Cada evento conta para determinar o que o eleitor vai escolher

Olhem… atenção…estou fazendo o que é minha obrigação… Vejam eu aqui. Olhem bem… sou eu que estou anunciando o básico do básico… Vejam como sou bom… Vejam como sei fazer… Vejam como faço… Eu sou sério…

Minha tentação é a de me horrorizar com o governador João Dória Júnior e o seu comportamento em relação a vacinação do cidadão paulista a partir da ciência, da pesquisa, dos esforços dos profissionais do Instituto Butantan.

Me horrorizar, também, com quem encheu o seu palco em Sorocaba na tarde de hoje, os deputados tucanos, secretários de Estado, vereadores e prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga.

Mas eles, todos eles, sem exceção, perceberam que a eficiência e eficácia de ganhar o voto depende, e muito, desse teatro, desse palanque, desse discurso. O eleitor quer isso. Gosta disso. Prefere quem faz isso. O que importa, para o eleitor, é o que parece ser melhor. Pouco importa se, de fato, seja.

A narrativa do governador começa a ganhar força, por mais resistência que se possa fazer, como já começou, aliás, quando a principal liderança, o presidente da República, erra em sua aposta. O negacionismo de Bolsonaro teve seu impacto enquanto a “gripezinha” não era letal, mas agora são mais de 200 mil mortos e 8 milhões de infectados e UTIs com 100% de capacidade tomada e gente morrendo pela incompetência de administradores ao faltar estoque de oxigênio. É a economia sendo afetada.

O que está em curso é o que o eleitor vai preferir em 2020. Ele nem sabe disso. Cada evento (sim, espetáculo, show, luzes, brilho…) conta para determinar (sim, o eleitor é tão ignorante que não possui instrumento para se defender disso) o que ele vai querer em 2020. Até a Pandemia, Bolsonaro era o anticomunista (????), o antiPT, contra a esquerda, contra a corrupção. A Pandemia virou o sentimento e Dória tenta impor que a preferência do eleitor seja pela gestão, pela qualidade, pela organização, pelo planejamento que ele tanto faz questão de parecer que possui.

Quem impõe a narrativa, leva. Manga foi brilhante e desde 2018 martelou na tecla de que Sorocaba precisava de um jovem, de mudança, de energia e derrotou o discurso da experiência, da calma, da organização.

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