Fiel das missas do padre Flávio, colega de teatro na juventude, desaprova político em igreja

Mário Mascarenhas é assíduo frequentador das missas do Padre Flávio no Santuário São Judas Tadeu, no Central Parque, em Sorocaba. Dias atrás, após a missa, com autorização do padre, o vereador Rodrigo Manga, presidente da Câmara Municipal, e pré-candidato a deputado nas próximas eleições, subiu em local de destaque na igreja para fazer sua pregação. Mário, que é ouvinte assíduo da coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91.1Mhz), gravou um áudio desaprovando essa atitude de misturar igreja, fé e política. Ele chamou de hipocrisia o fato do padre dar espaço a um missionário de igreja evangélica e disse estar pedindo a Deus para que a fama do padre Flávio, devido ao sucesso de sua gestão a frente da Santa Casa, não suba à sua cabeça e, ainda, disse que quando jovens, na Escola Getúlio Vargas, ambos fizeram teatro juntos e o padre, que naquela época nem imaginava que seria padre, já era estrelinha.

Coloquei o áudio no ar hoje pela manhã e assim que acabou já estava na linha para se manifestar o padre Flávio. Ele disse que estava se barbeando quando ouviu o Marinho falando dele. Perguntei se com o susto ele havia se cortado com a gilete e ele riu. Todos rimos.

Padre Flávio foi claro em seu recado, mantendo o equilíbrio da voz, afirmando alguns pontos: 1) Manga não está em campanha e não esteve lá com candidato, pré-candidato ou sequer vereador, mas para dar seu testemunho de fé de alguém que na juventude teve problemas com drogas e se recuperou; 2) haviam 3 mil pessoas na missa, chamada de Cura e Libertação, que é uma das que mais atraem pessoas no Santuário de São Judas; 3) eu sou aberto a receber os espíritas, budistas e porque não os evangélicos?; 4) como ensina o Papa Francisco, estou aberto aos mais diversos segmentos da sociedade (neste ponto, obviamente sem se comparar a ela, lembrou de Madre Tereza de Calcutá que aceitou dinheiro do narcotráfico para ajudar os necessitados); 5) são muitas famílias sofrendo com a droga, as cidades estão um caos, as famílias não têm onde recorrer e o Manga foi falar do trabalho que ele faz e por isso se formou uma fila enorme após a celebração, para se cadastrarem e levarem os problemas familiares e esperar pela ajuda; 6) Manga não foi pedir votos e nem fazer campanha e nem falou de política, falou de ajudar o necessitado; 7) quanto a virar estrelinha ou subir na cabeça, como falou o ouvinte, que conheço há 35 anos, é meu amigo, vai nas minhas missas, digo que isso é impossível no momento pois na Santa Casa mato 3 leões por dia, são problemas atrás de problemas, a saúde é uma área extremamente complexa devido as leis, custos e poucos recursos diante do que seria necessário; 8) minha preocupação é salvar vidas e não me importa quem ajuda, se é político da esquerda, da direita, do centro (citou Iara Bernardi. Raul Marcelo, Vitor Lippi, Maria Lúcia…) são muitas famílias desesperadas que não tem onde correr; 9) por fim, o padre Flávio falou que o sorocabano ainda está com a cabeça no século 19 e que estamos no século 21, ou seja, não é possível que ainda exista espaço para pensamento retrógrado que não admite um missionário evangélico numa missa católica.

Foram centenas de manifestações de ouvintes. Algumas contrárias ao padre e a maioria absoluta a favor. Manga também se manifestou e agradeceu por tudo.