Bento morreu. E as graves circunstâncias de sua saúde fez com que fosse aqui em Sorocaba

BentoSérgio Bento, jornalista talentoso, pessoa de excelente caráter, uma fonte de humor, morreu no comecinho da manhã de hoje em Sorocaba. As circunstâncias do seu péssimo estado de saúde, devido aos 178 quilos de sua obesidade mórbida, o trouxeram de volta à cidade onde veio, por parcos dias, para trabalhar na unidade local do jornal Bom Dia. Natural de Cafelândia, ele fez sua vida pessoal e profissional em Bauru. E entre os muitos legados, sem dúvida, deixados pelo finado Bom Dia um deles foi unir em sua rede jornalistas que seguramente nunca se conheceriam.

Bento não era meu amigo. Era amigo do meu amigo Márcio ABC, editor da rede Bom Dia e autor dos livros Desrumo, Pater e Na Pele dos Meninos. Bento não era meu amigo tanto que eu nem sabia que ele estava no SPA Médico Sorocaba, buscando perder 50 quilos para somente então ser submetido a uma cirurgia bariátrica. Não sabia também que estava internado na Santa Casa de Sorocaba devido a problemas de saúde.

Pessoas como o Bento não precisam ser amigas para se gostar dela. Sedutor, galanteador e sobretudo exagerado, Bento sempre tinha um bom papo quando o assunto era regado à comida e bebida – o seu peso nunca escondeu isso.

Exagerada também era sua paixão pelo Corinthians. Uma praga, posso dizer. Me provocava com o São Bento, com o Palmeiras, sempre colocando de algum modo o Corinthians na conversa, ou melhor, na piada que o tema futebol sempre proporciona.

Sempre Bento tinha uma solução para problemas banais da pressão de um pescoção como cartas de leitores para que o espaço destinado a elas não saísse em branco quando fechados com três, quatro dias de antecedência.

Assim que soube de sua morte, hoje pela manhã, falei dela no ar na coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz) e lembrei de que fosse por mensagens ou voz ele sempre acabava encaminhando o final de nossa conversa com uma pergunta: e a Cantina, Benette? Ou melhor: E a “Cantina Benette”? Ele brincava que viu nas cartas que será um sucesso e que eu deveria botar no cardápio as receitas que acabávamos conversando: Osso Buco com Polenta Mole, Spaguetti ao Sugo de Tomate Cereja, Caponata com Castanha do Pará e Pimenta… Bento morreu, mas seu estímulo para o “meu bar” segue em mim.

Bento tinha voz que me lembrava a de um cantor de blues: Grave, rouca e prolongada. E a usava para o bem. Ao menos usou nos raros, mas ótimos momentos em que vivemos juntos nas mesas de bares de Bauru e Sorocaba, nas redações do BOM Dia Bauru e Sorocaba. Bento era dessas almas boas que perambulam por aqui. E espalham doçura. E assustam quando partem.

A morte de Bento me joga na cara que não sou mais aquele menino que tinha mais tempo pela frente do que para trás. É daquelas que deixa saudades!