Bolsonaro venceu

Antes de mais nada é importante a lembrança: Jair Bolsonaro não foi colocado no cargo de presidente da República por alguma ação sobrenatural, violenta ou ilegal. Ele está lá por que a maioria dos eleitores assim desejou. Ou seja, Bolsonaro representa o sentimento e visão de mundo de expressiva parcela da população brasileira, pessoas que o apoiaram um ano e meio atrás, quando foram às urnas, ou ainda o apoiam quando fazem a defesa do seu modus operandi.

Esse é um comportamento esperado.

O que não é esperado, aliás é surpreendente, é que aqueles que não votaram em Bolsonaro, e não apoiam suas atitudes, se comportem como ele. Ao fazerem isso, essas pessoas perdem a guerra, e não a batalha, sobre que Brasil se deseja, um lugar de oportunidades, onde se possa viver com qualidade de vida.

Deputado por mais de 30 anos, Bolsonaro era quase invisível até o episódio do impeachment da presidente Dilma Roussef quando todos os 513 parlamentares tiveram tratamento muito parecido na mídia. Naquela época, me lembro, Bolsonaro disse que gostaria que Dilma saísse do cargo devido a um câncer, morta. 

Ninguém deu muita bola ao excêntrico deputado, à época. Mas ele soube aproveitar os espaços e, sequencialmente, conseguiu propagar o seu discurso de ódio. Era sua estratégia para vencer.

Nessa semana, dias em que o presidente anunciou “estar” com Covid19 e “ser” curado com o uso do remédio que ele faz propaganda, começou uma enxurrada de pessoas em seus perfis de rede social desejando a morte dele.

Hélio Schwartsman, que escreve numa das mais importantes páginas de opinião do Brasil, a coluna São Paulo na página 2 do jornal Folha de S.Paulo, espaço sagrado por ter sido de Cláudio Abramo e Clóvis Rossi, decidiu filosofar (a imagem que ilustra essa postagem), mas os seguidores do presidente apenas usaram o título da sua coluna (desprezando os argumentos do que está escrito) para vitimizar Bolsonaro.

Isso significa uma única coisa: o discurso de ódio venceu. Pessoas que tiveram acesso a livros e educação de qualidade, que deveriam manter o bom senso, descambam para a irracionalidade do deputado que foi eleito presidente.

Me lembro de uma história envolvendo um pescador. Ele dizia para todo mundo que iria matar um tubarão, o mais terrível animal dos oceanos, apenas com um canivetinho. Até o dia em que seus amigos se cansaram da sua lorota e levaram-no à praia e lançam o desafio: Pega o seu canivetinho e mata o tubarão. E o pescador disse: é só trazer ele aqui (e apontou a areia da praia onde ele estava pisando). Moral da história, cada um é forte e valente no seu espaço e ao seu tempo. 

Bolsonaro é imbatível no discurso de ódio e conseguiu trazer o tubarão (pessoas que desejam a sua morte pelo Covid19) para sua praia e certamente ele vai matá-lo com seu canivetinho.

Bolsonaro acredita nas idiotices que fala e a propagação delas faz com que uma horda que crê nas mesmas imbecilidades se junte, fortalecendo essa visão de mundo extremista, afinal um exército é mais forte do que um pelotão.

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