Frenesi X passividade da tarifa

Padre, médicos, professores, consultores, jornalistas, urbanistas, advogados… só falam e também compartilham memes nas redes sociais sobre a sanidade do prefeito Crespo e a tal guarita que ele resolveu construir na praça central a pedido de um comerciante que, agora, três semanas depois do pedido da obra, acaba de ser nomeado seu assessor no 6º andar do Paço Municipal.

Escrevi aqui sobre o tema com o título “A lógica de uma decisão” onde busquei decifrar a mente do prefeito ao decidir pela guarita. Aliás, chamo a atenção para a observação de um leitor deste blog, Rodrigo Castanho, sobre a falta de lógica no fato de Sorocaba ser uma Fab City, MIT, cidade inteligente… e construir puxadinho em frente a catedral, “estão de brincadeira né?”, provoca ele.

Me vem à cabeça, o que aconteceu de 2013 (quando o brasileiro se revoltou com o aumento de 20 centavos no preço da passagem de ônibus e saiu protestando, fazendo o governador Alckmin e o prefeito Pannunzio, para citar exemplos locais a voltarem atrás e que culminou com o impeachment da então presidente Dilma) para os dias de hoje.

A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade, informa que o passe social, utilizado pela maioria da população no transporte coletivo urbano, vai custar R$ 4,40 a partir de 22 de janeiro. O reajuste é de 4,76% e visa recuperar as perdas de 12 meses sem elevação. Os usuários poderão comprar créditos nos preços atuais até 21 de janeiro.

São novamente 20 centavos de aumento e o sorocabano continua falando e mandando memes e compartilhando mensagens sobre a guarita.

Sinceramente, quando a lógica do funcionamento da mente de um prefeito se tornou mais importante do que o bolso do cidadão?

Como já disse o Celso Ribeiro Marvadão, o cronista de Sorocaba, se o problema é o quanto essa guarita atrapalha a beleza arquitetônica da Catedral está na hora de se fazer uma campanha para corrigir a aberração, autorizada nos anos 70, que é o prédio da garagem automática grudada na igreja. Ou, ainda, corrigir a aberração dos anos 40 que foi a construção do prédio do Recreativo.

Fico pensando se perdi o senso de humor. A verdade é que não entendo o frenesi (delírio coletivo) em torno dessa guarita e a passividade em torno de um novo aumento no preço da passagem de ônibus, o jeito mais simples de resolver um problema, ou seja, manda a conta para o lado mais fraco.

Comentários

Leia também