Em cada traço que rabisco no papel… Vou desenhando o meu destino

Em que pese Jorge Marum, uma das figuras públicas que atua Sorocaba mais ferrenhas defensoras do bolsonarismo (promotor público do Ministério Público paulista, atuante em Sorocaba e também professor da Faculdade de Direito de Sorocaba), ter usado sua página pessoal no Facebook para informar que “a manifestação de 15/03 é para que o presidente possa exercer o mandato legitimamente conquistado nas urnas” – o que deve ser sua visão sobre o movimento agendado para o dia de 15 de março – o fato é que até o compartilhamento da mensagem pelo presidente Jair Bolsonaro (ele não gravou, pelo que eu tenha visto, nenhuma convocação, mas endossou, passou à frente, compartilhou da convocação, ou seja, concorda com ela) essa era tão somente mais um capítulo na guerra política na qual o Brasil está chafurdando desde 2013.

Mas essa convocação muda completamente de tom (e obviamente o presidente Jair sabia disso) quando ela é feita/compartilhada pelo presidente da República. E para quem não percebe a gravidade disso, especialmente à democracia, reproduzo aqui as palavras do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, que assinou a seguinte nota, hoje, sobre a convocação pelo presidente Bolsonaro de manifestações contra o Congresso e o STF: “Essa gravíssima conclamação, se realmente confirmada, revela a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!! O presidente da República, qualquer que ele seja, embora possa muito, não pode tudo, pois lhe é vedado, sob pena de incidir em crime de responsabilidade, transgredir a supremacia político-jurídica da constituição e das leis da República!”.

Marum (que é uma pessoa letrada, diferentemente de outros bolsonaristas), e todos que compartilham a convocatória para o protesto do dia 15, têm todo o direito de discordar, achincalhar, desmerecer, ser contrário aos congressistas e aos ministros do STF. Faz parte da democracia. Já um presidente, não pode, como bem frisou Celso de Melo: “…embora possa muito, não pode tudo, pois lhe é vedado, sob pena de incidir em crime de responsabilidade, transgredir a supremacia político-jurídica da constituição e das leis da República”.

Os defensores da marcha do dia 15 podem achar que estão combatendo a corrupção, mas não podem alegar ignorância de que o presidente Jair usa esse movimento com o objetivo de proteger Flávio, um dos seus quatro filhos, do envolvimento com milicianos, desvios de dinheiro público, abuso de poder – crimes aos quais ele vem sendo investigado.

Quando o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, abre dissidência contra seu antigo colega do Palácio do Planalto no governo Bolsonaro, o atual chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, ao classificar como “irresponsabilidade” chamar as pessoas às ruas para protestar contra o Congresso, se percebe que nem mesmo no Exército – um dos símbolos da soberania nacional – há uma mesma compreensão deste momento pelo qual passa o Brasil.

Repito, sou totalmente contrário a qualquer regime de exceção e tenho frisado isso, com veemência, desde 2013, pois não é de hoje que está em curso um desejo profundo de mudança por vias que escapam à da democracia.

Se para o projeto de Brasil que os bolsonaristas desejam não basta ter ganhado a presidência da República que elejam, então, os congressistas necessários. Mas que cumpram a regra do jogo. Respeitem os que pensam de modo diferente. E não são poucos. Basta ver o resultado do carnaval paulistano. A escola “Águia de Ouro” venceu com um dos enredos mais politizados do Brasil enaltecendo “O Poder do Saber”.

A escola “Águia de Ouro” cantou uma das frases mais famosas do educador (“não se pode falar de educação sem amor”) e ainda cantou um “viva Paulo Freire”, numa alusão direta ao bolsonarismo, que decidiu “extirpar” Paulo Freire da história do Brasil que embora seja reconhecido mundialmente como uma das mais relevantes referências na educação contemporânea, vem sendo alvo de constante ataques da gestão de Bolsonaro e da extrema-direita, com inúmeras calúnias e ofensas contra sua obra.

Confira o samba da campeã, com “O poder do saber: Se saber é poder, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”:

Águia em suas asas vou voar

E no caminho da sabedoria

Páginas da história desvendar!

Sou eu… No elo perdido um desbravador!

O tempo é o meu senhor

Em busca da evolução…

Criar e superar limites da imaginação

A mente dominar

Jamais deixar de Acreditar!

Brincar de Deus…Recriar a vida

Desafiar, Surpreender!

Na explosão a dor, uma lição ficou

Sou aprendiz do criador!

Em cada traço que rabisco no papel

Vou desenhando o meu destino

No horizonte vejo um novo alvorecer

Ao mestre meu respeito e carinho

É nova era, o futuro começou

É tempo de paz, resgatar o valor!

Águia…Razão do meu viver

Berço que Deus abençoou

Nada se compara a esse amor

Meu Coração é Comunidade

Faz o sonho acontecer!

Pompéia guerreira, chegou sua hora

Seu manto reluz o poder do saber

É preciso saber viver.

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