Morte de mais uma criança em ação de polícia causa comoção, mas há quem não entenda motivo para isso e propague essa desolação

Hudson Pessini ­- criador e responsável pela página Legitimidade Sorocabana no Facebook (que já teve mais de 40 mil curtidas), que foi candidato a deputado federal pelo PMDB em 2014 e é pré-candidato a vereador pelo mesmo partido em outubro –  usou sua página pessoal na rede social para fazer o seguinte comentário: “Quando um menor infrator mata um Policial, pai de Família honesto e trabalhador, coisa que acontece diariamente, porque será que não tem a mesma repercussão na mídia?”

Como conheço Pessini, a quem já entrevistei no programa O Deda Questão na TV, e faço parte da “mídia” (como ele resume a atuação dos meios de comunicação), vesti sim a carapuça, como se diz, para a sua pergunta e por isso tomo a iniciativa de responder.

Caro Hudson, em primeiro lugar é preciso dizer que um menor não mata um policial diariamente. Aliás, ouso dizer que em Sorocaba, na última década, nenhum policial foi morto seja por quem for em serviço. Muito menos por um menor.

Além do mais, um policial é o servidor público que a sociedade escolheu para estar na linha de frente dos atos de bem, ou seja, de combate ao criminoso. Da arma de um policial um tiro só deve sair quando ele tiver certeza de quem ele está atirando. Se houver dúvida sobre quem é seu alvo, é melhor preservar este tiro. Se houver chance de um inocente qualquer ser vítima da sua ânsia de pegar um bandido, ele deve evitar puxar o gatilho. O policial é para o bem da sociedade e matar “sem querer” seja quem for faz com que a instituição Polícia não mereça o crédito que a sociedade deseja dele.

Por fim, a sensação que tenho na afirmação de Hudson é de que ele tem certeza que o “menor infrator” é bandido nato. Fica aqui a revelação, trazida pela Folha de S.Paulo, que 2 em 3 menores infratores não têm pai dentro de casa no Brasil. Que sociedade é essa onde os filhos de 2/3 das famílias não conhecem seus pais?

Tenho certeza que a solução não está em matar o “menor” e muito menos mandando ele para a cadeia como defendeu a maioria dos deputados (incluindo os dois sorocabanos) do atual congresso, que reduziu a maioridade penal. A solução está, antes de mais nada, em entender porque 2/3 dos pais dos menores infratores estarem longe de seus filhos. Que sociedade é essa que culpa por crimes quem não pode ser responsável por ele próprio? Uma criança sem limites será um adulto com problemas sociais em sua maioria, demonstram estudos. Há psiquiatras e psicólogos atentos a essa consequência, mas a sociedade não dá ouvidos a ele.

Fica aqui, caro Hudson, a sugestão que use sua força para entender como uma criança virou esse “menor” que tanto nos assusta. Talvez a popularidade da sua página despenque, mas pelo menos você não será compartilhado por pessoas como Célia Ruiz que escreveu: “Tô de saco cheio desse tal de direitos humanos. Afinal direito de quem? Me sinto discriminada…. preconceito contra quem paga imposto. Não é?????”