Investigação na Prefeitura não prende pessoas, mas apreende documentos

Os contratos entre a Prefeitura de Sorocaba e uma empresa voltada à terceirização de serviços municipais, cujo os valores excedem a R$ 25 milhões, se tornaram alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público paulista; da Delegacia Seccional de Sorocaba, da Polícia Civil; e do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) logo às 6h da manhã de hoje.

Batizada pelos investigadores como Operação Casa de Papel, os contratos vinham sendo investigados há seis meses, desde novembro do ano passado, pelo Setor Especializado de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Polícia Seccional de Sorocaba.

A promotora de Justiça Maria Aparecida Rodrigues Mendes Castanho, do Gaeco, disse que os contratos investigados “possibilitam abertura para que se façam fraudes” que ela estima que ultrapasse o valor de R$ 25 milhões.

O delegado seccional Marcelo Carriel, da Polícia Civil, disse que “o objetivo da operação foi desarticular uma organização criminosa que estaria atuando na prefeitura no desvio de dinheiro, cometendo fraudes em licitações e corrompendo agentes públicos”.

Nenhuma pessoa foi presa, mas foram cumpridos 18 mandados de busca e apreendidas dezenas de caixa contendo documentos que serão a base da investigação dos peritos que comandaram a operação de hoje.

Quem é investigado

A operação foca as investigações em três secretários municipais: Eloy de Oliveira, secretário de Comunicação e Eventos; Hudson Zuliani, secretário de Licitações e Contratos; Werinton Kermes, secretário de Cultura e Turismo; além de Edmilson Chelles, funcionário concursado e de carreira na prefeitura que atua na pasta da Cultura.

De outro lado, são investigados os empresários Felipe Bismara, proprietário da empresa Selt (antiga Twenty), que atua no ramo de locações e estrutura para eventos como tendas, banheiros químicos, arquibancadas e que possui diversos contratos com a Prefeitura de Sorocaba; Antônio Tadeu Bismara Filho, irmão de Felipe; Antônio Bocalão Neto, proprietário do jornal Gazeta do Interior; Bianca Stefane Munis de Figueiredo, esposa de Bocalão Neto.

Além dos mandados de busca e apreensão na residência dos três secretários, os investigadores estiveram nos gabinetes deles na Prefeitura de Sorocaba e foi pedido à justiça o bloqueio de bens móveis e veículos dos suspeitos investigados.

Internet desligada

Policiais pediram o desligamento dos servidores de internet da prefeitura para evitar que os dados fossem acessados por computadores de fora, medida tomada depois que os agentes constataram tentativas de mudanças da senha no sistema municipal.

Como consequência, todos os serviços online da prefeitura ficaram fora do ar, incluindo o site da prefeitura e todos os outros que ficam sob o mesmo domínio, até 11h quando a operação de coleta de documentos chegou ao fim dentro do Paço Municipal.

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