Brasileiro trabalhou até hoje, em 2017, apenas para pagamento de impostos

ImpostometroNo governo Collor, o brasileiro precisava trabalhar 3 meses inteiros somente para pagar a carga tributária. Da gestão de Itamar Franco até FHC esse tempo pulou para 4 meses. Com Lula, Dilma e Temer passaram a ser necessários 5 meses de trabalho só para o pagamento de tributos

A reforma Tributária (que está em pauta nos governos brasileiros nas últimas duas décadas) não sai do papel e a intenção em reduzir a carga tributária não passa de ficção do Brasil.

Enquanto isso, quem está empregado, toca trabalhar.

Em 2016, os brasileiros precisaram trabalhar 153 dias exclusivamente para pagar os impostos cobrados pelo governo. Neste ano, o brasileiro trabalhou até hoje, 30 de maio, (150 dias) apenas para pagar impostos.

Um estudo feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) mostra a evolução do peso dos tributos ao longo do tempo. Na gestão de Fernando Collor, por exemplo, o brasileiro precisava trabalhar 3 meses inteiros somente para pagar a carga tributária. Da gestão de Itamar Franco até Fernando Henrique Cardoso, o tempo de trabalho para cobrir a carga tributária cresceu gradativamente para 4 meses. Nos anos entre Lula e Dilma Rousseff o tempo de trabalho saltou para 5 meses. Em comparação à década de 1970, o dado fica ainda mais relevante, naquele ano o brasileiro trabalhou 75 dias para pagar seus impostos.

O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo registrou nesta segunda-feira (29/05) R$ 900 bilhões de tributos acumulados pagos pelos brasileiros desde o início de 2017. O valor se refere à arrecadação de todos os impostos, taxas e contribuições que vão para a União, os estados e os municípios. A marca de R$ 900 bilhões chega 14 dias antes do que no ano passado.

Do ponto de vista histórico, a cobrança de impostos existe desde os tempos bíblicos. Em tese, a criação visava uma relação de troca que garantisse o bem-estar social. As pessoas pagariam seus tributos ao Estado e, em troca, receberiam o amparo necessário para ter saneamento, segurança, saúde, educação, entre outros.

Do ponto de vista teórico, a relação é justa, não?

Mas e do ponto de vista da prática?

O brasileiro pagou seus impostos, mas ainda terá de desembolsar “extras” para pagar uma escola de melhor qualidade ao filho (a pública é bem inferior); saúde (quem se arrisca a ficar na fila do Sistema Único de Saúde?); segurança (proteção a residência com alarme e afins); mobilidade (já imaginaram poder se deslocar com conforto em transporte público?)

Então, se você é daqueles que vão se lembrar que a França, por exemplo, cobra bem mais impostos e tributos da população, inclusive, supera a do Brasil, lembre-se que o retorno é infinitamente maior do que aqui (a educação pública funciona por lá e muito bem).

Alguns impostos que são pagos

O IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) listou alguns produtos e sua carga tributária no Brasil: Carne bovina – 17,47%; Farinha de trigo – 17,34%; Frutas – 21,78%; Peixes – 34,48%; Bombons – 37,61%; Ração para gatos e cachorros – 41,26%; Água mineral – 37,88%; Cerveja (lata) – 55,60%; Vinho – 54,73%; Cobertor – 26,05%; Telefone celular – 39,80%; Ar condicionado – 48,22%; Ferro de passar – 45,25%; Máquina de lavar roupas – 48,00%; Micro-ondas – 59,37%; Cimento – 30,05%; Caneta – 47,49%; Pneu – 35,72%; Desodorante – 37,37%; Sabonete – 31,13%; Bola de futebol – 46,49%; Calça jeans – 38,53%