Bate-boca na feira da Vila Jardini

Eu briguei com uma senhora ontem na feira da Vila Jardini. Não. É exagero dizer que houve briga, pois ela dizia umas asneiras, em voz alta, eu entrei no meio e ela foi embora me praguejando.

Primeiramente eu quero explicar porque eu fui nesta feira, e não na do Júlio de Mesquita que é bem mais perto da minha casa, na Zona Oeste, pois ela é bem mais vazia. E também porque não fui na feira da Vila Hortência, na Zona Leste que é bem maior e mais tradicional, pois eu queria sossego para o meu pastel com café preto. Aliás uma das melhores combinações que existem para um domingo de manhã. 

Explicado isso, decidi ver como estava o camarão na banca da dona Cláudia, afinal era Dia das Mães e decidi fazer uma comida especial e risoto sempre é uma boa pedida. No caminho vi abobrinhas lindas, já desmioladas, e pensei em fazê-las recheadas o que, convenhamos, também é algo para ocasiões como a de domingo passado. Acabei comprando ramas de tomates holandeses, os mais saborosos, especialmente à memória. Em Den Haag, em 1989, plantei um pé nuns centímetros quadrados de terra da rua Bazarstraat onde, em abril ou maio, acho, daquele ano, um chinês resolveu enfrentar um tanque de guerra em Pequim. A imagem correu o mundo. A família daquele chinês tinha restaurante nessa rua, bem na frente de onde eu morava, e as emissoras de TV correram lá para fazer entrevistas.

Quando eu estava olhando as bananas, as minhas preferidas são a Prata, uma senhora, falando alto, me chamou a atenção. Sem máscara na cara, ela dizia que essa doença é só uma gripezinha e… antes que ela completasse seu argumento eu já estava berrando com ela: …se é só uma gripe porque já morreram 10 mil brasileiros???? E ela tentou falar alguma coisa do Bolsonaro, de longe, pois ela não ficou para debater e saiu andando.

A bananeira me falou para não me estressar que aquela velha é uma louca, conhecida na feira e ninguém liga para o que ela fala. Constrangido, por ter brigado com a louca, segui meu caminho.

Já de volta ao lugar na rua onde havia parado o carro, na Visconde do Rio Branco, o boteco estava bombando. Fiquei pensando se os bêbados estão imunes ao Covid19. Ou se o Covid19, sabido, para não se desmoralizar não se atreveu ainda a entrar em lugar como aquele. Ou, generoso, espera que as pessoas se imunizarem às loucuras do presidente que insiste em dizer que se trata de apenas uma gripezinha e, no simbólico dia das 10 mil mortes agenda um churrasco e depois desmente e depois vai dar uma volta de jet sky, como aquele outro louco, no início da década de 90. 

Espero que haja para bastante breve um plano dos governos que levaram o povo ao confinamento para recolocá-los em atividades. Fechar todos mundo em casa foi fácil. O fato é que se soltar ao mesmo tempo não haverá retaguarda hospitalar que dê jeito em tanta gente precisando de ajuda. 

Mas espero, mesmo, parar de brigar na rua. Acabo de me lembrar que me irritei na fila do pão semana passada com dois idosos, aparentemente na casa dos quase 80 anos, que não aguentavam mais ficar em casa e foram aonde ainda é permitido ir. O próximo lugar, neste ritmo, me disse um deles, vai ser no cemitério. 

 

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