Estado pela análise do liberal

Uma ação conjunta entre as secretarias de Planejamento e Projetos (Seplan), Conservação, Serviços e Obras (Serpo), Meio Ambiente, Praças e Jardins (Sema), Urbes Trânsito e Transportes e Guarda Civil Municipal (GCM), além da CPFL, impediu a construção irregular de duas residências em uma área de preservação permanente, localizada na avenida Américo de Carvalho, às margens na córrego da Água Vermelha.

De acordo com a secretária de Planejamento e Projetos, Mirian Zacareli, a área que está em processo de usucapião, foi desmatada e, na semana passada, o proprietário foi notificado e intimado a plantar 187 mudas de árvores no local. Porém, ao contrário, foi identificado que havia a construção de duas residências naquela área de preservação. A Polícia Militar Ambiental esteve nesta operação e autuou o proprietário. As casas, que ainda não contavam com moradores, foram demolidas. Quanto a energia a CPFL removeu 2 relógios irregulares que estavam dando interferências nos usuários da outra quadra da rua.

Visão liberal

O texto acima, divulgado pela assessoria do prefeito Crespo, indica o sentido de vitória do governo municipal nessa ação irregular de iniciativa de pessoas desconhecidas da sociedade.

Porém, entre o início das obras, pela manhã, e a derrubada delas, no final da tarde do dia 30 de dezembro, houve uma verdadeira guerra de nervos entre representantes do poder público (Estado) e da iniciativa privada (Empreendedores).

Em troca de mensagens, no começo da tarde daquele dia de final de ano, quando as obras irregulares ainda estavam em pé, uma pessoa comunicou que já estava sendo providenciada a derrubada e a outra expressa sua desconfiança: “Mas o retorno que recebi é outro. Tem que pressionar mais os órgãos públicos, só assim eles agem. Se fosse uma obra de qualquer um de nós, eles cairiam em cima na hora. Tem até máquina trabalhando lá agora. Até o fim de janeiro a quadrilha já implantou e vendeu mais uma favela”.

Ou seja, para essa visão Liberal dos empreendedores, o Estado é lento para agir contra os invasores fora-da-lei e ágil para taxar e pedir compensações a quem empreende dentro das regras. Mais, são bandidos que invadem áreas, criam favelas e vendem (lucrando) para pseudos-ignorantes que não se informam sobre a regularidade daquilo que estão comprando.

Ainda por essa visão liberal, caberia aos invasores da referida área ter sido identificado e denunciado para que responda pelo crime que cometeu ou tentou cometer.

Visão social

É absolutamente compreensível essa visão Liberal, mas tirando a suposição de que todo invasor é bandido, é preciso uma resposta exata à pergunta: quem é o invasor? Estimativa oficial dá conta que faltam 7,5 milhões de moradias no país. Por que tanta gente sem ter onde morar? É papel do Estado ajudar essas pessoas a terem um teto? Se sim, por que não resolve?

Fosse num país desenvolvido, a visão Liberal era plenamente justificável. Mas num país absolutamente desigual é preciso que o Estado aja e rápido, pois essa lentidão apenas aumenta o fosso que separa um brasileiro de outro.

Em tempo

Que fique claro que não sou a favor de invasão ou invasores, mas também não sou de um governo (ou Estado) que cruza os braços e não resolve esse problema básico que é o de qualquer pessoa ter onde morar.

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