Decisão de Temer de continuar como presidente, apenas adia o inadiável

Temer

A bomba que caiu sobre o Brasil no final da tarde de quarta-feira, quando da revelação de gravações que comprometem criminalmente o presidente da República, Michel Temer (e outros políticos, o principal deles é o senador já afastado do seu cargo Aécio Neves), ainda terá impacto sobre o Brasil ao menos de três pontos de vista: econômico, político e social.

Desde cedo, e até agora há pouco, um cenário de total estarrecimento pelo que foi revelado tomou conta do país. Até mesmo a oposição se surpreendeu, senão com o crime, que eles afirmavam haver faz tempo, ao menos com a forma e consequência que teve.

O que embaralhou o desfecho de tudo isso foi o pronunciamento de Temer em dizer que não renuncia. É apenas o adiamento do inadiável, no meu entender. Pode ser que com o esforço do chamado “mercado”, que comanda a economia, ele sobreviva até a eleição de 2018, e em nome da economia. Dos pontos de vista político e social, o governo acabou.

E foi a economia, a base do pronunciamento de Temer. Qualquer que seja o desfecho da crise deflagrada pelas acusações, a percepção é da necessidade de um sinal rápido de continuidade da política econômica adotada desde o início da gestão peemedebista. A estratégia é blindar a equipe econômica e evitar uma desorganização ainda maior da economia.

 

Associação Comercial de Sorocaba

José Alberto Cépil – presidente da Acso: Estamos sentindo os respingos ainda. Acredito que o impacto  será  diluído durante os dias, pra entender o porque está notícia só foi divulgada agora.

Secovi: Sindicato da Habitação

Flávio Amary, sorocabano, presidente do Secovi-SP – O momento exige cautela e atenção, ficou muito ruim para o Brasil que estava em fase final e conclusiva de aprovação das reformas trabalhista e previdência. Precisamos aguardar ainda a divulgação do áudio ou vídeo. Muita turbulência econômica e revisão de novos investimentos, principalmente internacionais. Quebra, pelo menos provisória, da sequência da queda da taxa de juros

SindusCon: Sindicato da Construção

José Romeu Ferraz Neto, presidente da entidade – O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) manifesta profunda preocupação com o novo momento. É dever das instituições e das lideranças políticas responsáveis não permitir que o país retroceda no acertado rumo tomado pela política econômica. Conquistas como a redução da inflação, a legislação que limita os gastos públicos e o equacionamento das dívidas dos Estados premiam o correto esforço feito até o momento pelo reequilíbrio das contas públicas, fundamental para a recuperação da confiança dos investidores e do emprego.

Vitor Lippi: meu pior aniversário

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB) desabafou, durante o Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema 91,1 FM, dentro da coluna O Deda Questão, que está “vivendo um pesadelo real”, após as notícias de que o presidente Michel Temer (PMDB) teria “comprado o silêncio de Cunha” e seu colega de partido, Aécio Neves, pedido a quantia de R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS, que negociam delação premiada.

O deputado foi entrevistado coincidentemente em seu dia de aniversário, no qual completa 58 anos nesta quinta-feira (18). “É o aniversário mais triste da minha vida”, disse, por telefone: “Vivemos um pesadelo institucional, econômico, momento difícil para o Brasil e brasileiros. Estamos muito assustados neste momento. Estamos vivendo um pesadelo real”, desabafou ao vivo. “Não sabemos ainda as consequências, mas sabemos que não serão boas nem para os brasileiro e nem para a economia”, comentou.

O parlamentar relatou que esperava uma melhora na economia até o ano que vem, com a proposta de reformas sendo encaminhadas com aprovação na Câmara, como a trabalhista e previdenciária, das quais ele já se posicionou a favor. “Com uma grande luta que eu, inclusive, faço parte das organizações do país, das reformas que o país precisa, foram meses e meses de trabalho para o desenvolvimento do brasil e agora está tudo incerto. O ambiente não poderia ser pior”, criticou.

Já sobre as denúncias a respeito de Temer e Aécio, divulgadas nesta noite de quarta-feira (17), Lippi revelou que os deputados ficaram perplexos. “Nós nos reunimos, deputados federais, e o clima era de absoluta perplexidade. Estávamos atordoados”, disse. Em certo trecho da entrevista (ouça aos 3:04), chegou a comparar as denúncias como quem recebe a notícia da tragédia ocorrida com o avião do time Chapecoense. “Nos sentimos como quando caiu o avião de Chapecó. Você fica desnorteado. É como quando acontece em um momento em que acreditamos em um futuro melhor e agora acontece essa tragédia. Estou ainda sob efeito dessa comoção”, lamentou.

PT sorocabano

O presidente do PT e vereador em Sorocaba, Francisco França, comentou, durante o Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, 91, FM, que não “achou surpresa nenhuma” as denúncias a respeito do presidente Michel Temer (PMDB), que teria “comprado o silêncio de Cunha” e  Aécio Neves (PSDB) que, por sua vez, teria pedido a quantia de R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS, que negociam delação premiada.

 

“Não há surpresa nenhuma. Tanto o Temer quanto o Aécio já foram denunciados por vários delatores”, afirmou. “Agora a coisa é mais escandalosa. Foi com detalhes, filmado, com a participação da Polícia Federal”, comentou.

De acordo com o parlamentar, deve haver uma manifestação em Sorocaba no fim da tarde, porém o local e horário ainda não foram confirmados. A manifestação será por “diretas já!”, para pedir eleições diretas.