Me faltou agilidade mental no momento da entrevista de hoje com o prefeito para dizer o que afirmo nesta postagem: para se defender, Crespo faz ilação sobre a vida pessoal do promotor sem ligar isso ao que que possa ser de interesse público

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Prestar a atenção em segurar o telefone, usar celular e dialogar com o prefeito me levou a falhar sobre o tema que aqui exponho aos leitores

A disputa institucional (entre vereador e promotor de justiça) e até pessoal (Crespo e Orlando Bastos Filho) não ficou no passado e se mantém agora que Crespo virou prefeito e Orlando Bastos segue sendo o responsável, dentro do Ministério Público, a agir em relação às ações do Poder Executivo de Sorocaba.

A lenga-lenga dessa história pode ser lida numa simples pesquisa neste blog.

Até a entrevista com prefeito hoje cedo e pela última manifestação do promotor dada a mim ontem (leia postagem anterior) sentia que estas arestas poderiam, de verdade, serem resolvidas.

Na coletiva que concedeu na terça-feira passada Crespo explicou sua afirmação de que o promotor tinha problemas com o álcool ao dizer que esses eram rumores e que ele dava ao promotor o mesmo tratamento que ele deu a um outro vereador dizendo que rumores levaram ele a processá-lo. Ou seja, o vereador Crespo trocou chumbo com o promotor. Tudo bem, afinal chumbo trocado não dói, como diz o ditado popular.

Mas hoje cedo, quando o clima era outro, Crespo desandou a falar que entendia que Orlando Bastos Filho passa por problemas pessoais (sem explicar o que é) e que isso seria um atenuante para ele, prefeito, se entender com o promotor. Que ele vestiu as sandálias da humildade, mas o promotor ainda não.

A foto da entrevista, que ilustra essa postagem, demonstra a dificuldade de fazer a entrevista no gabinete do prefeito. Minha mão esquerda segura o telefone que leva o áudio a cada rádio sintonizado na Ipanema, minha mão direita segura o celular onde recebo dezenas de mensagens de ouvintes que colaboram com questões a serem feitas ao prefeito e mentalmente tenho que controlar as duas mãos e ainda estar mentalmente ligado ao que diz o prefeito que é o que interessa ao cidadão. No geral sou esperto e ágil, especialmente na bancada da rádio onde estou com as mãos livres. Mas somente depois da entrevista observei essa falha grave que verifico e a torna público: o prefeito faz ilação sobre a vida pessoal e particular do promotor sem fazer a relação que existe entre esse fato (se é que ele existe) do âmbito particular com o que interessa, afinal, que é o interesse público.

O prefeito sabe o quanto é dolorido ser alvo de injúria, calúnia e difamação (já como prefeito ele acompanhou a dor de uma assessora dele a esse respeito) e, analisando a entrevista de hoje, sua ilação sobre um suposto problema que o promotor está enfrentando na vida pessoal me soa como uma apelação, para dizer o mínimo.

Fica aqui o desafio para o prefeito se desculpar por isso ou mostrar quais são os problemas que ele alega que o promotor tem e a estrita relação dele com as ações do promotor, ou seja, o que há de interesse público no que o prefeito nomeia de pessoal.

Fica aqui o desafio para o promotor. Ou ele processa Crespo por essas ilações ou o seu silêncio será interpretado com a concordância que ele está, sim, com problemas pessoais e se esse problemas afetam, de alguma maneira, o interesse público.

Não caio mais nessa conversa do prefeito. No dia 9 de maio Crespo estará ao vivo na rádio Ipanema às 7h30 e no que me diz respeito a entrevista terá início por este tema.