Nova pesquisa aborda eleitor por fone fixo e celular. Isso muda o resultado?

O Banco BTG Pactual contratou o Instituto FSB Pesquisa para aferir a intenção de voto do eleitor brasileiro para Presidência da República e, ao contrário das pesquisas Ibope e Datafolha, divulgadas na semana passada, este instituto resolveu fazer sua pesquisa por telefone fixo e móveis. Foram ouvidos 2 mil eleitores, com idade acima de 16 anos, nas 27 unidades da federação (26 Estados e Distrito Federal). A pesquisa segue todos os trâmites da lei.

O resultado dessa pesquisa, em relação ao Ibope e Datafolha, não é na liderança de Lula e Bolsonaro, mas no fato de João Amoêdo, do Novo, ter 3% dos votos na pesquisa espontânea, enquanto Lula tem 26% e Bolsonaro 19%. Outra diferença, na estimulada, Alckmin que sempre esteve 1% atrás de Ciro Gomes nessa aparece 1% na frente.

Enfim, diferente, mesmo, é o fato da pesquisa ter sido feita por telefone.

Isso tem um impacto, obviamente, sobre o entrevistado que no Ibope e Dataflha são abordados presencialmente.

Para uma resposta técnica, conversei novamente com o sorocabano Victor Trujillo, que há 24 anos trabalha com Pesquisa de Mercado e Ciência do Consumo, e é diretor-geral do Ipeso (Instituto de Pesquisas Sorocaba) e professor da ESPM. Na semana passada, ele concedeu, ao vivo, entrevista a Heródoto Barbero do Jornal da RecordNews (foto).

Entenda o que muda

Blog: Hoje saiu pesquisa do Banco BTG Pactual, que contratou o Instituto FSB Pesquisa, onde foram ouvidos 2 mil eleitores por telefone fixo e celular. O que é diferente das pesquisas Ibope e Datafolha. O que muda no resultado da pesquisa o local (telefone ou presencialmente) onde o eleitor é abordado?

Victor Trujillo: Embora não haja vedação na legislação eleitoral, o método de coleta de dados entrevista pelo telefone não é o mais indicado para as pesquisas eleitorais contratadas pelos veículos de comunicação para publicação. As pesquisas eleitorais pelo telefone geralmente são utilizadas apenas para as pesquisas de uso interno que os partidos contrata para monitorar a opinião pública.

O motivo das pesquisas eleitorais pelo telefone serem menos indicadas nas pesquisas para divulgação reside em três pontos principais:

  1. a) nas grandes cidades, os bairros da periferia têm menos antenas de celular do que os bairros centrais – isto reflete na qualidade do sinal;
  2. b) nas perguntas estimuladas – aquelas em que são apresentados os nomes dos candidatos – quando a pesquisa é feita pelo telefone o estímulo é verbal – ou seja, são lidos os nomes dos candidatos, numa pesquisa com 13 candidatos a presidência com vários cenários (com Lula e sem Lula) isto prejudica a atenção do eleitor.
  3. c) nas pesquisas com entrevistas pessoais (ponto de fluxo populacional do Datafolha ou domiciliar do Ibope) a estratificação da amostra regionalmente é garantida pela localização do entrevistador – isto garante que os eleitores de bairros da periferia, de comunidades sejam entrevistados. Nas entrevistas pelo telefone a estratificação geográfica é prejudicada se a empresa de pesquisa não contar com uma listagem com todos os telefones e endereços de todos os eleitores.

Por estes aspectos, a pesquisa por telefone não costuma ser utilizada para divulgação nas eleições. Ela é muito utilizada em pesquisas de mercado, mas nas eleições pela possibilidade de erros não amostrais (de compreensão do eleitor) a preferência sempre é pela pesquisa com entrevistas pessoais: domiciliares ou ponto de fluxo populacional.

Afinal, se o objetivo das pesquisas eleitorais é informar o eleitor sobre a opinião de todos os eleitores e fomentar a reflexão de todos, deseja-se que a informação tenha a qualidade necessária. E por este motivo as pesquisas eleitorais pelo telefone podem ajudar menos.

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