“Moço, parabéns! Você é um guerreiro e venceu a gripezinha”

Mário Luiz Mascarenhas, 51 anos, obeso e acometido de pressão alta é gerente comercial. Eu o conheço desde criança, quando a gente morava na Vila Santana. Ele passou pelo CoronaVírus. Sobreviveu ao Covid 19 e aceitou me contar a sua experiência, enquanto esteve com a doença, como um alerta para a população.

Neste momento, este alerta é ainda mais importante diante do que um amigo me contou: A região central de Sorocaba, no dia da reabertura do comércio, parecia véspera de Natal de tanta gente nas ruas.

A máscara. O álcool 70º. A higienização das mãos são importantes, mas se puder, fique em casa. É o melhor modo de evitar contato com alguém que está com o vírus e, na maioria da vezes, não sabe e só vai descobrir que está infectado quando aparecer algum sintoma.

O relato de Mário é emocionante pelo seu final feliz.

Um final diferente, infelizmente, do que teve Carlos Roberto de Gáspari, o “cérebro” que botou em pé o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, junto de Bolinha, na década de 1980 – leia neste blog sobre a sua morte.

Na imagem dessa postagem, a foto de Mário e das tomografias do seus pulmões. No prazo de 24 horas, a mancha preta, o vírus, tomou conta deles dificultando sua respiração. O organismo de Mário reagiu em tempo de vencer o vírus. Ainda bem!

 

Mário relata sua gripezinha

 

No dia 17 de maio passado, percebi que estava com uma indisposição, algo diferente, dor de corpo e canseira. Mesmo não querendo acreditar, o medo da Covid 19 batia na minha porta.

Resolvi ir para o Hospital Modelo (onde fui muito bem atendido) e devido aos sintomas já fui para uma sala isolada.

Aí começa a Gripezinha.

O medo, a solidão, a dificuldade de puxar o ar e não conseguir respirar. Minha oxigenação chegou a 75. Rapidamente me colocaram no oxigênio e puder começar a voltar a raciocinar que realmente a Covid 19 é real. Detalhe: cada vez que o médico ou enfermeira vinha me avaliar era uma operação de guerra com aquelas roupas  (que ainda não saem das minhas lembranças). 

Aos poucos fui melhorando e a respiração voltando ao normal.

Registro: todo tempo ouvir suspeita de Covid 19 e que só tem o oxigênio para melhorar, não tem remédio… gera uma agonia imensa.

Tive medo que faltasse energia elétrica e acabasse o oxigênio que vinha da máquina ligada à tomada na parede: Um terror!

Fui pra casa 4 dias depois. Mas no dia 21 de maio a febre aumentou e a falta de ar também.

Novamente fui ao hospital e, de novo, muito bem atendido. Porém o desespero e agonia aumentavam a cada instante devido a falta de ar.

Vem o médico indicando que eu iria ser internado.

Novamente, mais medo e angústia.

Fiquei numa sala isolado das 10h da manhã até 6h do outro dia, pois um pequeno erro, de alguém irresponsável, não fez a minha transferência. Friso aqui que os suspeitos de estarem com o Covid 19 são transferidos do Hospital Modelo para o Samaritano.

Eis que chega a ambulância.

Show de horro…

Mesmo sabendo serem necessárias as roupas, máscaras, proteção, a repulsa das pessoas ficou gravado no meu coração.

Enfim, tudo bem na transferência. Cheguei no Samaritano e fiquei num quarto isolado. Quando novamente o terror, o medo, a agonia começam! Deitado e sem poder sair para nada devido a canseira e a falta de ar, me bateu o desespero, o medo, a vontade de abrir a janela e não conseguir.

Sem dormir, no outro dia, eis que um anjo, o doutor. Garrick Pereira, às 7h da manhã entra no quarto e tudo começa mudar. Este médico não é homem deste mundo! Com uma voz inacreditável, doce e calma, ele me explicou item a item a doença, me fez acreditar que a Covid 19 tem remédio sim e somos nós mesmos o remédio para curá-la! Nossa mente, nosso pensamento positivo, vale mais que qualquer vacina!

No outro dia não via a hora do médico voltar. Sem falar uma das enfermeiras, que também não são deste Planeta…

O silêncio da madrugada era abafado pelos “gritos” de socorro dos outros quartos. Uma correria no corredor. Sons e imagens que vão demorar para sair da minha mente.

Finalmente recebi alta e consegui agradecer a cada um que cuidou de mim.

Quanto ao doutor Garrick, a última frase que ele me falou: “Moço, parabéns! Você é um guerreiro e venceu a gripezinha!”

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