Entenda a saída do secretário de Gabinete Central e o real papel de Taís Romão nessa decisão

Há muito mais a ser entendido no pedido de exoneração do empresário Francisco Pagliato Neto, o Kiko, apenas um dia depois de ter sido nomeado ao cargo de secretário de Gabinete Central da Prefeitura de Sorocaba, pela prefeita Jaqueline Coutinho.

Ao contrário da primeira informação, de que houve um atrito entre Kiko e Jaqueline, na verdade houve sim solidariedade de Kiko para com Taís Romão.

A história do pedido de exoneração de Kiko começa em 2017 quando Jaqueline se tornou prefeita na primeira cassação de Crespo. Lá ela ganhou visibilidade, mas não o que nos bastidores é chamado de musculatura política, ou seja, relacionamento.

Kiko Pagliato, que naquele momento chegou ao governo a partir do convite do vereador Eng. Martinez, virou o secretário mais próximo de Jaqueline e em apenas 43 daquele governo (período que levou para Crespo reaver seu mandato na justiça) se mostrou um capaz articulador político e de políticas públicas.

E, sempre, Kiko fez questão de deixar claro que muito do seu sucesso no cargo de secretário se deu ao assessoramento que ele teve de Thaís Romão. Bacharel em Direito com pós-graduação na Universidade de São Paulo, ela teve papel central no mandato de vereador de Hélio Godoy. Depois ganhou expertise na organização de grupos para campanha política, chegando a trabalhar em campanha de Renato Amary. Em 2018, ela coordenou a campanha de Jaqueline Coutinho para deputada estadual, onde ela teve a surpreendente marca de quase 30 mil votos.

Desde então, Thaís passou a fazer parte do círculo de amizade da prefeita Jaqueline e esteve do lado dela na sessão de votação da Câmara que quase lhe custou o mandato.

Quando Crespo foi cassado, na madrugada do dia 3 de agosto, sexta-feira, Thaís se manteve longe, mas na terça-feira seguinte, dia 7 de agosto, recebeu uma ligação de Jaqueline, já como prefeita, convidando-a para ser secretária. Elas almoçaram juntas na Padaria Real e nesse dia a prefeita foi de carona no carro de Thaís até a Prefeitura.

Depois dessa conversa, elas não se falaram mais até que na última segunda-feira Jaqueline telefonou a Thaís. No dia seguinte, ou seja, dia 20, pela manhã, Jaqueline Coutinho telefonou a Thaís Romão do celular do então já secretário, desde o dia anterior, Kiko Pagliato, e tinha em sua presença também Fábio Martins que viria a se tornar secretário na noite de quarta-feira, e de Roberta Guimarães Pereira, secretária dos Assuntos Jurídicos e Patrimoniais desde o primeiro dia do atual mandato de Jaqueline.

Nesse telefonema Jaqueline voltou a convidar Thaís Romão para ser secretária e lhe deu duas opções: Habitação ou Recursos Humanos. Thaís, embora seja do ramo imobiliário e tenha trabalhado com a Lei de Regularização Fundiária, entendeu que a pasta de Recursos Humanos lhe traria mais desafios. Jaqueline, então, lhe pediu que estivesse às 14h de quarta-feira, dia 21, na Prefeitura.

Assim Thaís fez. Chegou às 14h e foi ao quarto andar na sala de Kiko Pagliato. E quando se preparava para subir na sala da prefeita, Thaís recebeu mensagem de Whatsapp de Jaqueline dizendo que ela não poderia mais ser secretária e a convidava para ser a coordenadora da Procuradoria Econômica da Prefeitura.

Neste momento Thaís ficou chateada. E pensou: eu não pedi para ser secretária, eu não pedi nenhum cargo. Foi a prefeita que me convidou e eu avisei amigos, entre eles os vereadores Martinez e Renan dos Santos, que aprovaram a indicação. Ela e Kiko já tinham feitos planos de trabalho e, de repente, por mensagem, a prefeita lhe desconvida. Thaís não gostou dessa postura.

Então Kiko Pagliato entendeu que ao contrário de 2017, neste 2019 o clima é outro. Para a prefeita ter mudado de idéia sobre a nomeação de Thaís como secretária alguma pressão ela deve ter recebido, afinal foram semanas de conversas telefônicas e almoço até que tudo estivesse acertado. E, assim, Kiko decidiu falar com Jaqueline, expondo a ela sua insatisfação com essa atitude.

Ou seja, ao contrário da versão a mim vendida e aqui publicada, Kiko assinou a portaria de exoneração de Osmar Thibes Júnior a pedido de Jaqueline Coutinho e não por vontade dele. E, nunca, teria feito a portaria de nomeação de Thaís Romão se a prefeita não tivesse pedido.

Sem concordar com essa exposição pública de Thaís Romão, que teve a opção de escolher qual secretaria iria e depois lhe foi tirado o convite por uma mera mensagem de whatsapp, Kiko pediu exoneração. E foi claro, foi um pedido de total independência da vontade ou não de Jaqueline: “Meu pedido é irrevogável e irretratável. Não depende da aceitação dela”, me disse Kiko.

Assim, quando Kiko me disse “não posso perder minha coerência”, ele estava dizendo: não se larga pelo caminho quem lhe deu a mão nos primeiros passos. Ou seja, se Thaís coordenou sua vitoriosa campanha a deputada estadual e foi convidada – ou seja nunca pediu cargo e muito menos de secretária – caberia a Jaqueline honrar sua palavra. Assim como Kiko honrava a sua ao pedir exoneração uma vez que ele só aceitou ser secretário com a certeza de que Thaís também seria.

FOTO: de arquivo pessoal, mostra momento de confraternização de Jaqueline Coutinho e seu namorado, o vereador Hudson Pessini, COM Kiko Pagliato e A sua amiga Thaís Romão.

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