Constrangimento e decepção tropeira – 2

A decisão dos vereadores de criar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o caso dos falsos voluntários que atuam na Prefeitura de Sorocaba teve como primeira consequência o fim do trabalho voluntário de Tatiane Polis, ao menos da forma explícita que vinha ocorrendo, inclusive dentro do Paço Municipal. Ela não apareceu em nenhum evento desde a volta do Carnaval e pelo que apurei nem vai mais aparecer.

A segunda consequência, dentro do governo, é a de identificar o motivo do vereador Hélio Brasileiro, que havia se comprometido a não criar o constrangimento dessa investigação, ter mudado de idéia e, com o seu voto, ter permitido que os vereadores do PT, PSOL e PC do B (com ajuda de Manga do DEM, inimigo de Crespo, e Péricles Régis, do MDB) fossem vitoriosos nessa queda de braço. O objetivo é compreender a influência do padre Flávio (diretor da Santa Casa; comandante do Santuário de São Judas, onde Hélio Brasileiro é devoto e atuante; e amigo da vice-prefeita, Jaqueline Coutinho) nesse voto de Brasileiro pela instalação da CPI.

A terceira consequência é a campanha em redes sociais que os 13 vereadores que não assinaram a CPI passarão a sofrer em razão dessa decisão. Não bastará a eles o silêncio se o barulho for ensurdecedor. E aí será o momento de entender como cada um vai reagir.

Uma quarta consequência é de como será estabelecido o jogo de forças dentro da Câmara em torno da apuração das denúncias, uma vez que até o momento o alvo, ao menos no que circulou em grupos de funcionários públicos, foi Tatiane Polis. Ela vai “pagar o pato” ou o dono da caneta, ou seja, o prefeito, é quem será responsabilizado?

Uma quinta consequência: a decisão da CPI vai interferir na decisão da Polícia Civil em instaurar inquérito para investigar as denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais contra Tatiane Polis?

Uma sexta consequência: se antes era apenas uma curiosidade, agora praticamente virou obsessão entender o motivo do prefeito fazer de tudo (até mesmo esse trato de voluntário) para ter Tati Polis tão perto de si. E não é uma obsessão dos adversários e de quem é contra o governo, mas de pessoas que apoiam o prefeito. Ouvi de um, pessoa bem próxima de Crespo, a seguinte afirmação: ele é muito inteligente para um monte de coisas, mas é burro demais para outras. De um outro, também próximo, ouvi que o prefeito tem instinto suicida e precisa desse clima de tensão para produzir. De um terceiro, ouvi que vê no comportamento do prefeito traços de uma pessoa com autismo.

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