CPI decepciona ao não explicar relação entre prefeito e a assessora

O relatório final da CPI do Voluntário pode não ter trazido nenhum tipo de prova material contra os crimes apontados contra o prefeito e Crespo pode bater o pé de sua inocência e classificar de normal o relatório. Afinal, papel aceita tudo.

Mas fica evidente no relatório dos vereadores que o prefeito Crespo fez o que fez e escolheu Tatiane Polis para atuar dentro da prefeitura sem que tivesse trocado alguma idéia ou opinião com qualquer um dos seus assessores ou secretários. O prefeito simplesmente mandou Tati se integrar à equipe e ela apareceu lá na prefeitura. Boa de conversa, foi bem recepcionada e deixou claro que ela estava ali como “a escolhida”.

Depois de ler e reler o relatório, não consegui ver em nenhum ponto a grande pergunta que Sorocaba se faz: por que o prefeito queria tanto Tati Polis dentro da Prefeitura?

Há as mais diversas teorias: 1) eles são amantes; 2) Crespo é o pai de Tati numa relação que teria tido fora do casamento; 3) Tati sabe algum segredo mortal de Crespo e o chantageia… enfim, são esses que me lembro de momento.

Tudo bem que a CPI nasceu com outro propósito (Analisar e apurar denúncias de fatos e possíveis violações gravíssimas ao serviço Público Municipal, causados por usurpação de função pública, camuflados por “falsos serviços voluntários” – resultando em assédios morais, intimidações, tráfico de influência e prejuízos ao erário”), mas dentro desse propósito, caberia, sim, aos vereadores responder a pergunta: por que o prefeito queria tanto Tati Polis dentro da Prefeitura?

Logo que ficou evidente a atuação de Tati Polis na Prefeitura, minha primeira impressão é de que havia uma queda de braço entre ela e o secretário de Comunicação, Eloy de Oliveira, pelo gerenciamento dos R$ 20 milhões do contrato de publicidade da prefeitura. Isso explicaria, na minha visão, o motivo do prefeito desejar Tati atuando na prefeitura. Mas a CPI passou longe dessa questão e acolheu a visão de Eloy de Oliveira sobre o caso, dado por ele à polícia e não à CPI, de que ela era remunerada pela agência vencedora a mando do prefeito. Ou seja, o prefeito queria dar uma “mesada” para ela ou remunerá-la por serviços prestados?

Neste sentido, a CPI foi uma decepção para mim, pois responder a pergunta do motivo do prefeito desejar tanto Tati Polis, no meu entender, é a chave para entender o governo Crespo e o momento pelo qual passa a cidade.

Após ler e reler o relatório da CPI, vejo que o grande mérito dela é o de comprovar o que se intui: Crespo é um prefeito isolado, que toma decisões sem consultar seus assessores para projetar consequências técnicas, mas especialmente políticas de suas decisões. Mas quando a chapa esquenta, como é o caso da Comissão Processante que pode lhe tirar o mandato, ele delega poderes, forma equipe e atua como deveria atuar antes do problema existir.

Por fim, o relatório comprova outro fato que já escrevi neste blog: Crespo é o único criador de problemas do seu governo.

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