Eleição de 2022 é a escolha pela democracia

Tenho sido perguntado, nos últimos dias, sobre o que penso da provável chapa Lula/Alckmin na eleição presidencial de 2022.

Ao amigo Agliberto Chagas que convidado pelo então prefeito Pannunzio veio a Sorocaba para presidir o Parque Tecnológico, e que deixou o PSDB para assumir o partido Novo de São José dos Campos, sua cidade natal, e ser militante dessa linha ideológica que ainda tenta encontrar eco na sociedade, eu disse que a eleição do ano que vem se resume exclusivamente a escolher quem vai garantir a democracia.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido), que dividiram a mesma mesa durante jantar organizado pelo Grupo Prerrogativas em São Paulo no último domingo (19.dez.2021), são defensores da democracia em que pese os problemas apontados para cada um deles.

Ser a favor da democracia, portanto, é mais importante do que antigas rivalidades políticas.

Fico assustado em ver pessoas esclarecidas ainda verem em Bolsonaro uma possibilidade política. Não é. Bolsonaro, em seu despreparo pessoal, intelectual, emocional e técnico, perdeu a rara oportunidade de fazer a diferença ocupando um cargo tão importante como é o de ser presidente do Brasil. Apenas na mão forte, na mão grande, ou seja, contra a democracia, Bolsonaro vislumbra fazer algo. Não dá.

Ciro, Dória, Moro ainda não conseguiram costurar nos bastidores a possibilidade de serem o antagônico de Lula. Sim, pelos indicativos das pesquisas, Lula (se confirmar Alckmin como vice) é figura garantida no 2º turno da eleição presidencial. Bolsonaro é a possibilidade de vir a ser seu antagonista, mas corre o risco de ficar fora. Aí está a chance de Ciro, Dória e Moro.

A situação de hoje é:

  • Lula quer enfrentar Bolsonaro, pois sabe que terá boa chance de vencer com os votos dos não-bolsonaristas. Lula não quer Ciro, Dória ou Moro. Será uma eleição de risco com qualquer um dos três.
  • Ciro, Dória e Moro querem ir para o 2º turno. Eles sabem que são os únicos com chance de derrotar Lula.
  • Bolsonaro se converteu ao centrão. Parou há meses com o radicalismo antidemocrático, vai dar o que estiver ao seu alcance a nichos de seu eleitorado (vejam o reajuste salarial apenas aos militares); aos dependentes do Bolsa Família (Auxílio Brasil); aos radicais dos costumes. Mas, meu sentimento, é que faça ele o que fizer, já está marcado pelo desastroso governo antivacina, pelo aumento dos preços no supermercado, pela gasolina cara como nunca foi… No Brasil, se a economia vai bem, o governo é bem avaliado e o contrário também é verdadeiro. Na bacia das almas, ainda acho que Bolsonaro tem chance de ir ao 2º turno.

Portanto, o que acho da provável união Lula/Alckmin? Para salvar a democracia, excelente. Do ponto de vista eleitoral, absolutamente inteligente tanto para Lula que demonstra em gesto que não será nenhum radical, mas um presidente mais ao centro, quanto para Alckmin que foi vergonhosamente desprezado pelo seu afilhado Dória, a quem faltou empatia para com seu padrinho. A radicalidade de Dória em aniquilar Alckmin é o veneno que está matando qualquer chance sua de chegar ao 2º turno. Assim como Bolsonaro, Dória larga aliados no meio do caminho. E isso tem e sempre terá grave consequência.

 

Por fim, ao contrário do meu amigo Agliberto, que pediu voto para Alckmin no passado e diz não ter maturidade para este vale-tudo na política, eu digo que vale-tudo é o que fez e faz Bolsonaro contra a democracia. É contra isso que as pessoas de bom-senso e que gostam do Brasil precisam lutar. Fora Bolsonaro! Fora apoiador da não-democracia.

Foto: Reprodução do portal Poder 360.

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