Deputado se espanta com minha opinião sobre sua participação na passeata de domingo passado e afirma que não vê oportunismo quando se defende aquilo que se acredita. Em sua argumentação deputado também diz que entre os motivos que o levaram para rua foi por não aceitar obras inacabadas do governo federal. Como assim Lippi? Quando prefeito você deixou inacabadas pelo menos 30 obras sendo que uma delas é uma escola construída sobre um terreno que solta gás metano e ainda hoje, três anos depois, está interditada

Escrevi a postagem “1) Sorocaba, sintonizada com o Brasil, faz história com a passeata de domingo. Mas que fique claro: 1) oportunistas, como o deputado federal sorocabano, mancham o espírito das manifestações; 2) o governo Dilma precisa ouvir as ruas e sentir que quem reclama não são os coxinhas, mas quem vê o poder de compra do seu salário se detorirar de um mês ao outro”.
Diante disso, Vitor Lippi me mandou a seguinte carta: Me espanta tal posicionamento do jornalista. Gostaria de deixar claro que fiquei muito feliz com a resposta popular das manifestações deste 15 de março, um dia que entrou para a história não apenas em Sorocaba como também em todo o país. Participei, acompanhado de minha esposa, mãe, filho, irMÁs e sobrinhos pois realmente acreditamos que estamos diante de uma das mais graves crises política, econômica e moral da história recente deste país.
Estive presente e estarei novamente, quantas vezes for necessário, se for para deixarmos uma mensagem de que não aceitamos ter uma inflação crescente, demissões crescentes, obras inacabadas, repasses insuficientes e tantos escândalos, tudo por conta da má gestão e do estelionato eleitoral promovido pela presidente Dilma.
O povo brasileiro, do qual sou parte, foi as ruas e se fez ouvido. Não há oportunismo quando se defende aquilo que se acredita: a democracia e a suprema vontade popular.
Deputado Vitor Lippi.
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Bom, na própria resposta do deputado está o argumento de minha opinião. Se trata, sim, de oportunismo um político se apropriar do que é manifestação do cidadão. Ter mandato é a diferença de um cidadão comum para um eleito. O eleito está lá para mudar. Ao cidadão comum, sim, só cabe ir às ruas. Ao caminhar no meio de tantos eleitores com a família, Lippi usurpa dos que ali protestavam a inocência da dúvida sobre quem é ele. E ai, quem se espanta sou eu com o teor da carta do deputado, em especial o trecho das obras inacabadas: Como assim Lippi? Quando prefeito você deixou inacabadas pelo menos 30 obras sendo que uma delas é uma escola construída sobre um terreno que solta gás metano e ainda hoje, três anos depois, está interditada. Você deixou inacabada (e sem os projetos que a prudência dizia) a Arena Multiuso que, por graça divina, desabou num domingo. Imagine se cai num dia de jogo? E a licitação do lixo que em seu governo levou mais de dois anos e no fim contratou uma empresa (Gomes Lourenço) que teve de ser expulsa do serviço público pela atual administração?
Lippi, entenda, você tem mandato e deve usa-lo para mudar o Brasil. Você não é um cidadão comum que só tem a arma do voto no dia da eleição ou do protesto nas ruas quando passa esse momento. Me espanta que você insista em ir para a rua.

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