Discutir o clima de Sorocaba é prioridade

Viralizou nas redes sociais, na semana passada, o alerta de uma onda de frio prometendo até neve no Estado de São Paulo, situação que acabou não acontecendo, embora as temperaturas tenham despencados e, ainda nestes dias, de madrugada, seja necessário usar cobertor para se aquecer.

Foram três dias de chuva também. Uma água que todo mundo disse ter sido abençoada, ainda mais pela estiagem de mais de 60 dias sobre Sorocaba.

Mas nada disso impediu que na tarde de ontem despencasse em Sorocaba a umidade do ar (quantidade de vapor de água presente na atmosfera, o que caracteriza se o ar é seco ou úmido) o que levou a Defesa Civil do Estado de São Paulo a enviar alerta de que em Sorocaba este índice havia ficado abaixo dos 20%, o que é um risco grande para a saúde humana.

Minha mãe, quando eu era criança, me demonstrava a sua habilidade de olhar para as nuvens e dizer quando iria chover.

Quando eu estava na 7ª série, na Escola Estadual Professor Genésio Machado, na rua Miguel Sutil, na Vila Santana, tive um professor de Geografia, o Nelsão, conhecido por ter um Fuscão Preto como o da famosa música, e ele nos ensinou o que é o Fuso Horário, Meridianos, Eixo, Hemisférios, Trópicos (como o de Capricórnio que passa bem em cima de Sorocaba, na África e Oceania).

Eu me lembro de um trabalho, pedido pelo professor Nelsão, de marcar diariamente as temperaturas mínimas e máximas de cada dia. Fiz disso um hábito. Lamento muito não ter guardado estas marcações.

Eu percebo que ao longo dos meus 53 anos, a questão do clima sempre foi algo importante para mim. Num dos grupos de whattsapp que participo, há quem me tenha como referência quando o assunto é o clima.

Eu, estou certo, os dias de hoje, no século 21, estão bem diferentes dos dias dos anos 70, 80 e 90 do século 20. Praticamente hoje temos dias secos, abafados e quentes se alternando com dias muito secos, muito abafados e muito quentes, ou seja, bem diferente de 30, 40, 50 anos atrás quando as quatro estações eram bem definidas em Sorocaba. Há, portanto, uma mudança climática.

Eu sei que há uma prevalência dos negacionistas, como os governantes de extrema direita, incluindo o do Brasil e dos Estados Unidos, sobre mudança climática. Para eles, não acontece nada. Essa coisa de tempo seco e umidade do ar em alarmantes 20% são invenções dos políticos de esquerda. E sempre foi assim. Não foi.

Infelizmente não é assim. Há, evidentemente, uma nova situação e é preciso falar dela. As novas gerações não consideram a discussão sobre o clima uma prioridade. Sorocaba, na última década, não falou deste assunto. Mas não é possível mais fugir deste assunto. Junto do clima ruim estão as doenças respiratórias que lotam as unidades de saúde e fazem crianças e suas mães sofrerem e tiram a qualidade de vida de adultos e idosos.

FOTO: A imagem que ilustra está postagem foi feita por mim na quarta-feira, dia 26 de agosto, às 17h44, de dentro do meu carro no semáforo da rua Isaltino Guanabara Rodrigues Costa, altura do nº 1600, atrás do Aeroporto de Sorocaba. Nela se vê o Sol se pondo atrás do Morro de Ipanema. A imagem dá o tom da secura do tempo e da baixa umidade do ar naquele momento.

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