Em 122 anos, mudou apenas a semântica!

A Prefeitura de Sorocaba informa que intensificou, ainda mais, suas ações por todas as regiões da cidade em abordagens sociais a pessoas em situação de rua em razão da queda brusca de temperatura na noite de quarta-feira (28), situação que deve perdurar ao menos até o começo da próxima semana.

Somente na quarta-feira, através programa “HumanizAção Inverno”, da secretaria de Cidadania, houve um total de 78 abordagens sociais, sendo que 37 aceitaram o convite para acolhimento no SOS (Serviço de Obras Sociais).

Os números são significativos. Segundo dados da Prefeitura, somente no último mês de junho, desde que teve início a temporada mais fria do ano, 280 pessoas foram encaminhadas para acolhimento social no SOS, 899 foram atendidas no Centro de Triagem, que é um equipamento da própria Prefeitura, e 114 receberam auxílio para retornar à família.

Ao longo do primeiro semestre de 2021, de janeiro a junho, as equipes do programa abordaram e encaminharam 1.849 pessoas em situação de rua para atendimento social no SOS e, nesse mesmo período, 2.697 pessoas passaram pelo Centro de Triagem da Prefeitura, e outras 505 pessoas puderam retornar às suas famílias, em Sorocaba ou em outras cidades.

A soma de todos estes atendimentos supera as 5 mil pessoas em situação de rua em Sorocaba, um número gigantesco se comparado, por exemplo, a toda população de Sarapuí, cidade da Região Metropolitana de Sorocaba, que sozinha tem pouco menos de 9 mil habitantes.

Os atendidos recebem refeição completa, o banho quente de chuveiro, as roupas limpas e os cobertores para dormir em uma cama confortável. “O intuito principal do programa HumanizAção Inverno é proporcionar novas oportunidades de vida para essas pessoas, oferecendo suporte na busca por trabalho e ainda no retorno à família de origem, sempre que isso é possível e desejado”, explica o prefeito Rodrigo Manga.

O que acontece?

Mas ele, ou qualquer outro prefeito que já tenha passado ou ainda virá a ser eleito e passar no comando da Prefeitura de Sorocaba, não vai conseguir resolver o problema. Pode até, em caso de sucesso, reconectar essas pessoas com a sociedade, com o mundo real, com suas famílias. Mas virão outros. E por quê?

Publico imagem de notícia veiculada no jornal Diário Popular de São Paulo no dia 5 de maio de 1899. Portanto, 122 anos atrás. Ali o redator fala do quanto é vergonhoso pessoas morarem na praça condenando-os como de vagabundo.

Hoje em dia, embora muitos ainda chamem de vagabundo quem está na rua, já se sabe que são pessoas com alguma perturbação mental, desconectadas da realidade, que se sentem fracassadas e sem coragem de reencontrar a família.

Essa percepção, por si, é uma evolução. Mas segue sendo vergonhoso para uma sociedade não encontrar caminhos para evitar que a rua seja a única moradia dessas pessoas. Não basta um avanço da semântica, é preciso um verdadeiro amparo emocional para que este ciclo centenário seja interrompido.

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