Foto do palanque da inauguração de rodovia que liga Sorocaba a Salto de Pirapora expõe a total falta de sintonia entre as principais lideranças tucanas locais e o comando da legenda no Estado. Parecia mais um velório do que uma festa

inaugurasp264Mesmo com o cano dado pelo governador Geraldo Alckmin, que cancelou sua presença no evento (leia abaixo), as obras de duplicação e melhorias da rodovia João Leme dos Santos (SP-264), que liga Sorocaba e Salto de Pirapora, foram oficialmente entregues hoje (16/11) após seis adiamentos e com 1 ano e 9 meses de atraso em relação a fevereiro de 2015, data dada pelo próprio governador para inauguração a duplicação.

O governo do Estado de São Paulo foi representado pelo secretário da Casa Civil, Samuel Moreira (PSDB), que destacou as melhorias que as cidades de Sorocaba, Votorantim e Salto de Pirapora terão com a entrega da obra.

Na solenidade, o prefeito Pannunzio (PSDB), como presidente da Região Metropolitana, falou em nome dos dirigentes regionais e destacou o trabalho do governo estadual mesmo diante das dificuldades enfrentadas com a antiga empresa responsável pela obra, que causou o atraso na entrega da duplicação.

Narrado dessa forma, a inauguração parece ter cumprido o protocolo de um momento como esse, de sentido de festa, de conquista de uma melhoria. As palavras dos representantes locais e do governo dão essa sensação. A animação do deputado Vitor Lippi fora e diante do microfone enfatizou ainda mais a busca por transmitir essa mensagem.

Mas a foto publicada neste blog, de autoria do repórter Érick Rodrigues do Jornal e Rádio Ipanema, fala o que as palavras não disseram nos microfones do palanque ou nos da imprensa presente no evento.

Reparem nos braços para trás da primeira pessoa na foto, o secretário estadual de Logística e Transportes, Alberto José Macedo Filho, e a tensão contida em sua boca e olhos; fique atento também no lugar onde estão as mãos do prefeito Pannunzio e a posição do seu corpo um tanto virado para a esquerda, mas olhem também para a expressão do seu rosto, tensa, de poucos amigos; na sequência reparem na posição de Samuel Moreira, o homem de confiança do governador que o representou no evento: braços cruzados e corpo um tanto virado para a direita numa clara oposição ao corpo do prefeito, e fique atento ao olhar perdido e tenso dele. Por fim, as mãos cruzadas da deputada estadual Maria Lúcia Amary na frente do corpo e um sorriso de evidente constrangimento. Há um livro chamado O Corpo Fala, mais ligado a psicologia, que explica essa linguagem não-verbal. Mas há também estudos fundamentais ligados ao campo da Semiótica que ajudam a entender o que o corpo comunica dentro do contexto onde ele se apresenta. E essa foto é emblemática para definir essa divisão, e evidente falta de sintonia, entre as lideranças locais e estaduais.

O importante nessa observação da linguagem não-verbal é o quanto ela escancara uma mensagem absolutamente antagônica em relação a linguagem verbal (o que as autoridades disseram). A comunicação é um processo completo e coerente quando se interpreta essas duas expressões humanas, onde se transmite um sentido verbal diferente da mensagem corporal. As duas formas contribuem para o fortalecimento da mensagem que, como evidente, é a falta de sintonia entre as lideranças locais e estaduais.

Ausência do governador

Em postagem anterior, quando anunciei com exclusividade que a SP-264 seria inaugurada hoje, usei foto do dia em que o governador veio para cá para anunciar a obra, dois anos atrás. Momento de festa. Um palanque que celebrava as conquistas e a união.

Na foto de hoje, tirando o que o corpo de cada um do palanque falou, a outra grande diferença é a ausência do governador. A assessoria da deputada estadual Maria Lúcia Amary me disse que na noite de terça-feira, feriado, o governador ligou ele próprio para a deputada e explicou que teve um problema de saúde e não poderia estar presente hoje. A assessoria do governador às 8h de hoje confirmou que ele estaria presente e às 8h08 se manifestou dizendo que ele não poderia vir. Não explicou o motivo. Outra fonte de informação, que preferiu o anonimato, disse que o problema é que o governador estava cuidando da esposa abalada com o assalto sofrido pelo irmão dela, um empresário de 75 anos, em sua própria casa localizada a mil metros do Palácio dos Bandeirantes. Enfim, problemas pessoais. Todo cidadão está sujeito a esse tipo de problema.

Mas, no contexto atual da política regional, ficou evidente que as decisões tomadas pelos tucanos locais que levaram à perda da prefeitura de Sorocaba depois de comandá-la por 20 anos, ainda não foram engolidas pelo comando estadual da legenda. Da mesma forma, a decisão do governador de gravar mensagem ao candidato Crespo (adversário local dos tucanos) durante a campanha ainda não foi digerido pelos tucanos locais. Estou enganado?