Investigar prefeito por ele jogar no CIC é mais uma picuinha do promotor

CrespoGoleiro

Prefeito jogou de goleiro em estádio municipal e vem sendo tratado como “criminoso” por isso

Já falei na coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz), já escrevi neste blog e hoje repito: Me parece que o embate entre Orlando Bastos Filho e José Crespo extrapolou a relação prefeito x promotor (o que é saudável para a sociedade) e se transformou numa queda de braço entre a pessoa dos dois (o que é péssimo, afinal pouco importa as desavenças pessoais de ambos, que dura anos já, para a sociedade).

A mais recente investida de Orlando Bastos Filho foi instaurar inquérito civil para apurar o jogo de futebol realizado entre servidores públicos municipais e vereadores, no último sábado (3/6) pela manhã, no Estádio Municipal “Walter Ribeiro”, o CIC. Na ocasião, o prefeito José Crespo (DEM) atuou como goleiro. O secretário de Esportes (Semes), Simei Lamarca, e o secretário de Comunicação e Eventos (Secom), Eloy de Oliveira, também participaram do evento, assim como os parlamentares Fernando Dini, Hudson Pessini e Rafael Militão (todos do PMDB), Wanderley Diogo (PRP) e Fausto Peres (Podemos).

Segundo publicado pelo jornal Cruzeiro do Sul de hoje (07/06) e pelo Portal Ipanema, o promotor Orlando Bastos Filho afirma que a utilização de certos próprios municipais, como o CIC, “depende de autorizações e taxas, o que é aplicável a todos, inclusive os temporários ocupantes do poder, que não são proprietários, mas administradores de coisa do povo”. Orlando Bastos vai além, afirmando que Crespo “tomando o CIC como seu, sem a observância das normas de utilização, em tese, realizou confraternização entre amigos no estádio, o que não é dado ao cidadão ‘comum’, e nem a ninguém, já que ninguém se sobrepõe à lei”. Dessa forma, Orlando Bastos Filho estuda ingressar com ação de improbidade administrativa contra Crespo e Simei, uma vez que a lei de improbidade administrativa, conforme frisa o promotor, “estabelece que importa em enriquecimento ilícito utilizar bens públicos, para fins particulares”. Para a Prefeitura e à Câmara Municipal de Sorocaba, o MP deu 10 dias para que haja o esclarecimento quanto ao pagamento de taxas e outras eventuais despesas referentes ao jogo, além da indicação de quem foi a autorização para a utilização do próprio, e quais os participantes, assim como qual a perda do município com o evento, “não só pelo não pagamento de taxas e despesas, como eventuais outras, como pessoal que trabalha no estádio, horas extras, etc, e a comprovação do recolhimento ao erário, de tudo quanto dispendido no evento, inclusive as taxas normais de utilização, e as demais despesas decorrentes com pessoal, já que só abrir o espaço gera despesas”.

Não fosse pessoal a abertura do inquérito, Orlando Bastos Filho teria tido o zelo de esperar a resposta da Prefeitura e Câmara e, mais, deveria ter feito qualquer justificativa para a abertura do inquérito no condicional. Imaginemos que o prefeito esteve como convidado no jogo (e não como organizador como afirma o promotor). Onde estaria o abuso, a apropriação do CIC pelo prefeito?

A maioria absoluta dos ouvintes da coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema apoiou o promotor em sua ação, fez críticas ao prefeito, me criticou, com um deles, inclusive, me chamando de “advogado do Crespo”. Mas todos compraram a versão do promotor, a de que Crespo é o organizador do jogo.

Agora, digamos, que o promotor tenha razão e o prefeito tenha reservado o CIC e cometido “este terrível crime” que merece, como vê o promotor, uma ação de improbidade (ou seja, o prefeito deve perder os direitos políticos por ter usado o CIC por duas horas para um jogo). É isso, de verdade, que o promotor vê de errado na administração da cidade?

É tão pouco, mas tão pouco isso, que desejar tirar o prefeito do cargo (ação de improbidade) por esta razão só confirma a minha percepção, a de que o problema de Orlando Bastos Filho é pessoal com Crespo. É pura picuinha. E, repito: está extrapolada a relação prefeito x promotor (o que seria saudável para a sociedade) e está transformada numa queda de braço entre a pessoa dos dois.

A sociedade vai ficar à mercê dessa picuinha até quando?

Em tempo: toda vez que manifesto minha opinião de que o problema de Orlando Bastos é pessoal com Crespo ele me diz que não, mas somente técnico. Não tenho motivo para não acreditar, mas ao ver uma ação dessas, também não vejo para acreditar. Querer tirar o prefeito, repito, com ação de improbidade, por ele ter jogado (nem organizador foi pelo que consta) duas horas no CIC não é motivo.