Enquanto espero a vacina

Eu voltei para minhas aulas de hidroginástica e fiquei feliz com a divisão do espaço de cada aluno dentro da piscina, feito com bóias, o que garante que um aluno não se aproxime do outro. Eu também voltei à natação e, no horário que tenho ido, uma raia que já cheguei a dividir com outros cinco nadadores agora está reservada somente para mim.

Cheguei na loja onde há 15 anos faço o seguro do carro e a corretora, de longe, já me chamou pelo nome do modo peculiar que ela faz, prolongando o Deeeeeedaa. Quando chegou perto, ela me abraçou. Arregalei os olhos e não escondi o susto do seu ato. Ela percebeu meu desconforto e fez um ahhh e disse para eu parar de bobagem.

Domingo pela manhã, num dos grupos de whattsapp que faço parte, um amigo postou momentos de nossa turma que, antes do isolamento, se reunia toda sexta-feira para o almoço. Me espantou ver que em tão pouco tempo, em torno de 150 dias, mudamos de hábito. As fotos mostravam pessoas da turma não apenas uma ao lado da outra como também abraçadas.

Estive no centro de Sorocaba, e no cruzamento da rua da Penha com Padre Luiz, esperando o semáforo ficar verde para pedestre percebi que estava ficando sufocado porque outras pessoas também pararam ao meu lado esperando pelo verde.

Na banca de pastel, um senhor com a máscara no queixo (é perceptível que os idosos não usam a máscara corretamente) levou jaboticaba do pé do seu quintal para a pasteleira e ele quis me explicar como ele cultiva a fruta. A cada passo que ele dava em minha direção eu dava outro para fugir dele. Ele queria estar perto e uma paranoia tomou conta de mim e me afastei dele.

A prefeita de Sorocaba, Jaqueline Coutinho, e o seu namorado, o vereador Hudson Pessini, acompanhados de outros familiares e amigos, foram no final de semana à estância turística de Campos de Jordão, fizeram uma foto familiar e a postaram em redes sociais. Todos sem máscara. Por serem pessoas públicas, a falta de máscara foi interpretada como mau exemplo e provocou reações de críticas à prefeita. Lembrando que a legislação vigente no Estado de São Paulo multa o cidadão comum em mais de R$ 500 de multa se ele estiver em local público sem máscara e o estabelecimento comercial é multado em mais de R$ 5 mil por cliente sem máscara.

Leio relatos de bares lotados neste final de semana em Sorocaba nos bairros Central Parque, Campolim, Vila Helena, Vila Santana. Em todos, faltou o distanciamento das mesas, das pessoas e do uso de máscara.

Há um clima de que a pandemia passou. Ou pelo menos de que o pior já passou. Eu sigo chocado com o número crescente de mortos (mais de 115 mil no Brasil), mas isso não tem me impedido de levar a vida normalmente e para isto tenho abusado do álcool em gel, da máscara e de uma boa distância das outras pessoas. Espero que isso seja suficiente até que exista uma vacina confiável, eficiente e eficaz para proteger cada um de nós.

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