Para quem já concedeu título de Cidadão Sorocabano a Dória, Maluf, Castello Branco, Fleury, Quércia… se recusar a conceder honraria a Bolsonaro só é explicado pelo “politicamente correto”

Fosse eu vereador, não votaria a favor da concessão do Título de Cidadão Sorocabano a Jair Bolsonaro e assino embaixo de boa parte dos argumentos apontados na manifestação de repúdio apresentado pelos movimento sociais à Câmara Municipal nesta quinta-feira (leia a postagem anterior).

Mas desafio cada um dos 15 vereadores que já se posicionaram contrários à concessão desse título a Bolsonaro a, igualmente, assinarem embaixo desse documento em sua prática de vida, em sua escolha ideológica, em seu posicionamento público.

Mais: qual a diferença entre Bolsonaro e Dória a não ser que um deles, Dória no caso, ser militante e propagador do chamado “Politicamente Correto” (prática que evita a linguagem ou ações que são vistas como excludentes, que marginalizam ou insultam grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por sexo ou raça) e Bolsonaro ter alcançado fama e seguidores (que o digam as pesquisas de opinião) justamente por agir exatamente de modo contrário (usando a linguagem que fere, insulta, discrimina e exclui o outro).

Para uma Câmara de Vereadores que já concedeu Título de Cidadão Sorocabano a milhares de pessoas, incluindo personagens tão polêmicas como Bolsonaro – a lista inclui Paulo Maluf; o ex-governador Fleury; o ex-governador Orestes Quércia; o ex-presidente Marechal Castello Branco; o atual presidente, Michel Temer; o ex-deputado João Paulo Cunha, no Mensalão; Diolinda, esposa do líder do Movimento Sem-Terra, José Rainha, que quase foi presa quando veio receber o título por ter sido condenada por formação de quadrilha… isso para citar os políticos como Bolsonaro, excluindo pastores, apresentadores de TV, cantores sertanejos e etc… – apenas a covardia explica essa decisão, ou seja, um claro medo de enfrentar a mobilização da opinião pública.

Tenho repetido ao longo dos anos uma máxima de Voltaire (escritor francês do século 19) que disse: Posso não concordar com uma só palavra do que tu dizes, mas defenderia até o fim o direito de dizê-las.

Nunca, embora isso seja muito tempo, me verão defendendo Bolsonaro ou qualquer dessas suas posições que lhe deram a fama que possui, mas entendo que numa democracia, quem atende aos quesitos da lei, deve ter o direito de se expressar e arcar com as consequências.

Muito pior será viver (e que isso nunca mais aconteça) num ambiente onde um “ser escolhido” aprove o que possa ser dito.

Aqueles se assustam com a quantidade de seguidores que Bolsonaro possui, mesmo diante de tanta asneira que diz, fica o convite à reflexão: em que momento a Educação falhou e, pior, em que momento o investimento em Educação poderia ter sido o protagonista dos nossos governos e ficou como quinta prioridade? Em que momento, quando se podia investir em Educação, o Brasil preferiu investir em consumidores de produtos de consumo, deixando de lado o senso de real cidadania?

Critérios objetivos

Que essa polêmica em torno do Título de Cidadão Sorocabano a Bolsonaro faça com que a atual legislatura se debruce sobre critérios objetivos que serão fundamentais para balizar a homenagem, a maior honraria que alguém que não é nascido em Sorocaba possa receber.

Não sou daqueles que entende que uma honraria dessa seja bobagem, muito embora eu pessoalmente não seja afeito a elas. Ao contrário, acho um gesto que expressa a cidadania de quem concede e de quem recebe. É um instante de congraçamento da identidade de quem veio de fora e a cidade que o acolheu.

O que não pode é que o gosto pessoal defina quem receberá essa honraria. E, mais, que colegas sejam deselegantes com algum outro, como a Câmara está sendo com o pastor Luís Santos em razão do medo da opinião pública.

Quando a vereadora Iara Bernardi afirma que Luís Santos constrange a Câmara ao propor esse título, ela é absolutamente sincera e reproduz o que pensa parcela dos sorocabanos. Mas, ressalto, parcela. Assim como existe a parcela que apoia Bolsonaro.

Vereadores, adotem critérios objetivos onde o gosto pessoal não seja o que determina a concessão do Título de Cidadão Sorocabano. Mais: onde a pressão popular, e o medo de perder votos, façam os vereadores a se comportarem como baseados no “Politicamente Correto”.

Título a políticos

O tom político-eleitoral marcou nesta quinta-feira (16/11/17) a homenagem da Câmara de Sorocaba ao prefeito de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB) que discursou em tom de pré-candidato, com ataques políticos ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e recebeu de várias autoridades presentes à cerimônia manifestações diretas e sugestivas a um possível projeto de campanha eleitoral.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 213,  DE 29 DE SETEMBRO DE 1993 – Dispõe sobre concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Excelentíssimo Senhor Dr. MICHEL TEMER.

RESOLUÇÃO Nº   124, DE  22 DE JUNHO DE 1964 – Dispõe sobre concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Exmo. Sr. Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 141, DE 07 DE DEZEMBRO DE 1987. Dispõe sobre concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Excelentíssimo Senhor ORESTES QUÉRCIA.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 15, DE 22 DE FEVEREIRO DE 1973. Dispõe sobre concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Exmo. Sr. Engº Paulo Salim Maluf.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 220,  DE 08 DE JUNHO DE 1994. Dispõe sobre a concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Ilustríssimo Senhor LUIZ ANTONIO FLEURY.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 711, DE 05 DE MAIO DE 2005. Dispõe sobre a concessão de Título de Cidadão Sorocabano ao Ilustríssimo Senhor “João Paulo Cunha”.

DECRETO LEGISLATIVO Nº 245,  DE 22 DE FEVEREIRO DE 1996. Dispõe sobre concessão de Título de Cidadã Sorocabana a Ilustríssima Senhora DIOLINDA ALVES DE SOUZA.