Início das obras da ETA do Vitória Régia coloca Sorocaba no século 21 no que diz respeito ao abastecimento de água. Lembrando que 75% da cidade depende do trabalho feito na ETA do Cerrado, inaugurada em 1970

MartinezETAvrA Prefeitura de Sorocaba e o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) lançaram a pedra fundamental, e o início das obras, da nova Estação de Tratamento de Água Vitória Régia (ETA Vitória Régia), em cerimônia realizada no local do empreendimento, na avenida Antônio Silva Saladino, Parque Vitória Régia, zona norte da cidade, na manhã de quarta-feira passada.

É uma obra inovadora na medida em que vai captar água diretamente do rio Sorocaba para ser tratada e distribuída; que vai deixar a cidade menos dependente da ETA Cerrado, inaugurada em 1970 e de onde sai 75% da água tratada de toda a cidade; e por fim dará mais segurança ao sorocabano e às empresas que aqui se desenvolvem.

A prefeita Jaqueline Coutinho e o secretário de Recurso Hídricos, Ronald Pereira da Silva comandaram a festa que contou com a presença de vereadores; deputados e secretários municipais, entre outras autoridades, além de funcionários e ex-diretores da autarquia.

A data inicial do lançamento da pedra e do início da obra era 24 de agosto, dia em que coincidentemente aconteceu a sessão da Câmara de Vereadores que cassou o prefeito Crespo.

A nova Estação de Tratamento de Água Vitória Régia terá algumas características inovadoras, incluindo a captação de água bruta diretamente no rio Sorocaba e processamento à base de ozônio, fato que se tornou possível após a conclusão do complexo de obras do Programa de Despoluição do Rio Sorocaba, que incluiu 28 km de interceptores nas duas margens do rio; 18 estações elevatórias de bombeamento e 7 Estações de Tratamento de Esgoto, possibilitando  recuperação das suas águas e do seu ecossistema.

Compacta e empregando o que há de mais moderno em tecnologia de saneamento, a ETA Vitória Régia será totalmente automatizada e terá capacidade para tratar, inicialmente, 750 litros de água por segundo, com ampliação prevista para 1.500 litros por segundo, numa segunda etapa.

Atualmente, Sorocaba possui um sistema de tratamento e distribuição que possibilita a produção de 2.500 litros de água tratada por segundo, formado pelas Estações de Tratamento de Água do Cerrado e do Éden.

A área onde será implantada a ETA Vitória Régia foi desapropriada há alguns anos pela autarquia. Com 166 mil metros quadrados, o espaço destinado à implantação da nova Estação de Tratamento de Água de Sorocaba vem sendo preparado desde o início deste ano, recebendo intervenções de terraplanagem.

Cidade toda será beneficiada

Com a implantação da ETA Vitória Régia, não apenas a zona norte da cidade será beneficiada com o empreendimento, visto que o novo sistema será interligado à infraestrutura atualmente existente.

Desta forma, as ETAs Cerrado e Éden, e as represas do Clemente (Itupararanga), Ferraz e Ipaneminha trabalharão de forma integrada, contribuindo para a ampliação da capacidade de adução, tratamento e distribuição de água da cidade como um todo.

Custo de R$ 77,9 milhões

O investimento da Prefeitura de Sorocaba e do Saae neste projeto será de R$ 77.956.527,01, conforme contrato assinado com a Goetze Lobato Engenharia Ltda. (GEL) – empresa vencedora do processo de licitação -, que terá trinta meses para concluir a obra.

Os recursos incluem financiamento do programa Saneamento para Todos e CPAC, do Governo Federal, e contrapartida com recursos próprios e financiamento pela Caixa Econômica Federal.

Histórico

O histórico da nova ETA Vitória Régia começa há treze anos, em janeiro de 2004, quando ocorreu o rompimento das quatro adutoras que trazem água bruta da serra de São Francisco para o tratamento e distribuição em Sorocaba. Naquela oportunidade, depois de fortes chuvas, grandes pedras rolaram da encosta da serra e atingiram as tubulações.

Acreditava-se que tinha sido um acidente único e raro, e que dificilmente voltaria a ocorrer num curto espaço de tempo. Dois anos depois, em janeiro de 2006, novamente após fortes chuvas, um novo acidente geográfico ocorreu na serra de São Francisco e a maior das adutoras, de 800 milímetros de diâmetro, foi rompida.

Nas duas oportunidades, mesmo com a dedicação, esforço e envolvimento dos funcionários do Saae e de empresas terceirizadas, a cidade permaneceu sem água por alguns dias, causando transtornos e reclamações. Como consequência dos dois acidentes seguidos, o Saae deu início às obras visando à preservação das adutoras, com intervenções que incluíram o jateamento de concreto para a estabilização da encosta; amarrações das grandes pedras existentes com cabos de aço e a implantação de muros e malhas especiais de proteção.

Paralelamente a essas obras, os dirigentes, engenheiros e técnicos da autarquia concluíram que era necessário buscar uma alternativa aos 14 quilômetros de extensão das adutoras, que possibilitasse a captação de água bruta no próprio município, e diretamente no rio Sorocaba, fato que já se vislumbrava como possível, a partir da recuperação de suas águas, como resultado das obras do Programa de Despoluição.

Deu-se início então à movimentação que possibilitaria a concretização da ideia, com a busca de linhas de financiamentos visando à implantação de um novo sistema produtor de água tratada, incluindo a estrutura para a captação e uma Estação de Tratamento localizada próximo ao rio.

Além do financiamento para a obra, era necessário também viabilizar tecnicamente a ideia, e desta forma a autarquia começou a desenvolver o projeto executivo do novo sistema a ser implantado, que passou por diversas etapas, incluindo estudos, análises, ensaios, experimentos e até a construção de uma ETA-piloto, em escala menor, que permaneceu em funcionamento por alguns meses, demonstrando e comprovando que era possível captar, tratar e distribuir as águas do rio Sorocaba.

FOTO: Essa imagem do palanque mostra bem as diversas autoridades presentes no evento