O que achei da entrevista do prefeito? Achei ótima. Ele assume mais uma vez seu papel de legalista, apesar do ônus político que a lentidão dessa decisão provoca

Até pela exposição a que me coloco semanalmente com a coluna O Deda Questão, que vai ao ar pelo menos três vezes na semana (segundas, quartas e sextas) na rádio Ipanema (FM 91,1Mhz), por onde ando sempre recebo alguma pergunta de alguém sobre a política de Sorocaba. Muitos dos comentários são críticos. O experiente jornalista José Roberto Ercolin, que há 23 anos comanda a bancada do Jornal da Ipanema, nos corredores da rádio criou a expressão ADD (Associação dos Desafetos do Deda) numa maneira de brincar sobre a saraivada de críticas que recebo pelo meu posicionamento diante das questões que são abordadas no programa. Sempre procuro me expressar com clareza, ou seja, com lado. Dificilmente fico dividido: gosto ou não gosto.
Hoje não foi diferente. Queriam saber o que achei da participação do prefeito Pannunzio por quase duas horas na rádio Ipanema. Minha resposta é: achei ótima. Porque mais uma vez o prefeito Pannunzio assumiu o seu papel de ser legalista e deixou claro que sabe que isso, por força da lei, faz com que as ações de governo não tenham a agilidade que ele deseja. Mesmo assim ele assume esse ônus e prefere correr o risco de perder a próxima eleição, afinal “eleições se ganham e se perdem” nas próprias palavras dele. Essa é a regra e o mundo segue seja qual for o resultado das urnas.
Muitos dos meus interlocutores não tiveram essa compreensão. Eles esperavam a polêmica que não veio. O prefeito não mordeu a corrente sobre o fogo amigo da vice-prefeita que pediu mais agilidade do governo dele. O prefeito respondeu com educação, duro, mas sem escarcéu. Quando Crespo virou o tema da conversa (o vereador que chamou-o de rainha da Inglaterra e de esconder embaixo do tapete as quadrilhas que segundo ele atuam na prefeitura), novamente o prefeito tirou de letra e com uma categoria poucas vezes vista. Para se ter uma ideia, falou que quando ele, Pannunzio, estava ao lado de Montoro e Mário Covas, Crespo preferiu estar aliado de Maluf. Um tapa com luva de pelica. E assim, sucessivamente, o prefeito respondeu com clareza e educação cada pergunta sobre uma orquestração de ações para barrar suas licitações, a epidemia da dengue, a ausência dos conteinêres. Por fim, mesmo atrapalhado por mim que fui afoito e o interrompi em sua resposta, com uma maturidade pouco vista entre os políticos, inclusive do seu partido como o deputado Vitor Lippi, Pannunzio explicou que é contra o impeachment de Dilma e deu justificativas bastante razoáveis para isso.
Entendo que por muito tempo os ouvintes se acostumaram com a entrevista de um prefeito vendedor, mesmo que de ilusões. Se acostumaram ouvir de uma autoridade o que gostariam de ouvir. Dois anos e meio do novo governo e muitos ouvintes ainda não entendem a sinceridade e racionalidade do engenheiro que comanda a Prefeitura de Sorocaba. Talvez entendam em outubro de 2016 quando novamente vão as urnas.

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