Para Jeferson Campos, crise deixa reformas econômicas na UTI

JefersonCamposConversei com o deputado federal pastor Jeferson Campos (PSD), morador de Sorocaba onde foi fundador da Igreja Quadrangular do Parque São Bento, e que recebeu votos em mais de 600 municípios na última eleição.

Ele faz um apanhado geral do momento, deixa evidente que é hora de cautela e que as votações dos projetos de Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência estão na UTI, uma analogia com o termo médico de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que é para onde o paciente vai quando exige cuidados bastante especiais devido a fragilidade de sua saúde, ou seja, onde o paciente vai quando corre o risco de morrer.

Leia o que perguntei e o que ele respondeu:

Deda – Por favor, 4 dias após a  revelação do dono da JBS e de 2 pronunciamento do presidente dizendo que não vai renunciar:

1) qual avaliação o senhor faz deste momento?

2) qual sentimento do senhor em relação ao apoio que seu partido vinha dando ao governo?

3) as votações da reforma estão enterradas ou há clima para que elas prossigam?

Jefferson Campos – Fomos tomados de surpresa em meio a sessão de quarta-feira passada pelos blogs que noticiaram uma conversa do presidente Temer supostamente incentivando um empresário a comprar o silêncio do detido deputado federal Eduardo Cunha. Com o passar dos dias, e a divulgação dos áudios previamente gravados e direcionados a uma delação premiada, ficaram muitas dúvidas sobre exatamente os crimes cometidos pelo presidente, embora sua conduta possa configurar, talvez, uma quebra de decoro por ouvir um empresário relatando crimes e não tomar as medidas necessárias.

O estrago político e econômico está feito. O Brasil que ameaçava uma recuperação econômica voltou à incerteza arrastado pelas notícias dessa delação.

Minha posição é a de continuar partidariamente dando suporte às medidas necessárias para a recuperação do país e, creio, que esta semana será crucial para o Temer se sustentar ou não no cargo. A princípio, na quarta-feira, o STF julgará a suspensão do inquérito que investiga o presidente e isso pode ser uma grande vitória para que ele se mantenha no cargo. Se aumentar a pressão, e consequente debandada dos partidos, dificilmente ele se sustentará.

As reformas entraram na UTI, embora necessárias, pois dependem de uma condução forte para que se concretizem, o que não há no momento, pois o presidente nas próximas semanas, ou até meses, estará mais preocupado em salvar a si mesmo que salvar o país. Enfim, é preciso aguardar o desenrolar dos fatos.