Crespo abriu mão de controlar a interpretação das mudanças que fez na estrutura administrativa da prefeitura e como consequência dará à oposição o discurso de que é preciso economizar, senso comum na opinião pública

crespo2Se confirmado que o prefeito Pannunzio não enviará o projeto elaborado por Crespo, restará ao prefeito eleito, assim que assumir em 1º de janeiro, convocar a Câmara em janeiro para que os novos vereadores votem a reforma administrativa. O que significa dizer que os nomes escolhidos terão de ser adequados nos cargos de secretários e diretores de autarquias hoje existentes. Ou seja, parece simples, mas a prática pode demonstrar outra realidade.

Vitor Lippi, em 2005, quando assumiu pela primeira vez e sucedia Renato Amary seu padrinho político à época, levou 5 meses para encaminhar e ver aprovada a reforma administrativa embora, como agora, tivesse ampla e irrestrita maioria de vereadores do seu lado. A chance de obstruções e ações por parte da oposição (que terá um prato cheio pela frente que é o aumento no número de secretarias num momento em que o Brasil pede cortes) é absolutamente real. Eu entendi que esta reforma administrativa deixou elas por elas, mas Crespo não teve esse cuidado de controlar essa informação no evento do anuncio do secretariado ai o Jornal Ipanema, Cruzeiro do Sul, TV Tem, SBT e rádios venderam a idéia de que houve o aumento. Ele falou e deixou que a interpretação fosse feita pelos jornalista ali presentes. Vai ser ter um desgaste enorme para vender a idéia em contrário. Os jornalistas odeiam assumir que não entenderam algo e deram a informação errada. Os donos dos veículos onde os jornalistas trabalham odeiam mais ainda tal fato.

Muito experiente no Legislativo (foi deputado estadual por 3 vezes e vereador por 2), a falta de experiência no Executivo (que é quem faz) ficou patente ao revelar mudanças tão drásticas sem exercer nenhum controle sobre elas. Não convém a nenhum executivo (especialmente um prefeito) improvisar. O planejamento (que estuda e antecipa todas as etapas de uma ação, como a reforma administrativa) é essencial para o sucesso. Renato Amary em seus oito anos de prefeito foi um planejador intuitivo (tinha tudo na sua cabeça). Vitor Lippi em seus oito anos de prefeito foi um planejador de manual, reforçava isso, promovia cursos de planejamento estratégico, e tinha tudo nos seus cadernos (quem conviveu com ele sabe do quanto Lippi escrevia e escrevia a mão). Pannunzio esteva no comando, mas delegou decisões de planejamento a pessoas de sua absoluta confiança e lealdade (Roberto Juliano, Toni Silveira, João Leandro e Edsom Ortega). São características de cada um e devem ser respeitadas. Inclusive o modo de Crespo que, em sua primeira ação, não se deu conta das consequências que a interpretação do que estava fazendo não correspondia às suas expectativas.

 

Na foto, a visão do número de jornalistas que compareceram ao anúncio das mudanças que o prefeito eleito pretende fazer. Crespo falou o que pretende fazer e deixou ao critério de cada um interpretar o que isso significa. A maioria entendeu como aumento no número de secretarias e custos