Na dúvida sobre a verdade, sindicato luta pela Policlínica

O prefeito Crespo tem sido ambíguo sobre a forma de funcionamento da Policlínica de Especialidades Médicas de Sorocaba – um marco da gestão do seu padrinho político, Renato Amary – deixando no ar quais as suas reais intenções: fechá-la, repassá-la ao Terceiro Setor ou até mantendo-a a aberta. Isso tem gerado ansiedade, nesse primeiro momento, entre os médicos. Somente depois que alguma decisão é tomada que a questão de fato chega ao cidadão, em particular o usuário.

Em razão disso, quem há mais de um ano chamou para si essa batalha e foi ao combate para manter a unidade em funcionamento é o presidente do Sindicato dos Médicos de Sorocaba, Eduardo Luís Vieira. Acompanhado pelos médicos Wilson Olegário Campagnone e Fernando Fassina, representando todos os médicos da Policlínica, ele usou a tribuna da Câmara Municipal de Sorocaba na sessão ordinária desta terça-feira, 2 de outubro, quando entregou um abaixo-assinado, com 4.188 assinaturas, contra a terceirização da Policlínica. O sindicato também entrou com uma ação na Justiça contra a medida.

A última vez em que o prefeito tratou abertamente sobre essa questão foi através da página oficial da Prefeitura onde ele classificou de “fake news” informações sobre a mudança de modelo de funcionamento da Policlínica.

Essa falta de firmeza em dizer o que será do local deixa em aberta a posição dos vereadores que, na dúvida, de maneira unânime, resolveram abraçar a posição do Sindicato dos Médicos: todos os 20 vereadores posaram para a foto com o abaixo-assinado entregue hoje a eles.

Atendimento exemplar

O presidente do Sindicato dos Médicos explicou que a iniciativa de fazer o abaixo-assinado foi dos próprios médicos e demais funcionários da Policlínica e ressaltou que aquela unidade de saúde, sob a gestão do médico Paulo Gurres, tem oferecido um atendimento exemplar, realizando milhares de procedimentos em várias especialidades durante o ano. “Apesar disso, o prefeito insiste na terceirização da Policlínica”, disse Eduardo Vieira. O presidente do Sindicato dos Médicos defendeu o trancamento da pauta de votações na Câmara Municipal: “Faço um apelo aos vereadores: não votem nada, enquanto a Policlínica estiver ameaçada”.

Não mexer no que dá certo

Vários vereadores parabenizaram os médicos e demais funcionários da Policlínica pelo abaixo-assinado. O vereador Hélio Brasileiro (MDB), que é médico, disse que a Policlínica está funcionando muito bem e, portanto, não se pode alterar essa rotina que está dando certo. Segundo ele, tirar especialistas da Policlínica para que atendam em unidade básica de saúde pode fazer com que esses profissionais deixem o serviço público, desfalcando todo o sistema.

Patrimônio da saúde

A vereadora Iara Bernardi (PT) disse que a Policlínica é um patrimônio da saúde da cidade e vem prestando um bom serviço à população. Defendeu que o hospital seja reforçado, inclusive com as reformas de que necessita, e lembrou que a Policlínica, inclusive, recebeu recursos de emenda parlamentar de sua autoria, aprovada em 2013. No seu entender, não faz sentido terceirizar o hospital. Também disse que os médicos da Policlínica dificilmente irão atender em unidades básicas de saúde.

Terceirização é desperdício

Fernanda Garcia (PSOL) ressaltou a qualidade do quadro de profissionais da Policlínica, que segundo ele não pode ser desperdiçado com a terceirização do hospital. E observou que, justamente agora, a Policlínica vinha sendo equipada, inclusive com a instalação de uma autoclave. A vereadora criticou a terceirização e defendeu o fortalecimento da Policlínica, com a contratação de funcionários. “Vamos perder os especialistas que estão no hospital por conta de uma política de terceirização que não foi discutida com a população”, enfatizou. O vereador Toninho Corredor (Patriota) também disse que a Policlínica é referência para Sorocaba e ressaltou que é preciso lutar contra o fechamento da Policlínica.

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