Humorismo brasileiro fica um pouco mais triste

Nílson Costa morreu aos 80 anos na madrugada de ontem e eu desperdicei as oportunidades para me reconciliar com ele desde que nos distanciamos em 2005 quando eu me tornei editor-chefe do jornal BOM DIA, que passou a circular em 27 de novembro daquele ano, e  não o escolhi para ser colunista da publicação.

Eu conheci Nílson nas páginas do jornal Diário de Sorocaba (que era o jornal da minha casa, lá na Vila Santana) onde ele assinava a coluna de humor com o pseudônimo Nilkos, o Grego. Quando adolescente, eu passei a frequentar o Depois Bar (onde fui garçom) e o Armazém, local em que tive a honra e privilégio de conviver com o último fôlego de Ari Madureira, o grande Marcos César, autor dos importantes monólogos que Chico Anysio interpretava, domingos à noite, no Programa Fantástico. O próprio Nílson escreveu alguns dos textos para este quadro de Chico Anysio na TV.

Nilson foi também escritor de roteiros para os programas Os Trapalhões, Fofão e Bronco, do hilário Ronald Golias que ajudou a projetar a carreira de Jô Soares. Não bastasse esse currículo, ele tinha ainda mais qualidades para fazer parte do time do jornal que chegava ao Interior paulista. Ele deveria ter uma página só para ele e não uma coluna. Quem sabe até com a participação de Peron e seu brilhante traço. Nílson era grande. Maior do que aquele projeto que se iniciava. Mas não tive força para que acontecesse e nossa proximidade das mesas do Armazém, das páginas do jornal Cruzeiro do Sul, onde segui lhe abrindo o espaço que ele já havia conquistado com editores anteriores, foi ficando cada vez mais distante. 

Nílson tinha um tom de voz peculiar, muitas vezes era difícil compreender a sua pronúncia. Gostava demais de beber e, pelo que soube de amigos que comentaram a sua morte num grupo de whatsapp, nunca conseguiu se livrar do cigarro. Seus dedos e dentes tinham a cor da nicotina, de uma boêmia que não vejo mais. E não por causa da pandemia, onde tudo está fechado. Não existe porque as pessoas mudaram. Já não lêem mais…

Nílson era dentista e exerceu essa profissão por anos. Um dia ele me disse que se faltasse a oportunidade de escovar os dentes, bastava comer uma maçã para limpá-los.

Nilson deixou a esposa Janete, três filhas, genros e netos. Li no obituário do jornal Cruzeiro do Sul que, mesmo com a saúde debilitada, ele continuava produzindo e planejava lançar um livro de contos. Que logo ele seja publicado!

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