Morreu um homem bom

O corpo de Claudionor Ferreira de Moraes foi enterrado no cemitério Pax em Sorocaba nesta Sexta-Feira da Paixão. Sua alma vive nas histórias contadas, cheia de emoção, por dezenas de amigos que foram se despedir dele.

Natural de Jaboticabal, foi em São Paulo que ele fez sua vida profissional e construiu a empresa NorImport, um orgulho de empreendimento. Mas foi em Sorocaba que fez sua vida familiar e uma fantástica rede de amigos da qual acabei fazendo parte nos últimos cinco anos.

Morreu um homem bom.

Difícil explicar esse adjetivo, tão vago, num mundo tão complexo como o que vivemos. Nonor (assim eu o tratava) era bom por sempre ter um olhar para o outro nas suas exageradas manifestações. Nonor deixava tudo grande. Nonor sempre estava a favor de alguma coisa e contra outra. Não fugia de dar sua opinião e o mais admirável não fugia de mudar de opinião quando achava que era o caso.

Como brilhante comerciante, sempre achava que alguém estava querendo passar a perna nele. Era duro nos embates. Não tinha pudor em usar a adjetivação “burro” a torto e direito, inclusive para si próprio. Sempre arrancava risos onde quer que estivesse. Adorava comer e beber do bom e do melhor, pois construiu a oportunidade para isso. Adorava pescar. Adorava trocar de carro. Adorava jogar tênis, pôquer. Adorava cultivar os seus amigos.

Nonor me conquistou definitivamente numa manhãzinha, 4 anos atrás, quando eu caminhava empurrando o carrinho de bebê e ele saiu do seu carro e veio fazer bilu-bilu em minha neta e ganhou um sorriso dela. Nonor se derreteu e seus olhos encheram de emoção e lágrimas.

Nonor não quis nem saber se haveria retorno para o seu negócio quando pedi a ele que patrocinasse O Deda Questão e assinou contrato com o programa na TV, depois no blog e na rádio. Só um homem bom para agir assim. No dia em que sai da NorImport, em São Paulo, quando assinamos o contrato, ele me deu de presente bacalhau, azeite, vinho cujos os valores ultrapassaram, e muito, o valor do patrocínio que ele contratou.

Sua morte precoce chocou seus amigos. Foram centenas de manifestações e momentos do bem. Mas pinço uma delas, do amigo Xexeco, que ajuda a explicar quem é esse devoto fervoroso de São Judas Tadeu: Claudionor, foi uma fortaleza que sempre enfrentou os desafios, que sempre acreditou nas oportunidades e que se fez na vida, como todo grande português. Um comerciante nato. Teimoso. Trabalhou a finco no seu ideal, independentemente das notícias traiçoeiras. Sempre acreditou que o trabalho venceria a ignorância. Foi a fundo no que conhecia, e sempre mostrou o maior sabedor das negociações. Claudionor sempre nos impressionou. E aprendi a respeitá-lo em sua grandeza e limites. Seu coração sempre nos revelou a figura doce da criança que ele sempre alimentou dentro de si. As bravatas de Claudionor eram incentivo por mais que fosse bravata. Ele era nosso bebezão, sempre preocupado com os amigos, protetor nas horas de inseguranças. Claudionor sempre viveu intensamente em todos seus momentos. E impressionou pelo amor que dedica à família. Você foi um pescador de “sorte”. A “sorte” era sua perseverança. Como todo português, insistia no impossível e conseguia sempre os melhores peixes. Ele fez escola, Betinho (filho de Nonor) é muito melhor que vele. Claudionor sempre nos surpreendia por sua energia desigual, que contagiava, inclusive, com as besteiras e infâmias que se divertia dizendo. Aprendi a  amar o Claudionor. Gostaria de me divertir ainda mais com você. Você faz parte da minha história. E da história de sua família e amigos.

Mônica, Mariana e Betinho, Nonor sempre teve orgulho de vocês. E fazia questão de sempre dizer isso aos amigos. Que tenham conforto para seguir em frente. É isso, certamente, o que ele mais queria. Dona Ricarda, seu filho cultivou amor e alegria. Certamente está colhendo o mesmo agora.

 

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