Casa de Papel: o clima é de ansiedade nos bastidores

Muita gente tem me abordado para saber minha opinião e o que eu acho que vai acontecer com os desdobramentos da Operação Casa de Papel – ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público paulista; da Delegacia Seccional de Sorocaba, da Polícia Civil; e do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) – para investigar contratos entre a Prefeitura de Sorocaba e uma empresa voltada à terceirização de serviços municipais, cujo os valores excedem a R$ 25 milhões.

Querem saber da minha opinião devido minha atuação com informações de bastidores, onde converso com dezenas de pessoas das variadas ideologias, partidos e que compactuam com as mais diversas paixões.

1º) Friso, como faço desde o primeiro dia do fato: os três secretários municipais sob suspeita (Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos; Hudson Zuliani, secretário de Licitações e Contratos; Werinton Kermes, secretário de Cultura e Turismo, que pediu exoneração do cargo) vinham sendo investigados há seis meses, portanto, desde novembro do ano passado, pelo Setor Especializado de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Polícia Seccional de Sorocaba. Ou seja, a promotora de Justiça Maria Aparecida Rodrigues Mendes Castanho, do Gaeco, e o delegado seccional Marcelo Carriel, da Polícia Civil, não seriam levianos em fazer a Operação Casa de Papel se não tivessem consistente material que indiquem para desvio de dinheiro público, fraudes em licitações e corrupção de agentes públicos.

2º) Nestes seis meses de investigação, não se conseguiu uma ligação direta do envolvimento do prefeito Crespo com os crimes apurados, do contrário, o prefeito Crespo estaria sendo acusado da mesma maneira que seus três secretários municipais. O prefeito esperou até o final da tarde de segunda-feira, até ter certeza de que não seria acusado, para ir ao ataque: “O maior prejudicado por qualquer esquema ilegal que possa existir sou eu mesmo e o meu governo. Eu não tolero corrupção. Se for o caso, vou exonerar todos que estiveram envolvidos em algum esquema. Se houver comprovação, eu serei o primeiro a punir quem quer que seja, incluindo secretário, se for o caso, com exoneração e talvez queixa de crime minha. Meu nome é limpo, meu governo é republicano. Eu vou descobrir através de todos os meios e vou mandar punir. Se for necessário, até vou mandar para a cadeia as pessoas que estão traindo a confiança do povo através do meu mandato”. De quebra, determinou à Corregedoria Municipal da prefeitura que abra um processo de investigação própria para analisar os contratos.

3º) O desdobramento da Operação Casa de Papel se dará a partir do que foi reunido durante os 6 meses de investigação com toda documentação colhida nos computadores da Prefeitura, dos agentes públicos acusados e dos empresários que tinham o contrato com a prefeitura e, obviamente, também com os depoimentos dos envolvidos. Isso terá uma consequência, obviamente. E ninguém tem como saber de antemão qual será.

4º) Assim como está solicitando ao prefeito para exonerar da função Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos e Hudson Zuliani, secretário de Licitações e Contratos – uma vez que Werinton Kermes saiu por vontade própria – a Comissão Especial de Vereadores, criada pela Câmara para acompanhar o caso, vai pedir a saída de Crespo do cargo se ficar provada alguma ligação direta dele com os contratos investigados. Sem ligação direta, acredito que vai prevalecer a fala de Fernando Dini, presidente da Câmara: “aos vereadores cabe obedecer ao princípio constitucional de respeito ao contraditório e da ampla defesa. Essa é uma situação muito grave, que macula a imagem da política sorocabana, mas não podemos fazer nenhum pré-julgamento”.

5º) Por fim, não acredito em ação exclusivamente política por parte dos vereadores neste momento, diante dos fatos que são do meu conhecimento. Os vereadores sabem que qualquer ação mais drástica, como a cassação do prefeito, terá consequência e cada parlamentar pesa o quanto isso é bom e mau para sua reeleição. Ou seja, quem ganha com a saída do prefeito nesse momento? Quem perde? Sendo cassado, o prefeito volta rapidamente como aconteceu na primeira vez? O prefeito não volta mais? Ou seja, o ambiente ainda está incerto, friso, neste momento (começo da tarde do dia 10 de abril). No final da tarde de hoje, com algum fato novo, tudo pode mudar. A verdade é que enquanto perdurar a Operação Casa de Papel, a situação do prefeito, do seu mandato e do seu governo é de fragilidade. Crespo sabe e por isso pede que as investigações sejam rapidamente concluídas. Assim, nos bastidores, o clima é de ansiedade seja do lado dos que estão junto com o prefeito ou dos seus adversários.

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