Deputada diz sentir-se traída por ex-prefeito ao vivo, mas episódios após entrevista mostram clima no ninho

MLAtrioTucanoA deputada estadual Maria Lúcia Amary na manhã de hoje (12/07), durante a coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91.1Mhz) declarou ter-se sentido traída ao não ser avisada que o ex-secretário de Saúde da gestão do ex-prefeito Pannunzio (PSDB), Francisco Antonio Fernandes, filiou-se ao PRP na presença do ex-prefeito o que denotou, na divulgação da informação, que Pannunzio estava dando anuência ao ato que sacramenta que Chicão, como é conhecido, será candidato a deputado estadual no ano que vem. Ela afirmou que a presença de Pannunzio tornou um constrangimento público a divisão que o PSDB vive internamente e, mais, se queixou no ar da falta de reuniões do partido para debater ações e afinar decisões.

Segundo a parlamentar, Pannunzio, que apoiou a filiação, não a avisou sobre o fato. “Eu fiquei ao lado dele [Pannunzio], sempre o defendi. Sempre fui leal e parceira. Extremamente leal partidariamente falando. Faltou esse diálogo. Não preciso procurá-lo para ele se explicar. Ele que tem que vir”, argumentou, ao vivo, durante o Jornal da Ipanema. A parlamentar frisou que o estranhamento é quanto ao comportamento de Pannunzio e não com o PRP em si. A filiação ao partido perrepista, supostamente, é para lançar Fernandes como candidato a deputado estadual.  “Me senti traída, enquanto PSDB, de um partido que ficou quatro anos conosco e depois saiu”, lamentou.

Segundo Maria Lúcia, houve convite a Fernandes para ser o candidato a prefeito de Sorocaba, nas eleições passadas, pelo PSDB, no qual nunca foi filiado. “Porque ele saiu do PSDB? não teve motivo nenhum. Quando foi candidato recusou. Foi para um partido que quando precisávamos não nos apoiou”, reclamou. Entretanto, por celular, o ex-secretário negou ter recebido tal convite.

A deputada defende que o PRP os apoiava durante o governo Pannunzio, entretanto, quando o PSDB pediu apoio durante as eleições 2016, o partido decidiu apoiar o então candidato Helio Godoy (PRB).

Ao sair do ar na rádio

Mas foram dois episódios que marcaram a entrevista da deputada.

O primeiro deles, logo após ela ter saído do ar, foi o encontro que teve em seu escritório político com os três vereadores do partido na Câmara de Sorocaba: Martinez, João Donizeti e JP Miranda. Trataram de política.

Mas é o segundo, me relatado em off e no qual me resguardo o direito de não revelar quem me contou, dá conta de que é a deputada estadual Maria Lúcia Amary e o deputado federal Vitor Lippi são os verdadeiros responsáveis pelo racha existente dentro do PSDB. É atribuído aos dois o fato do diretório não ter feito uma reunião desde a eleição. Agendada por pelo menos 5 vezes, a reunião era cancelada em cima da hora porque ou Lippi ou Maria Lúcia cancelavam. O último agendamento estava marcado para o dia 2 de julho e duas horas antes a deputada cancelou.

Perguntei o motivo dos dois estarem evitando a reunião e a pessoa foi clara: nem ele e nem ela querem se comprometer e deixar o partido do que jeito que está, ou seja, com cada liderança agindo do que jeito que deseja, sem unidade. A ida de Pannunzio à filiação de Chicão no PRP, me diz a pessoa, é uma bobagem que demonstra essa falta de diálogo, de cada um fazer o que quer. O processo de expulsão do vereador licenciado Anselmo Neto é outro exemplo, afinal como disse a própria deputada na entrevista de hoje, perdeu o momento e o sentido.

A minha fonte ainda me disse que o presidente do diretório municipal do partido, João Leandro, só não renunciou ao cargo porque está agendado para agosto a eleição que vai mudar a direção do diretório e faltando um mês não tem sentido deixar o cargo.

Enfim, como disse na minha postagem do começo da semana: está fervendo o ninho tucano e a entrevista da deputada serviu para aumentar o calor.