Ex-prefeito não esconde mágoa com atual prefeito e o chama de leviano

Pannunzio

Pannunzio (à direita), Kiko Pagliato (ao centro) e eu durante o programa na manhã de hoje

O representante do governo do Estado de São Paulo em Brasília, o ex-prefeito Pannunzio, foi o entrevistado de hoje da coluna O Deda Questão do Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz). Quando o convidei, a intenção era que ele falasse do trabalho que faz há pouco mais de dois meses e sobre o papel do PSDB no imbróglio do governo Temer. E ele falou sobre os dois temas, foi didático sobre o papel político que significa o seu cargo novo e defendeu sua opinião de que o PSDB não deve desembarcar do governo Temer pelo que está ai, mas diante do agravamento da crise pode mudar. Ele deixou claro que é um dia atrás do outro que será tomada a decisão sobre ficar ou sair do governo Temer e tendo sempre no horizonte a aprovação das reformas Trabalhista, Previdenciária (as que estão na pauta dos jornais), mas também a Tributária.

Mas o que me surpreendeu foi Pannunzio, geralmente muito pragmático, ter subido o tom de sua resposta quando lhe perguntei sobre o prefeito Crespo. Já era o final da entrevista, e quis saber se ele queria fazer uma avaliação do governo Crespo ou entendia que não era o caso. E ele começou sua resposta com uma interpelação: como não? Sou um cidadão comum, tenho minha opinião. E desenvolveu o seu raciocínio: “o atual prefeito queria tanto assumir o cargo como se vislumbrasse chegar num castelo de fadas e não exergando a crise do Brasil que afetava muito, e ainda afeta, Sorocaba. Ele nem parecia ser vereador em Sorocaba por ignorar a gravidade da situação e certamente ignorou todos os alertas que fiz sobre a gravidade das contas e seguiu o caminho mais fácil que foi o de jogar a frustração para o governo anterior, no caso o meu, achando um inimigo para unir as pessoas em torno dele. Um mundo de fantasia, portanto. O que para mim é uma leviandade”.

Crespo iniciou-se na vida pública como secretário de Pannunzio em 1989, foi seu parceiro durante décadas, mas acabaram se distanciando. Nos quatro anos do prefeito Pannunzio, das 24 CPIs abertas para investigar o governo, Crespo esteve envolvida em todas. Após repetidas vezes Crespo chamar Pannunzio de “rainha da Inglaterra”, recebeu como resposta de Pannunzio que ele, Crespo, era um “parlapatão”.