Me sinto um oráculo toda vez, e não são poucas, em que as pessoas ao se encontrarem comigo ao acaso me perguntarem: e ai, como estão os candidatos?

Ao leitor que não se encontra comigo, mas eu imagino que tenha a mesma pergunta a fazer sobre este momento da pré-campanha, a 100 dias da eleição, decidi elaborar minhas respostas:

PSDB

O mistério segue sendo o mesmo no PSDB: quem será o candidato a prefeito do partido. Com a deputada estadual Maria Lúcia Amary cuidando do pai no hospital, o único que segue em campanha é o presidente do diretório municipal do partido, João Leandro da Costa Filho. Ele mantém agenda diária de candidato. Recebe e conversa com vereadores e com políticos de partidos que poderão ser aliados. E não se cansa de explicar e cada explicação é a mesma resposta: o deputado federal Vitor Lippi não será candidato. E parece que as pessoas já estão acreditando que será isso mesmo. A pergunta, agora, é se Lippi vai participar ativamente da campanha do candidato tucano. Para essa também não há resposta. Sobre a pesquisa encomendada pelo partido, querendo saber a avaliação do governo Pannunzio e se o sorocabano votaria num candidato indicado pelo prefeito, segue guardada a sete chaves. É puro segredo.

Para essas respostas sempre há um insistente: mas acho que o Lippi será candidato. Eu digo o seguinte sobre isso: não acredito que ele vá ser porque ele já decidiu não ser. Mas concordo que o partido deixou a situação chegar a um ponto em que parece que somente ele pode ser um candidato capaz de ser eleito. Não acredito nisso. Acredito que João Leandro pode surpreender especialmente se o partido abraçar a sua candidatura. E mesmo se houver desconfiança dos militantes, acredito que a propaganda pode fazer de João Leandro um candidato capaz de vencer.

Agora, se Maria Lúcia não quiser ser candidata e os militantes não abraçarem João Leandro, é possível que Pannunzio mude de idéia e dispute a reeleição.

PMDB

Quando me perguntam do PMDB, a saga de Renato Amary é a mesma de quatro anos atrás: ele poderá ser candidato? Confesso que não sei nada além do que já disse. Quando respondo que imagino que será como em 2012, quando teve o registro aprovado em Sorocaba e recusado em segunda instância e liberado em terceira, me dizem que a situação dele mudou muito. Chegam a dizer que teve condenações em segunda instância que não haviam em 2012, ou seja, sua situação é muito difícil. Me resta a perguntar ao próprio Renato Amary e ele me diz que não terá problema e terá o registro de sua candidatura. Há um mito de que o presidente da República interino, Michel Temer, por ser do mesmo partido de Renato Amary poderá influenciar a seu favor no Supremo Tribunal. Insisto que são poderes diferentes, mas as pessoas acreditam que o presidente pode ter uma conversa ao pé do ouvido com algum dos desembargadores. Ou seja, as pessoas crêem de fato no jeitinho mais do que na lei. Crêem que vale mais um amigo do que o que diz a lei. O fato é que Renato segue sendo o favoritíssimo nesta eleição, desde que possa ser candidato. E ele segue reunindo partidos, motivando candidatos e caminhando como se nada impedisse ele de ser eleito. Para rebater quem diz que ele não está bem de saúde posta frequentemente suas fotos fazendo ginástica na academia. O que é uma boa resposta.

PT

E o candidato do PT tem chance? Essa também é uma pergunta que recebo com frequência e minha resposta é de que ao contrário do que muitos pensam eu acredito que nesta eleição o PT vai se dar melhor do que em eleições passadas. E meu argumento para isso é o mesmo das pessoas que acreditam no contrário, de que será o pior desempenho do PT. Ou seja, a crise de moralidade que afetou o partido em âmbito nacional criou um ódio do PT por parte de quem não era petista, mas não tinha nada contra. Mas criou uma aglutinação de quem era do PT, mas estava meio nem ai em razão do partido, em nome de uma tal governabilidade, ter cedido aos anseios do mercado. Longe dessa necessidade, quem acredita no PT vai se fechar em torno do partido novamente. Me chamam de louco. Pode ser. No caso particular de Sorocaba, os candidatos a Câmara, especialmente o que buscam a reeleição, e aqueles que estão de olho em 2018, já estão entendendo que quanto melhor for o desempenho do estranho no ninho metalúrgico Glauber Piva melhor para eles. Por isso entendo que logo haverá uma mobilização sindical em torno de Glauber. Nos formadores de opinião, confesso, Gauber passa bem. Precisa chegar a essa militância mais tradicional do partido.

PSOL

Raul Marcelo segue sendo visto como um grande bicho-papão especialmente entre as pessoas que estão diretamente ligadas ao mercado como empresários e investidores. Se criou o mito de que Raul Marcelo detém 16% dos votos e que poderá crescer. O mesmo temor que essa faixa expressiva do eleitorado tem de Raul Marcelo é a que em âmbito nacional se tinha do PT até Lula chegar ao poder. Há o medo de que Raul Marcelo imponha um governo de esquerda na prefeitura e que crie dificuldades. Confesso que é algo absolutamente inimaginável para mim um governo de esquerda numa prefeitura. O máximo ao alcance dele é o IPTU, mas para isso teria que ter o apoio da Câmara. Aumentar o IPTU dos que tem mais renda (ou mais bens) e diminuir de quem tem apenas um imóvel é um medo. Qualquer outra atitude mais à esquerda seria feita com os próprios recursos que hoje estão à disposição de qualquer eleito. Enfim, Raul vai enfrentar esse sentimento em sua campanha. Aliás, isso não é novidade alguma para ele. Já sentiu isso nas duas eleições em que participou. O que vejo de diferente agora, em relação ás outras, é que Raul Marcelo vai sentir o peso dos ataques (isso inclui sua vida pessoal) se realmente tiver chance de ser eleito.

PRB e PEN

O que é absolutamente normal numa eleição é que os novatos tenham que caminhar mais para afastar as desconfianças e isso tem acontecido de maneira muito similar com Hélio Godoy (PRB) e Laerte Molleta (PEN). Godoy tem um eleitorado dele, como se diz: vem sendo reeleito vereador (em 2012 foi o mais votado). Laerte Molleta (apesar de ter concorrido a deputado) é o novo dessa campanha. Mas como tudo que é novo há o período para ficar conhecido. Neste sentido, quem tem mais de uma eleição nas costas conta muito. E ao contrário de João Leandro e Glauber Piva, que também são novatos na eleição, Godoy e Laerte estão em partidos sem tradição em Sorocaba. O PRB e o PEN nunca tiveram candidatos a prefeito. PT e PSDB, ao contrário, são as duas forças que polarizam o cenário nacional há décadas e isso tem claro reflexo aqui. Ou seja, a desconfiança é menor sobre os novatos de partidos tradicionais.

Outros partidos

PV, PR, Pros (partidos com vereadores, mas sem candidato a prefeito) e partidos com tempo na TV como o PSC poderão surpreender e se fecharem num bloco em torno de Hélio Godoy ou Laerte Molleta. Seriam juntos perto de 200 candidatos a vereador. Um exército que sem dúvida ajuda o candidato a prefeito. Mas o que é voz corrente é que os caciques desses partidos, como Jessé e Gervino, vão aceitar o primeiro acordo que o candidato do PMDB ou PSDB oferecer a eles. É esperar para ver. Até agora foi assim. Resta saber se é real a chance de agora ser diferente.

A ilustração desta publicação é do cartunista Bennett (https://cartunistabenett.wordpress.com/)