Deputado federal sorocabano vota a favor da reforma da previdência por entender que ela é necessária ao Brasil e beneficia os mais humildes. Mas pressão dos servidores públicos é grande sobre ele

LippiO deputado federal Vitor Lippi, o parlamentar que mais recebeu votos de sorocabanos na eleição na qual foi eleito, há três anos, onde apenas em Sorocaba foram mais de 120 mil votos, voltou a ser entrevistado na coluna O Deda Questão no Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) na manhã desta sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018. Uma vez por mês, Lippi aceita o convite para prestar contas e debater temas de interesse nacional que estão em foco na Câmara. O mesmo convite é feito ao deputado federal Jefferson Campos, morador de Sorocaba, que diferentemente de Vitor Lippi, que concentrou seus votos em Sorocaba, obteve votos em mais de 500 municípios paulistas. Porém, Jeferson faz opção de comparecer menos.

Pois bem, hoje Lippi reafirmou sua decisão de manter o voto na Reforma da Previdência. Ele explicou que o Brasil está à beira do precipício e sem reforma as pessoas que dependem da aposentadoria do INSS, as mais pobres, podem ficar sem nada em breve. Ele explicou que a reforma vai mexer pouco na vida de quem trabalha em regime de CLT (os que não são funcionários públicos) e vai mexer bastante na aposentadoria de quem é servidor público.

É justamente essa categoria quem mais grita contrariamente à reforma da Previdência.

Li ao deputado a manifestação de Cíntia Mesquita, funcionária da Prefeitura de Sorocaba da área da saúde, que trabalhou diretamente com Lippi na época em que ele foi secretário e depois prefeito. Ela chama a atenção para o fato da reforma ser a aplicação da lógica Liberal num Estado de Bem Estar Social, ou seja, a Constituição não é liberal, mas as reformas sim.

O que diz a servidora

Leia o que pensa a servidora: Oi Deda, sei do posicionamento do deputado Lippi, mas estou muito apreensiva com tudo isso, não somente porque me  dediquei à coisa publica e fiz dela minha carreira (passei no concurso, fiz especialização, mestrado, etc) e por que agora entrando na “grande área” (estou com 52 anos), mas porque não acredito na tese apresentada pelo governo.

Outra preocupação é ideológica e teórica.

Nosso modelo de Estado é de Bem Estar Social (que se contrapõe ao modelo Liberal) onde o cidadão paga uma carga tributaria alta e deveria ter os serviços do Estado (saúde, educação, previdência, etc) . É assim em muitos países da Europa. Nossa Constituição afirma isso; nosso modelo econômico, também. Ou seja, é diferente do Estado Liberal. Repito, o Estado no Brasil interfere muito na economia.

No modelo liberal (por exemplo, os EUA) um cidadão paga seu seguro de vida, a sua previdência, sua saúde; nesse modelo Liberal, o Estado proporciona empréstimos para o cidadão empreender e gerar sua renda para se sustentar. Não tem burocracia para se montar uma empresa. Lá o Estado promove o cidadão para autonomia oferecendo linhas de crédito com juros baixos e ai o cidadão decide se monta seu negócio próprio, se compra sua casa, compra seu carro e paga sua vida inteira. Lá deu certo… É o exemplo do sucesso Liberal.

As propostas de reformas (Trabalhista já aprovada) e Previdência que o Lippi está envolvido são Liberais dentro de um Estado interventor.  Essas reformas, portanto, nao combinam com a nossa pobreza; com juros altos; com linha de credito baixa; com falta de educação e cultura.

Eu vejo um cenário ruim para nós brasileiros e servidores públicos. Dentro de alguns poucos anos teremos pessoas de 55-60 anos desempregadas, pois não serão úteis em seus ofícios ao mercado de trabalho e após as reformas estarão completamente desassistidas pelo Estado.

Eu (torço) gostaria de  “quebrar a cara” e estar errada, mas e se eu estiver certa? Se esse meu raciocínio se concretizar?

O que diz o deputado

O deputado disse que concorda em partes com o raciocínio de Cíntia Mesquita, mas deixou clara sua convicção de que as reformas, na análise dele, ao invés de deixar os que mais necessitam desemparadas, ao contrário, vai garantir a ele direitos já conquistados e que hoje correm o risco de não virem a ser honrados pelo Estado. Ele citou os casos do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul onde os servidores ficaram sem 13º e recebendo salários atrasados.

Vitor Lippi ficou indignado, e chegou a se emocionar, ao responder ao ouvinte Ronaldo Pires, de Votorantim, que disse ao deputado para ele tirar a palavra humilde de seu vocabulário e que estaria atendendo aos interesses dos mais ricos. Lippi relembrou os seus atos na vida pública enfatizando o quanto se sente mais à vontade junto dos mais humildes e do que seus atos como político sempre tiveram a missão de melhorar a vida de quem mais precisa.