Nova York teve apagão como o vivido em Sorocaba e 9 meses depois reportagem é das mais premiadas

O apagão em Sorocaba me faz lembrar do livro Introdução ao Jornalismo de Fraser Bond. Neste livro ele relata a percepção do jornalista em relação aos fatos da cidade. Neste caso, do jornal The New York Times, ainda hoje uma das mais prestigiosas publicações do mundo, o fato é um apagão na cidade de New York na década de 60. Os jornais fizeram a cobertura que o tema exigiu. Tudo muito parecido com o que aconteceu em Sorocaba. Mas um jornalista guardou a data e 9 meses depois pegou o número de bebês que nasceram (tendo tempo e o registro das maternidades) e comparou com outras datas e conseguiu afirmar que mais bebês nasceram. Ou seja, em razão do apagão, mais pessoas transaram em Nova York.

Isso é jornalismo, cruzar dados e explicar a sociedade para seu público.

 

Quem é Fraser Bond

Adriana Santiago, do Núcleo de Estudos de Jornalismo da Universidade da Bahia, faz  explicação excelente, que aqui reproduzo, sobre quem é Frank Fraser Bond. Ele escreveu o livro Introdução ao Jornalismo em 1954, no contexto de mudanças na sociedade do pós-guerra e a abertura democrática. O jornalismo incorporou todas as tecnologias desenvolvidas na II Guerra Mundial, a televisão tornou-se um meio poderoso, e a propaganda vendia de tudo, produtos ou pessoas. O consumo explodiu. Ao mesmo tempo em que surgiram os beatniks, geração que se voltou contra o materialismo, usou drogas e lutou pela liberdade sexual, um estilo de vida que iria encontrar uma maior aceitação na década de 1960 e 1970. O cinema e a música roqueira elevaram a necessidade de compreender essa Indústria Cultural e seus efeitos.

A obra é um manual para estudantes dividido em 25 partes, que detalha as etapas do processo produtivo de 1950, já bastante defasado, porém é bem claro quando trata da necessidade do jornalismo sair do amadorismo, uma vez que as empresas jornalísticas são cada vez mais organizações comercialmente sólidas, sendo necessário situar o profissional na conjuntura e responsabilidade éticas. Assim, avalio como o grande legado o ensaio de definição da razão de ser do jornalismo, tendo como destaque os capítulos que tratam da natureza do jornalismo e das notícias (capítulos I e V). Logo no início, o autor começa tratando da natureza do jornalismo, a partir dos deveres e objetivos da prática, colocando o jornalismo como agente de responsabilidade dentro da sociedade, ou seja, no contexto deontológico. No capítulo ‘Natureza da Notícia’, o autor avança na reflexão do que diz respeito aos “valores da notícia’ e antecipa em 1959, alguns dos 12 critérios de noticiabilidade enumerados por Galtung e Ruge, em 1965 [7]. Veremos mais detalhadamente estes dois capítulos ainda neste ensaio.

 

Fraser Bond explica didaticamente as várias narrativas e veículos, sempre as vinculando ao interesse do público e ao gosto popular, ao leitor comum, algumas vezes vinculando-os à necessidades de entretenimento e serviços. Explica detalhadamente a organização dos jornais com as várias seções e a empresa em si, assim como rotinas produtivas da época e funcionamento do jornal, enfatizando objetivos e conteúdo, destacando que o jornal tem quatro razões principais pra existir: informar, interpretar, servir (a comunidade, ao leitor, ao anunciante) e a divertir. Ao dizer isto, conecta-se com a lógica do pensamento estadunidense da época, de consumo e democratismo.

Antigamente, os jornais americanos interessaram-se principalmente pela política, e davam seu maior espaço às notícias a ela relativas. Frequentemente, isto consistia em pouco mais que propaganda partidária. Hoje o noticiário político tem menos epaço, porém mais exatidão na informação [….].

Quem tiver interesse em todo o texto deve acessar:

https://nucleojor.wordpress.com/2013/10/20/fraser-bond-e-a-caca-as-definicoes-profissionais-do-jornalismo/