Isso é, sim, também problema seu!

Grupos e coletivos que lutam pela defesa das mulheres e outras minorias de nossa sociedade resolveram ser incisivos neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – convocando a sociedade sorocabana a refletir sobre o papel de cada um na realidade que envolve as mulheres.

E a forma que encontraram para isso foi espalhar em pontos estratégicos da cidade, como praças, canteiros de avenidas e monumentos 50 crucifixos (cruz). O objetivo foi chamar a atenção para as mortes de mulheres, uma a cada 40 dias em Sorocaba, por feminicídio, ou seja, porque algum companheiro ou ex-companheiro de uma mulher não aceita que elas tenham uma nova vida após a separação ou não tenham vida ao recusar algum relacionamento com o seu assassino.

“Hoje acordamos em luta, por cada vida ceifada pela violência do Estado que nos retira direitos, fere e mata”, anunciou Maria Teresa Ferreira da entidade sorocabana Unegro (União de Negros e Negras pela Igualdade), uma das organizadoras do evento. Entre as outras entidades ligadas com a ação de colocação das cruzes estão o Coletivo Feminista Rosa Lilás, Apeoesp (associação de Professores da Rede Estadual), Ivy Fotografia, Enfrente Movimento Estudantil de Sorocaba, Coletivo de professores Quinze de Outubro, Comissão da mulher da OAB Sorocaba, Conselho Municipal LGBT, Conselho Municipal da Mulher, Setorial de Mulheres do PSOL Sorocaba e Mulheres do PT.

Luciana Leme, do Conselho LGBT, me disse logo às 6h da manhã: “Prosseguimos durante o dia em luta e logo mais nos encontraremos para uma grande marcha de mãos dadas em defesa das nossas vidas, direitos, narrativas afetivas e da nossa previdência, na praça Cel. Fernando Prestes, a partir das 16h, um lugar povo, das reivindicações e das vitórias”.

Emanuella Barros, do Conselho Municipal da Mulher, explica que “as reflexões trazidas pelo dia 8 de março, principalmente a discussão sobre a desigualdade de gêneros, é vital, pois vivemos um momento histórico de retrocesso a direitos e liberdades. Questões de gênero enfrentam posicionamentos teocráticos intransponíveis, de forma a impossibilitar uma educação para diversidade que crie condições de convívio com as diferenças. As mulheres e outros grupos são reiteradamente expostos a violações de direitos, agressões físicas e verbais e discriminações de todo tipo. Suas diferenças convertem-se em reais desigualdades, inclusive incorporadas pelo discurso que embasa o sucateamento e desmantelamento de políticas públicas voltadas às questões de gênero, refletindo nos altos índices de violência. Nossa luta é constante, é no dia a dia. Não há espaço para rivalidades precisamos caminhar juntas, mais que nunca. Temos o direito de nos sentirmos seguras e livres de qualquer violência ou opressão. Todos juntas somos fortes, ninguém solta a mão de ninguém. Nenhum direito a menos, lutaremos por liberdade, amor, respeito e igualdade”.

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública dão mostras do problema: “de janeiro a setembro do de 2018, 86 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado de São Paulo. A quantidade de crimes desse tipo em 2018 já é maior do que no ano anterior todo, quando 85 mulheres morreram em decorrência da sua condição feminina. No interior do Estado, neste ano, foram 49 vítimas, enquanto que no mesmo período de 2017 foram 38 casos e no ano todo 52”.

O Dia Internacional da Mulher também foi comemorado de outras maneiras em Sorocaba, em especial na Prefeitura e Câmara de Vereadores de Sorocaba que decidiram homenagear as mulheres com flores, cafés e outros mimos.

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