Livros e leitura voltam a ser preocupação de governantes

Me animo quando vejo iniciativas como a do vereador Fernando Dini (MDB), da Câmara de Sorocaba, que apresentou um projeto de lei que prevê a instituição do “Dia do Desapego Literário”, a ser celebrado todos os anos, no dia 25 de julho, integrando o calendário oficial do município.

Há poucas coisas tão importantes quanto ler um livro.

E não sou eu que penso assim. Ou não apenas eu. Pessoas muito mais importantes já se manifestaram a respeito. Veja William Henry Gates III, ou simplesmente Bill Gates que dispensa apresentações. Ele fundou a Microsoft e deu ao mundo o acesso ao computador como conhecemos hoje, ou seja, como se ele tem a uma geladeira ou fogão. Mas, do alto de sua autoridade, Bill Gates foi cirúrgico “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, eles serão incapazes de escrever, inclusive sua própria história”. Uma frase que expressa com lealdade a importância da leitura na vida de qualquer ser humano, uma vez que melhora a escrita, estimula a imaginação e proporciona diferentes tipos de conhecimentos.

Por isso, quando vejo a iniciativa de Dini me animo.

Em 2005, na gestão do prefeito Vitor Lippi na Prefeitura de Sorocaba, fui escolhido por ele para ser secretário da Cultura, cargo que fiquei apenas alguns meses. Lá nasceram várias idéias, uma que saiu do papel apenas na segunda gestão de Lippi, pelas mãos do secretário da Cultura da época, Anderson Santos, foi o Projeto Vai e Vem, que nasceu para deixar os livros mais próximos da população: carrinhos móveis repletos de livros eram distribuídos em pontos variados da cidade onde havia fluxo de pessoas. O interessado retirava quantos exemplares quisesse, com uma única condição: devolvê-lo em qualquer uma das unidades do Vai e Vem após a leitura.

A ideia era aprovada pela população, pelo menos é o que interpreto ao ver os números: por ano eram emprestados mais de 36 mil livros, enquanto na sede da Biblioteca Municipal esses empréstimos giravam em torno de 6 mil livros. Mesmo assim, o projeto foi minguando e praticamente extinto no governo Pannunzio e segue sepultado no governo Crespo.

Por isso, a idéia do vereador Fernando Dini, que chega por lei, merece o apoio e incentivo da comunidade.

De acordo com o parlamentar, a data que ele deseja criar visa motivar o incentivo à leitura e tem o objetivo de que sejam feitas campanhas de incentivo à leitura, tendo como carro-chefe o “Projeto Esqueça um Livro e Espalhe Conhecimento”, divulgado pela hashtag #esquecaumlivro”, que teve início nos Estados Unidos e foi trazido para o Brasil em 2013. “Esse projeto faz com que os cidadãos pratiquem o desapego, tirando de suas estantes aqueles livros que dificilmente serão lidos novamente e que podem beneficiar outras pessoas”, afirma.

As pessoas então, “esquecem” os livros em qualquer prédio público (Casa do Cidadão, Unidades Básicas de Saúde, terminais de ônibus) e outras poderão levá-los para casa, sem custo ou qualquer outro ônus. “É um processo que já foi idealizado e colocado parcialmente em prática pela Prefeitura em 2018 e que, com esse dia instituído oficialmente, tem tudo para se tornar uma grande prática cultural no município”, finaliza o vereador.

Tomará que a lei seja aprovada e, principalmente, motive o chefe do executivo sorocabano, que é quem tem mais estrutura, a dar a devida atenção ao tema do livro e da leitura. O “Projeto Vai e Vem” era apenas uma idéia. O “Projeto Esqueça um Livro e Espalhe Conhecimento” é apenas outra. Há idéias variadas e exemplos diferentes pelo Brasil. O que se deseja é que haja foco no incentivo à leitura de livros.

Eu, particularmente, tenho a intenção, em breve, de tirar da minha cabeça o que é uma idéia e praticar o que, a princípio, chamo de Escola de Escritores. Em que pese Sorocaba ser a “rainha das farmácias” (há um número exagerado desse comércio na cidade), ainda sonho que possa a vir a ser a Rainha das Livrarias e Bibliotecas (hoje são raríssimos estes comércios).

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