foi considerada uma interceptação ilegal, ou seja, não houve julgamento sobre os fatos, como explicado pelo próprio Juiz Jayme Walmer de Freitas, que a absolveu.

Assim, se a minissérie “Assédio deseja dar voz às vítimas, se a intenção da Globo é realmente esta nobre causa, não pode, nem deve, dar voz a qualquer pessoa.

O fato de alguém ser vítima desta atrocidade, estupro, não é, nem deve ser usado como escudo para outros comportamentos duvidosos. Esta senhora (Ivanilde) usa nossa e sua causa em benefício próprio. Ela tenta dissolver nosso grupo coeso, propagando mentiras. Infelizmente ela convenceu duas vítimas para ficarem do lado dela montando uma rede de intrigas da qual não queremos nem fazemos parte.

Em suma, o mais importante a ser declarado e a intenção real deste comunicado, é também nos isentarmos de qualquer prática que a mesma (Ivanilde Serebrenic) possa vir a fazer, pois ela está sendo nomeada em Países da América do Sul e Central como nossa representante e foi indicada a ser Presidente de uma Fundacion Find, uma vez que fora do Brasil ninguém tem conhecimento destas suas condutas, mesmo que declarada inocente perante a lei, que não julgou o mérito. Nossa maior preocupação é com a nossa reputação, nossa credibilidade, nossa causa, de dezenas de vítimas. Temos entre nós advogada, promotora e juíza, vítimas anônimas que aqui, neste email, por intermédio do nosso Grupo, se manifestam.

Atenção, por favor por tudo exposto, pedimos que vítimas que nos representam, e estão dispostas a mostrar o rosto, sejam incluídas em qualquer futura reportagem, juntamente com as que por vocês são chamadas de Helena, Nelma e Teresa, e não mais dê espaço, para que possa falar por nós, a vítima Ivanilde Vieira Serebrenic, pois como ela disse no programa do Bial que sofreu descrédito. Não desejamos mais  descrédito por nenhum motivo. Ademais o que ela propaga, como ato unicamente seu, de coragem em iniciar esta saga, não condiz com a verdade visto que não foi a primeira vítima a mostrar-se na imprensa, dado fácil de ser confirmado em pesquisa de matérias, foi a segunda a aparecer, numa diferença de uma semana, o que não  tira o mérito da Ivani, óbvio. A primeira foi Monika Bartevich, que acreditamos, não deseja mais aparecer , pois não temos mais contato com a mesma.

Decerto a minissérie Assédio é uma ficção, mas não pode, nem deve ser um gancho para mentira e ou vergonha.

Agradecemos a atenção e na esperança de sermos atendidas, esperamos que entendam nosso drama, traumas e preocupação de todas.

Maiores esclarecimentos, Vanuzia Leite Lopes, fundadora do Grupo, Maria do Carmo Santos, psicóloga das vítimas, mestre em História e Doutora em Educação. Presidente do Grupo Vitimas Unidas e Taís Teixeira Camenzind, vice-presidente do Grupo Vitimas Unidas.

Sorocaba hospeda seleção de Camarões e recebe imigrantes da Alemanha

Um grupo de cerca de 80 descendentes e imigrantes alemães, vindos da cidade de Arabutã, no interior de Santa Catarina, visitou Sorocaba na manhã de hoje com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da cultura da Região Metropolitana de Sorocaba e traçar possíveis alianças entre municípios. O grupo foi recebido pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, Robson Coivo, que recepcionou o grupo, representando o prefeito José Crespo, que não pode comparecer por estar em outros compromissos previamente agendados.

Já a vinda da comitiva de Camarões, um dos principais países do Continente Africano, acontece a partir de amanhã e terá duração de duas semanas. O objetivo da seleção é desfrutar das hospedagens do Centro de Treinamento do ex-time de futebol Atlético Sorocaba. O mesmo local, durante a Copa do Mundo de 2014, foi sede para a Seleção da Argélia, também do continente africano.

A delegação de Camarões fica de passagem em Sorocaba, já que eles estão na América Latina para participar da Copa do Mundo Sub-17 da Fifa (Federação de Futebol Internacional), que será realizada no Uruguai, entre os dias 13 de novembro e 1 de dezembro, e nesse período tem um objetivo além da preparação do time: “Eu sei o quanto Sorocaba será importante ao desenvolvimento do esporte para essas atletas, onde além do caráter técnico, serão agregados também valores importantes como a integração, a troca de experiências, o compartilhamento cultural e o estreitamento das relações humanas”, afirmou Paulo Pan, empresário que viabilizou a vinda da seleção para o Centro de Treinamento de Sorocaba.

Alemães focam empresa de energia fotovoltáica

O grupo dos descendentes e imigrantes alemães, formado por jovens estudantes, equipes de dança típica, integrantes clube de idosos e uma banda, estava acompanhado de 10 empresários alemães que vieram até o município para conhecer os processos desenvolvidos pela empresa de energia fotovoltaica, Canadian, instalada em Sorocaba há cerca de três anos.

O foco foi traçar parcerias com a organização para possibilitar a implantação das tecnologias sorocabanas em território alemão, além de fomentar o interesse dos investidores para o interior de Santa Catarina – que hoje, tem a economia movimentada através da agricultura e pecuária, com grande abertura para o desenvolvimento tecnológico.

Para o secretário Robson Coivo, a visita é uma oportunidade de desenvolver o turismo sorocabano e fazer com que mais pessoas venham à cidade em busca do lazer: “A ideia é trocar informações culturais, principalmente pela naturalidade alemã dos turistas […] em outras ocasiões, já recebemos comitivas asiáticas, que prospectam negócios e oportunidades para ambas regiões. Neste caso, o foco é realmente a troca de sensações entre um município de cerca de 5mil habitantes (Arabutã) em contraste com Sorocaba, que já se encontra com 700 mil pessoas”.

A excursão saiu do interior de Santa Catarina na última sexta-feira (19) e passou por uma viagem de 17h para que os grupos musicais e de dança pudessem se apresentar na típica festa alemã de Limeira, a XV Deustches Fest. Em seguida, vieram para a cidade de Sorocaba, a fim de conhecerem a diversidade cultural da região.

De acordo com o vice-prefeito de Arabutã, Olguin Ricardo Metz, embora seja a primeira vez do grupo em Sorocaba, essa é a segunda vez que a Prefeitura de sua cidade proporciona esse tipo de atividade aos seus cidadãos. “Gostamos muito de oferecer esse tipo de atividade a nossa população. A cidade é muito pequena, precisamos sair de lá para que as pessoas tenham o conhecimento de culturas diferentes, além de terem a oportunidade de conhecerem como é a vida na cidade grande”, afirmou.

Após a recepção, o grupo realizou um tour por Sorocaba, passando pela Locomotiva 58, pelo Paço Municipal e encerrando a tarde de visitas no Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”.

Camarões foca no estreitamento das relações humanas

Visando a Copa do Mundo Sub-17 da Fifa (Federação de Futebol Internacional), que será realizada no Uruguai, entre os dias 13 de novembro e 1 de dezembro, a seleção feminina sub-17 de Camarões desembarcará nesta terça-feira (23) à cidade de Sorocaba para um período de treinamentos e amistosos que serão realizados na cidade.

A delegação, que ficará concentrada no centro de treinamento do Atlético Sorocaba, teve sua vinda ao Brasil viabilizada pela Paulo Pan Sports e está contando com o apoio da Prefeitura de Sorocaba, através das Secretarias de Esportes e Lazer e de Cultura e Turismo, além da marca esportiva Topper.

Os efeitos do intercâmbio entre Brasil e Camarões são vistos com bons olhos no bom desempenho das seleções nas competições, como a primeira classificação da seleção de vôlei para uma olimpíada, no Rio de Janeiro em 2016, onde no ano seguinte a mesma conquistou o título inédito da Copa Africana.

Há mais de 15 anos, a Paulo Pan Sports leva a expertise brasileira em treinamentos às nações africanas com o objetivo de promover desenvolvimento técnico e físico, fazendo com que assim o período no Brasil proporcione à seleção de Camarões uma experiência de vida, já que estará hospedada em um país com língua desconhecida e uma cultura diferente da que estão acostumadas.

“Eu sei o quanto Sorocaba será importante ao desenvolvimento do esporte para essas atletas, onde além do caráter técnico, serão agregados também valores importantes como a integração, a troca de experiências, o compartilhamento cultural e o estreitamento das relações humanas. É o esporte atravessando fronteiras geográficas, étnicas, culturais e sócio econômicas, promovendo a inclusão, igualdade e o respeito a todos”, afirmou Paulo Pan.

Profissionais brasileiros darão um suporte neste período de preparação de Camarões para o mundial. O ex-supervisor das categorias de base do Corinthians e atual CEO do Sport Club Atibaia, Flávio Alves, emprestará sua experiência na formação de jogadores às jovens camaronesas nos treinos técnicos, com Alex Santos que será o auxiliar, Rodolfo Fermino responsável pela preparação física, o fisioterapeuta, Luis Fylipe Batista, que cuidará da recuperação física das atletas e Rômulo “Sughy” que será o coordenador operacional.

Os efeitos do intercâmbio entre Brasil e Camarões são vistos no bom desempenho das seleções nas competições, como a primeira classificação da seleção de vôlei para uma olimpíada, no Rio de Janeiro em 2016, e no ano seguinte a mesma conquistou o título inédito da Copa Africana. Lembrando que quando o Brasil foi país sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014, Sorocaba recebeu como hóspede a também africana, seleção da Argélia.

Os grupos do maior torneio internacional de futebol já estão definidos. As camaronesas estão no Grupo C, junto das adversárias Alemanha, Coréia do Norte e Estados Unidos – jogo da estreia que será realizado no dia 14 de novembro.

Entenda a ascensão de Jair Bolsonaro e o nosso momento histórico

A reação da sociedade brasileira à denúncia revelada por reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, de que empresas pagaram pela disseminação de notícias falsas contra o candidato do PT (o que do ponto de vista da lei, daqui um ano, mais ou menos, poderá ter alguma consequência no mundo real, principalmente se a aprovação de um provável governo Bolsonaro estiver baixa) me intriga. E assusta. E preocupa.

Intriga porque fica claro que pouco importa a distinção entre o que é notícia falsa (fake news) e verdade. Assusta, pois nem mesmo a sociedade estar diante de máquinas eficazes e eficientes na disseminação de boatos desperta nos eleitores focados em aniquilar Lula e o PT qualquer sentimento de que isso possa se voltar contra eles próprios num outro momento e circunstância. E, por fim, me preocupa, pois com esse comportamento a sociedade deixou, clara e evidentemente, uma porta aberta ao totalitarismo.

Historicamente me posiciono pelo respeito a Constituição, ou seja, nesse momento do processo eleitoral, portanto, pelo respeito à vontade das urnas. O que se vê no Brasil de hoje é uma escolha democrática pelos ideais propostos por um candidato que manifesta e propaga opiniões extremas em busca de um passado como, revelou ele dias atrás, era o Brasil em 1970. Na sua visão, naquela época, era tudo mais fácil. O Brasil vivia sob a segunda fase do Regime Militar (a primeira durou de 64 a 65, quando Costa e Silva entrou e deu o verdadeiro golpe) com as pessoas podendo andar sem medo pelas ruas, se definiam unicamente entre ser Homem ou Mulher, tinham a opção de Amar o Brasil do jeito que era ou deixa-lo… Só há o presente gerando como consequência o futuro. O presente não gera o passado. Nem na porrada! Nem por bem e nem por mal. Só há chance de futuro.

Tenho sido cobrado por demonstrar que entendo, compreendo e aceito como legal essa ascensão de Bolsonaro. Me acusam de estar compartilhando do fascismo por isso, quando estou vendo a realidade, o resultado da eleição, a vontade da sociedade.

As questões são: por que a sociedade faz essas escolhas? Elas são unicamente do Brasil (O que se vê na Itália, França, Estados Unidos para ficar nestes exemplos, onde ideologicamente se pendeu à direita ou extrema-direita)? O que leva uma horda de jovens brasileiros se manifestarem com orgulho de serem de extrema-direita, lembrando que isso significa ser contrário a posições sociais e favorável a costumes conservadores e a serem liberais do ponto de vista da economia, mesmo que a base para a aplicação dessa meritocracia os deixem absolutamente em desvantagens nessa competição? O que faz com que a sociedade, em todo o mundo, penda para a direita num momento e depois de 50 anos para a esquerda e assim sucessivamente como se viu em 1910 (direita), 1960 (esquerda) e agora 2018 (direita)?

As respostas são absolutamente complexas, mas todas passam pela decepção. A escolha do momento é claramente reflexo da decepção com o modelo anterior.

Essa tem sido a história.

A minha luta será para que essa porta aberta ao totalitarismo seja fechada pelas ações democráticas daqueles que prezam pelo bem-estar da sociedade, da liberdade de expressão e que coloque a educação entre as prioridades do país, portanto, me posicionando contra o discurso preconceituoso, contra o autoritarismo e a intolerância.

Mas até aqui, o meu trabalho alertando para tudo isso, claramente, foi em vão. Um fracasso total. E, enquanto pensava nessa postagem, fui surpreendido com essa mensagem de um amigo, que escreveu: “Deda, dia desses eu estava recordando da entrevista que você fez com os primeiros apoiadores do Bolsonaro em Sorocaba. Recordo que você perguntou algo como ‘é sério mesmo esse apoio?’ Que coisa, não?”

Sim, que coisa!

Quando das primeiras manifestações de 2013, quando os jovens foram às ruas contra o aumento de 20 centavos na passagem de ônibus, me recordo de ter sido um dos primeiros a dizer que aquilo não era simplesmente baderna. Mas um movimento de insatisfação. Nunca imaginei que essa insatisfação levasse ao caminho de hoje, repito, democraticamente escolhido.

Um caminho sem volta, onde abduzo (termo da semiótica que se completa com a dedução e indução) decepções, desilusões, tristeza de um lado; orgulho, satisfação e prepotência de outro; angústia, incertezas e temores de ambos.

Sorocabano se reúne com coordenadores econômicos de Bolsonaro

O empresário Flávio Amary, presidente do Secovi (Sindicato da Habitação), se encontrou na tarde de quinta-feira passada, no Rio de Janeiro, com Paulo Guedes e Marcos Cintra, coordenadores econômicos do Plano de Governo do candidato Bolsonaro. Amary esteve acompanhado de Lair Krähenbühl, também do Secovi, para tratar da pauta habitacional do provável futuro governo de Bolsonaro (que a 9 dias da eleição tem vantagem de 18 pontos sobre Haddad), além de temas relevantes para o futuro do Brasil.

Em recente artigo, Flávio Amary defendeu o que chamou de “maturidade política para um pacto pelo Brasil”, onde ele defendeu que a “união para enfrentarmos os problemas é cada vez mais necessária”. Ele explica que os problemas do Brasil se classificam em “pontos básicos e mínimos, para uma recuperação econômica, todos sabem e vão enfrentar antes mesmo da posse, em 2019. As reformas da previdência e do Estado, fundamentais para um ajuste fiscal capaz de trazer de volta o nosso potencial, deverão fazer parte das primeiras ações do próximo presidente”. Ele, ainda, afirma: “Seria muito bem visto que um dos candidatos estendesse as mãos sinalizando o apoio, em caso de derrota, desta agenda mínima necessária e, ao mesmo tempo, pedisse o apoio em caso de vitória”.

Câmera de segurança

No mesmo dia em que Flávio Amary e Lair Krähenbühl, do Secovi, se encontraram com o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro, como o próprio candidato já afirmou sobre Paulo Guedes, a equipe de Bolsonaro divulgava a intenção do futuro governo de mudar o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, criado no governo do PT, para “Casa Brasileira” onde além da moradia essas habitações viessem a ter outros equipamentos para dar mais qualidade ao morador. E, frisa, entre esses equipamentos “câmeras de segurança ligadas diretamente à polícia”. Com o objetivo de garantir a segurança dos moradores das unidades, os locais estariam sendo vigiados 24 horas por dia, todos os dias do ano.

Escola de Sorocaba representa o Estado de SP em concurso federal

A Escola Municipal “Professor Oswaldo de Oliveira”, localizada no bairro do Éden, na zona industrial de Sorocaba, está participando do Eleitor Mirim, uma das iniciativas do programa Plenarinho, criado pela Câmara dos Deputados de Brasília, como a única representante do Estado de São Paulo selecionada pela equipe do Plenarinho entre as várias sugestões enviadas por escolas de todo o Brasil. A turma do 5º ano F criou um candidato que, além de homenagear o nome da escola, é um personagem original: o Oswaldinho.

Para participar da iniciativa nacional, a professora Amanda Cristine de Souza e os alunos elaboraram proposta, slogan, número do candidato e por meio de uma redação elaborada pelos estudantes foi respondida a questão: “Por que a minha sala deve participar do programa Eleitor Mirim?”. Já a imagem de Oswaldinho foi inspirada num esqueleto que a escola tem para uso de aula de ciências e que acabou se tornando o xodó das crianças e também dos professores.

Promessas do Partido dos Direitos Infantis

Oswaldinho é do PDI (Partido dos Direitos Infantis) e quer investir em segurança para as crianças e combater o preconceito e o bullyng. Seu número é 9929. Ele concorre com os candidatos:  Diana Rogers, do Partido Conexão Estudantil (PCE), criado pelo Colégio Conexão (Joaçaba/SC); Justinho, do Partido da Renovação Jovem (PRJ), da E. M. E. F. “José Pasqualini” (Corupá/SC); Valter Silva, do Partido Millenium do Futuro, da Escola do Futuro e Escola Millenium (Governador Valadares/MG); e o Super-Betinho, do Partido Criança Fala Sério (PCFS), da E.M. “Humberto de Alencar Castelo Branco” (Campina Grande do Sul/PR).

Como foi o processo

“Logo que foi apresentada a proposta de produção de um texto para concorrer à criação do candidato, todos se interessaram muito”, conta a professora Amanda. “No decorrer do processo os alunos foram trazendo várias ideias e propostas para a criação da plataforma do personagem Oswaldinho. Foi algo surpreendente”, destaca. Além da participação direta da escola ao criar o candidato, as crianças debateram em sala de aula sobre a importância da democracia e o engajamento político.

A aluna Anna Izabel Marques Gomes, de 11 anos, explica quais foram os critérios para uso do nome e número da chapa do candidato. “Escolhemos o nome depois de várias pesquisas feitas com os alunos e familiares e pensamos no número 9929 sendo o 99 o ano da fundação da escola juntando com o 929, número do prédio da unidade”, explica a estudante.

Além da escolha do estilo do personagem, as crianças e os professores das outras turmas do 5º ano também discutiram sobre as propostas. O Oswaldinho, além de combater o preconceito e o bullyng, propõe às escolas mais estímulo para debates políticos, democráticos e de cidadania, pede a criação de programas educativos de qualidade e o fim de toda e qualquer violência praticada contra crianças e adolescentes.

A diretora da E. M. “Professor Oswaldo de Oliveira”, Janaína Santos de Souza, responsável pela unidade desde 2002, conta que o sentimento é de realização do compromisso de oferecer maior abrangência de conhecimento às crianças. “Além do conhecimento básico como cálculo, interpretação, leitura, nossa ideia é possibilitá-los a vivência de cidadania dentro da escola, como nos casos de escolha de representante de classe que pode ser considerada uma circunstância política também”, enfatiza. “Essa vivência na escola é fundamental para que eles não se sintam somente telespectadores, mas participantes do cenário político”, completa.

Sobre a eleição

Crianças e adolescentes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental de todo o Brasil poderão participar e escolher seus representantes, assim como os adultos fazem. A votação teve início em 7 de outubro e ocorrerá até o dia 28 de outubro através do site: https://plenarinho.leg.br/index.php/urna-eletronica. O vencedor mantém o seu candidato no site até a próxima eleição.

Sobre o Eleitor Mirim

O Eleitor Mirim é realizado nos anos eleitorais, com a parceria de professores. Eles recebem uma cartilha com textos que abordam de forma divertida os vários aspectos do processo eleitoral, como a importância do voto, a necessidade de acompanhar o trabalho daquele que foi eleito, as possibilidades de engajamento, entre outros. Além disso, a cartilha traz sugestões de atividades para serem desenvolvidas em sala de aula.

Além do Eleitor Mirim, o portal Plenarinho traz informações sobre o Poder Legislativo, a elaboração de leis, atuação parlamentar e organização do Estado, tudo de maneira lúdica e com linguagem acessível.

O Plenarinho nasceu da iniciativa de funcionários da Câmara dos Deputados, que foi a vencedora do concurso “Câmara em Ideias” de 2002. Em agosto de 2004, o Plenarinho foi lançado simultaneamente em 26 escolas públicas do País. Em setembro de 2006 foi transformado em portal, fruto da diversificação dos conteúdos apresentados.

Ex-figura pública em Sorocaba volta ao noticiário para promover série de TV

Figura pública na vida de Sorocaba no início dos anos 2000 (quando foi presidente do Sindicato dos Donos de Postos de Gasolina em Sorocaba e Região e se viu envolvida numa investigação policial, onde foi acusada de chefiar um esquema de cobrança de propina que beneficiava fraudadores de gasolina e comerciantes ilegais, chegando a ser cercada por policiais civis quando tomava café na praça de alimentação de um shopping de São Paulo) Ivanilde Vieira Serebrenic voltou à cena na noite da última terça-feira ao participar do programa “Conversa com Bial”, da TV Globo.

Desvinculada de Sorocaba há mais de uma década, Ivanilde foi uma das entrevistadas do programa para promover a série Assédio – que estreou no mês passado pela plataforma Globoplay – que segue sem data prevista para ser exibida pela TV aberta, mas já vem sendo promovida pela Globo em seus programas. A obra ficcional conta a história de uma rede de mulheres que se forma para denunciar uma série de abusos sexuais cometidos por um médico bem-sucedido e respeitado, ou seja, a Globo transformou em série de TV o caso do médico Roger Abdelmassih (condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 mulheres, em 2010).

A saga começa quando uma dessas mulheres rompe o silêncio e torna público o que até então era restrito ao consultório. Essa mulher é Ivanilde Vieira Serebrenic ou apenas Ivani, nome com o qual ela foi apresentada na entrevista a Bial. “Fui a primeira mulher a vir a público. Sabia que outras mulheres iam engrossar essa fila e iam tirar esse homem de circulação. Enquanto estivesse no anonimato, ele ia continuar praticando esse crime. Só que não é fácil fazer isso”, disse ela na entrevista,

Escrita por Maria Camargo, a minissérie é livremente inspirada no livro A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga. Cabe a Antonio Calloni o papel de interpretar o tal médico, chamado aqui de Roger Sadala, um especialista em reprodução humana e profissional até então com carreira irreparável. Porém, quando um grupo de mulheres se une em busca de justiça, a máscara dele começa a cair. A minissérie, que tem 10 episódios, foi construída como se fosse um documentário.

Conversa com Bial

Na entrevista, Ivanilde foi convidada para contar “minha triste experiência de ser vítima de estupro, terrorismo que inspirou a minissérie Assédio”, afirmou em sua página de rede social.

Em um trecho da sua “Conversa com Bial”, Ivanilde disse: “Até hoje há quem duvide, diante de tudo que aconteceu” e dá detalhes do motivo de ter saído do anonimato para denunciar Roger Abdelmassih: “Fui ameaçada de morte diversas vezes. Nos primeiros dias que fiz a denúncia, não podia sair na rua. As pessoas me apontavam, diziam que eu queria me prevalecer de um homem tão importante e financeiramente influente. Até hoje, há quem duvide diante de tudo o que aconteceu”.

Luta pelas mulheres

Desde que deixou Sorocaba e fez a acusação que levou à derrocada o médico Roger Abdelmassih, Ivanilde Vieira Serebrenic se dedica a promover a causa das mulheres. Recentemente ela foi condecorada no México e no início deste mês, no Equador onde recebeu o título de Embaixadora da Paz, como ela própria relata: Nesta tarde de 12 de outubro acabo de receber o título de “Embajadora de Paz”, concedido pelo Comité Internacional de los Derechos Humanos del Ecuador, “Cancilleres de Paz Mundial”, e assinado por seu presidente executivo Dr. Antonio Torres Collantes.

Agora somos ‘Embajadoras de Paz’. São nossas vozes indo além do Brasil. Vozes das mulheres que buscam a paz no amor de um companheiro, que buscam a paz ao constituir uma família, que buscam a paz ao desejar gerar um filho. Ecoamos as vozes das mulheres que buscam a paz e obtém violência.

‘Embajadoras de Paz’ nos traz o significado da coragem, da persistência e a mensagem que devemos avançar sempre. É o reconhecimento por não termos nos calado.

Agradeço ao Comité Internacional de los Derechos Humanos del Ecuador esta honraria, um verdadeiro bálsamo para meu espírito, e divido ‘Embajadoras de Paz’ com vocês, brasileiras e equatorianas.

O dia 12 de outubro, feriado no Brasil, acaba de ganhar um significado muito especial para mim.

Muito grata!

Crise econômica empurra 2 mil famílias sorocabanas para a faixa de pobreza

Em Sorocaba, 17.339 famílias são beneficiadas pelo programa Bolsa Família, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) do Governo Federal. De acordo com a Secretaria de Igualdade e Assistência Social (Sias), o número de contemplados aumentou em 13,29% num período de 12 meses. Em agosto de 2017, 15.035 famílias foram contempladas pelo programa. São aproximadamente quatro membros por família, totalizando em média, 69 mil pessoas que são assistidas pelo programa, sendo que, em média, cada uma recebe R$ 141,59 do Bolsa Família.

Esses dados oficiais foram divulgados na manhã de hoje pela assessoria de comunicação da Prefeitura de Sorocaba. E suscita uma única pergunta: O que fez com que 2 mil famílias, em apenas um ano, fossem jogadas para a zona de pobreza a ponto de precisarem ser atendidas pelo programa social?

A resposta é dada por Clodoaldo Barboza de Jesus, chefe de Seção de Gerenciamento de Cadastro Único e Programa Bolsa Família da Prefeitura de Sorocaba: “O aumento se deu por conta da forte crise que atingiu o país, que levou várias pessoas a ficarem desempregadas e recorrerem ao programa”. Lembrando que podem receber o Bolsa Família “aquelas que vivem em situação de extrema pobreza, cuja renda mensal é no máximo R$ 85,00 ou em situação de pobreza com uma renda, cujo valor fica entre R$ 85,01 e R$ 170,00 por cada indivíduo da família”.

A situação de família vivendo na pobreza em Sorocaba pode ser pior, pois segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) “hoje, são cerca de 19 mil famílias que podem receber o programa Bolsa Família em Sorocaba, mas essas duas mil restantes não estão recebendo por não estarem realmente dentro dos critérios para o Bolsa Família”, explica Clodoaldo de Jesus.

“O Governo Federal verifica essas informações por um processo que se chama, processo de Averiguação Cadastral, que cruza esses dados do Cadastro Único com os dados de outras bases nacionais como, por exemplo, folha RAIS, CAGED, CNIS-INSS, IRPF, e SIAPE, o que geralmente identifica rendas que foram ‘omitidas’ na hora de fazer os cadastros”, explica o técnico.

Câmara de Sorocaba começa a discutir a proibição de embalagem de isopor

O Projeto de Lei nº 246/2018, de autoria do vereador João Donizeti Silvestre (PSDB),  que proíbe o uso de embalagens de poliestireno expandido (isopor) em restaurantes, lanchonetes, bares e similares, barracas e por parte de vendedores ambulantes, começou a ser defendido pelo autor, em primeira discussão, na sessão da Câmara Municipal na manhã de hoje, mas, devido ao fim do tempo regimental, não chegou a ser votado.

No último dia 9, vale lembrar, foi aprovado em segunda discussão o Projeto de Lei nº 212/2018, de autoria do vereador Fernando Dini (MDB), que proíbe a utilização de canudos de plástico em restaurantes, lanchonetes, bares e similares, além de vendedores ambulantes, prescrevendo que só poderão ser fornecidos aos clientes canudos de papel biodegradável ou reciclável, individualmente e hermeticamente embalados com material semelhante.

O descumprimento da norma prevê desde advertência a multa de 120 Ufesp (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo), que será cobrada em dobro a partir da terceira autuação. Como o valor da Ufesp em 2018 é de R$ 25,70, o valor da multa será, inicialmente, de R$ 3.084,00, sendo cobrada em dobro na terceira autuação, assim sucessivamente. O projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Justiça, que apresentou a Emenda nº 1, também aprovada, com o objetivo de revogar a Lei 9.644, de 6 de julho de 2011, de autoria do então vereador Claudemir Justi, que tornou obrigatório o fornecimento de canudos de plásticos hermeticamente fechados.

Cuidar do meio ambiente

A cidade de Cotia, na Grande São Paulo, foi a primeira cidade brasileira a proibir o canudo plástico e o Rio de Janeiro a primeira capital do país a adotar essa medida que já tem cidades de 50 países, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), envolvidas nessa batalha.

A proibição do canudinho vai ao encontro de um crescente movimento global de combate ao lixo plástico, um dos principais vilões da poluição marinha.

Quanto a proibição das embalagens de isopor, ela segue a mesma lógica, apesar dele ser um plástico 100% reciclável. O problema, na prática, é que sua reciclagem enfrenta seríssimos problemas de viabilidade técnica e econômica, levando ele apenas a ser descartado na natureza onde não se decompõe.

Adeus Zezo, o príncipe sorocabano. Você é eternidade em nossa memória

O corpo de José Lanaro, o querido Zezo, o Príncipe sorocabano, parou na madrugada de hoje. Ele estava em morte cerebral desde sábado passado e em coma profundo desde o último dia 3, um dia depois de ter dado entrada no hospital da Unimed, de onde nunca mais saiu.

A morte leva junto com ele a jocosidade e espírito brincalhão que se manifestavam espontaneamente quando ele conseguia se desligar da dor que o acompanhou nas quase últimas duas décadas, quando perdeu o filho José Luiz, numa das mais violentas ações criminais de Sorocaba, quando ele foi sequestrado e morto por seus assassinos.

Um pedaço de Zezo morreu naquele dia 26 de junho de 2001.

Mas outro se manteve bem vivo no filho Luciano e nos netos Lorenzo e sua irmã Catarina.

Sua vida girava em torno da família. Ele cultuava o amor pelas gerações: “Quando os meus filhos disserem aos meus netos o quanto eu os amava; e quando os meus netos disserem aos meus filhos que guardam lembranças minhas e de mim sentem saudades, não terei morrido nunca: serei eternidade!”

Esse verso, que não sei de quem é, foi me dito por Zezo logo em uma das primeiras vezes em que fui almoçar na sua casa. Dedjinhhaaa… assim me chamava Zezo, fazendo biquinho com os lábios. Me transformei num ótimo ouvinte. Sentia que fazia bem a ele e ouvir sempre me fez bem também.

Avesso a entrevistas, ele me deu a honra de entrevistá-lo para o programa O Deda Questão então exibido na TVR, canal 23 da NET Sorocaba. Vaidoso, tinha a preocupação de como as pessoas iriam vê-lo, ou melhor, iriam interpretar e analisar aquela imagem que aparecia na televisão.

Tive o privilégio de ser parte dos últimos anos de sua vida. Uma história que começou no Bar do Fundão. Moda na Inglaterra e na França, e que chega nos dias de hoje a São Paulo e Rio de Janeiro, existem tipos de bares onde não há placa na porta e, no geral, ficam em locais absolutamente escondidos. São secretos na verdade. Para frequentá-lo precisa ser levado por alguém. Um conceito que nasceu em Chicago, nos anos 20, e que existia para burlar a Lei Seca. E assim era o Bar do Fundão. Um bar no quintal da Casa Lotérica A Favorita na rua Coronel Benedito Pires, no centro de Sorocaba. Só se entrava lá com autorização do segurança na porta. Não havia o menor sinal do que se encontraria ali dentro. E foi lá que bebi alguns dos mais caros vinhos da minha vida e comi, até me esbaldar, iguarias feitas com ingredientes de primeira qualidade como camarão VG, por exemplo. Dedjinhhaaa… você é o melhor prato que conheço. E é verdade, nunca fui de beber tanto o quanto de comer. E nisso éramos bem diferentes. Zezo apreciava e abusava da bebida.

No Bar do Fundão passaram alguns dos principais nomes do futebol brasileiro, delegados de polícia, advogados, vereadores, empresários, juiz de direito, desembargador do Tribunal de Justiça e um monte de pé no chão. Zezo tinha essa rara capacidade de unir e reunir quem tinha condições sociais absolutamente diferentes e deixá-los à vontade como se sempre tivessem sido velhos e bons amigos.

Zezo, em 2014, tardiamente em minha opinião – mas antes tarde do que nunca – recebeu o título de Presidente de Honra do São Bento. Uma singelíssima homenagem a quem foi o verdadeiro padrinho do time em suas fases mais difíceis ao emprestar dinheiro sem que tivesse qualquer garantia de que fosse receber de volta. Era seu prazer. Havia fila de dirigentes, jogadores e empresários na sua porta. Alguns se transformaram em verdadeiros amigos como Xixo (o contador Agacyr Maister) e Paulo Comelli que depois de treinar o São Bento está há quase cinco anos nos Emirados Árabes numa carreira vitoriosa. Outros eram devotos de sua amizade como Marinho Perez, que na semana passada, deu com a cara na porta na Unimed diante da impossibilidade de se encontrar pela última vez com o amigo de infância.

Advogado formado pela “Nossa de Direito”, a Fadi, e ex-aluno do Estadão – o conceituado colégio de Sorocaba nos anos 50 e 60 – que tinha na turma gente como Paulinho Rogick e Luiz Beldi Castanho, Zezo era uma pessoa absolutamente culta. Dominava como poucos a Língua Portuguesa e foi assim, pelos problemas que o jornal BOM DIA enfrentou em sua implantação, onde o sistema operacional provocava erros absurdos (com o que o leitor não tem absolutamente nada, ele tem o direito de receber em ordem seu exemplar) que passei a frequentar da intimidade de Zezo Lanaro em 2005, figura pública que conhecia bem antes.

Ele demonstrava um misto de curiosidade e admiração por J.Hawilla – então dono do BOM DIA e um dos principais empresários do futebol brasileiro – e contava passagens que tiveram juntos na vida em razão de Juca Paes (um dos ícones sorocabanos) e Alfredo Metidieri, sorocabano que presidiu a Federação Paulista de Futebol. Assim como a paixão pelo futebol, o que unia Zezo e Hawilla era a locução esportiva. Zezo, como poucos, sabia empostar a voz. Fã de João Paulo de Andrade do programa O Pulo do Gato, da rádio Bandeirantes, Zezo se tornou aos poucos meu ouvinte e depois meu crítico na coluna O Deda Questão no Jornal da Ipanema (FM 91.1Mhz), onde gostava de dar dicas de temas e me contar algum bastidor.

A internet, que trouxe o advento de redes sociais, abriu uma infinidade de janelas para o mundo de Zezo. Ele observava as nuances e entranhas de Sorocaba de seu refúgio dos últimos anos, sua morada no edifício Torre Branca. Quando o câncer, diabetes e outras complicações lhe levaram a perder uma perna, dedos do pé, pedaço da língua, ficar em casa cada vez mais lhe deixava confortável. E pelas redes sociais ele acompanhava tudo, as brigas políticas, as trapalhadas de Crespo, o “nascimento” de Jaqueline, o que ele chamava de espertezas dos vereadores. Nada lhe escapava. Aliás, foi pelo facebook, que ele deixou seu último recado: se der tempo, Bolsonaro. Não deu. Nem no 1º turno.

Mas era do mundo real que ele sentia falta. Zezo sempre foi aquele tipo de pessoa que atraia para si todas as atenções onde quer que ele chegasse. Sua história foi assim. Gostava de roupas sob medida e tecidos raros. Sempre estava barbeado e perfumado. Nunca admitia que alguém pagasse uma conta. Aliás, me surpreendi com a dificuldade que tinha de receber presente. Na Páscoa de 2016, onde fui comer o melhor bacalhau do mundo (Cod Gadus Morhua – de carne branca e macia e saborosíssima), apareci como de costume em cima da hora. E, ao contrário de outras vezes, onde sempre estavam presentes pessoas próximas a ele (como Samuel, Neto, Reinaldo, Pinga, Paraná, Sabugo, Dorinha entre tantos outros) dessa vez era só eu. Cheguei com uma caixa de bombom, pela Páscoa, época de chocolate. E ele, verdadeiramente, se emocionou com aquilo. E não admitia a emoção e, na mesma hora, quis me retribuir. Pediu que a Cris (cozinheira de todos os dias, cujo a família conhecia a minha devido ao Vadeco, lá da Vila Santana) fosse em seu armário e pegasse as gravatas que estavam lá. Me deu duas, caríssinhas, de marca, seda pura, que haviam sido trazidas da França para ele. Estavam na embalagem. Uma delas, bege, usei quando fui me apresentar na Câmara, aos vereadores, assim que assumi o cargo de gerente regional da CDHU. A azul talvez use no próximo sábado.

O corpo de Zezo, que será velado a partir das 13h de hoje no Cemitério Pax, mesmo local onde será enterrado às 17h, foi cuidado até o final por sua assistente Stella Cutchner. Assim que ela me deu detalhes do velório, tratei de divulgar entre alguns grupos de pessoas.

Em um deles, um amigo perguntou: que bicho vai dar hoje? E não me contive em responder: Do descanso. Da preguiça. A pergunta não veio sem propósito, afinal Zezo foi durante anos contraventor. Proibido no Brasil desde 1940, o Jogo do Bicho existe e faz parte da vida do brasileiro. Em alguns lugares, o crime se apropriou dessa prática. Com Zezo, não. Ele nunca saiu dos seus limites de diversão e entretenimento de um Brasil que ele tinha saudades, onde o prazer dos amores, do futebol e da bebida reinavam recheados de histórias e personagens.

Em outro grupo, um amigo escreveu: Túnel do tempo – Zezo Lanaro me liga na redação do Cruzeiro e pede que eu vá até o Tropical, na rua da Penha, pois Picolé e Bazaninho lá estavam. Chegando, todos estavam trêbados. Precisei “inventar” respostas da entrevista, pois não conseguiam articular coisa alguma, muito menos memórias do São Bento campeão em 62…Típico do Zezo!

Com muita dor chego até aqui. Difícil falar do Príncipe, que considero O Grande Gatsby (referência ao romance escrito pelo autor americano F. Scott Fitzgerald e publicado pela primeira vez em 1925) sorocabano. A história é um preciso relato do glamour daquela época e do inconformismo de um materialismo sem limites e absoluta falta de moral. Juntos, esses dois elementos traziam consigo a decadência daquela sociedade. Zezo, foi um crítico sagaz da decadência da nossa sociedade nesses dias atuais, onde, dizia eles, as pessoas querem só se aproveitar das outras ficando longe da fé e dos bons costumes.

A vida é uma festa, é preciso saber como viver isso. Zezo sabia!