Por coincidência, um dia após ser barrado na mesa principal de reunião do DEM pelo prefeito, presidente da Câmara comanda reunião para criar a CPI do Transporte

DEMsemMangaO presidente da Câmara Municipal, vereador Rodrigo Manga (DEM), me ouviu no FlashNews da rádio Ipanema (FM 91,1Mhz) na tarde desta sexta-feira, quando afirmei que após ele ser barrado na mesa da reunião do seu partido pelo prefeito Crespo, na noite de quinta-feira, ele decidiu na manhã desta sexta-feira estimular a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o sistema de transporte coletivo urbano do município.

Ele me ligou e garantiu que os dois fatos aconteceram, porém não estão interligados.

Reunião do DEM

De fato, me disse, o DEM reuniu-se na noite de quinta-feira e, apesar de legalmente registrado e ser vereador, Manga não foi convidado a participar. Mesmo assim foi ao encontro.

O secretário da legenda, Fernando Oliveira (que na eleição de 2016 pertencia ao PSDC e apoiou a candidatura de João Leandro do PSDB a prefeito de Sorocaba), me disse Manga, se desculpou por não ter feito a ele o convite.

Quando da formação da mesa, Manga de fato, ficou de fora. Apurei (e Manga não quis falar a respeito) que o prefeito Crespo barrou a presença dele na mesa e ao ser alertado de que Manga deveria ser chamado pelo secretário de Comunicação, Eloy de Oliveira, presente no encontro, do equívoco de Manga não estar na mesa, o prefeito teria dito em alto e bom som que este problema era do partido, não era assunto de governo, e que Manga não deveria mesmo ir para a mesa.

Manga me disse que ficou até o fim da reunião e cumprimentou todos, inclusive o prefeito, ao chegar e sair do encontro. Ele também ocupou o microfone para falar sobre o partido e não tocou em nenhum assunto de governo ou de relação entre o Executivo e o Legislativo. Ao ser questionado sobre o ambiente, Manga afirmou: “não vou mentir, está sim um clima chato entre o prefeito e eu”.

CPI dos Transportes

Sobre a reunião que promoveu na manhã desta sexta-feira (28/07) com nove vereadores, Manga me falou que ela começou a ser articulada na segunda-feira passada e todos os vereadores, sem exceção, foram avisados da reunião e que os 11 que não foram tiveram razões pessoais para não ir. “Não tem relação alguma e nem estão interligados os fatos (reunião do DEM e reunião da Câmara) como você falou agora na rádio”, me disse Manga.

Ele explicou que a reunião da Câmara teve como objetivo debater a crise do transporte público no município e definir como o Legislativo pode continuar intervindo no assunto (lembrando a que a decisão do TRT saiu hoje a tarde e a reunião foi hoje de manhã).

Diante dos fatos constatados ao longo da greve, os vereadores estão propondo a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o sistema de transporte coletivo urbano do município, explicou Manga. “Sorocaba está vivendo o caos com a greve, a população está sofrendo muito e a Câmara não vai se omitir”, afirmou Manga, lembrando que a primeira suspensão da greve nasceu de uma reunião na Câmara, com base numa proposta do vereador Renan dos Santos (PCdoB). Além do presidente da Casa, participaram da reunião os vereadores: Francisco França (PT), Fausto Peres (Podemos), Hélio Brasileiro (PMDB), Vitão do Cachorrão (PMDB), Fernanda Garcia (PSOL), Renan Santos (PCdoB), Péricles Régis (PMDB) e JP Miranda (PSDB).

No decorrer da semana, o presidente Manga propôs um compromisso público entre o sindicato e as empresas, com a mediação dos vereadores, para que o julgamento do dissídio do dia 9 de agosto fosse adiado e a greve fosse totalmente suspensa até setembro. “O sindicato aceitou essa proposta de suspender a greve, mas somente uma das duas empresas concordou. Com isso, não foi possível firmar o acordo e acabar com esse sofrimento da população”, lamentou.

Para o presidente do Legislativo, causa estranheza o fato de uma das empresas recusar o acordo que poria fim à greve até setembro, fato que foi apresentado nesta sexta-feira aos vereadores e posteriormente também em reunião com o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, Paulo Eustásia. “As empresas já tiveram prejuízo de R$ 2,5 milhões e podem ter mais R$ 1 milhão de prejuízo com a continuidade da greve. O acordo seria bom para todas as partes, inclusive para as empresas”, afirmou Manga. Já o vereador Francisco França (PT), que também é vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, acredita que a empresa recusou o acordo devido a uma possível pressão por parte do Poder Executivo.

A CPI já tem o número suficiente de assinaturas para ser instaurada, mas os vereadores decidiram aguardar até a próxima terça-feira, com a volta do recesso, para que os demais parlamentares tenham a oportunidade de debater o assunto. “Essa CPI não vai investigar apenas a questão da greve, mas, sim, todo o sistema de transporte público em Sorocaba”, afirmou Renan Santos (PCdoB).

Os vereadores externaram sua preocupação com os prejuízos que a greve causa à população. Fausto Peres (Podemos) observou que a população está sofrendo muito com a greve e comparou o transporte público de Sorocaba com o de Londrina, que, segundo ele, tem mais qualidade que o sorocabano. O vereador Francisco França (PT) também comparou o transporte público de Sorocaba com o de outras cidades do mesmo porte e questionou a alegação das empresas de que não têm dinheiro para dar o reajuste pleiteado pela categoria. França citou a inexistência de cobrador nos ônibus e o subsídio bancado pela Prefeitura como fatores que reduzem o custo do sistema e permitiriam conceder o reajuste pleiteado pela categoria.

O vereador Vitão do Cachorrão (PMDB), ao também lamentar o sofrimento porque vem passando a população, citou o caso de uma mulher que trabalha numa padaria e, ao sair do trabalho às 22 horas, a pé, devido à greve dos ônibus, acabou tendo o seu celular roubado. Também o presidente da Casa, Rodrigo Manga, citou o caso de pacientes que, devido à greve dos ônibus, perderam o atendimento médico que estava marcado há meses.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, Paulo João Estausia, parabenizou o presidente da Casa e demais vereadores pela busca do diálogo, reconheceu que a população está sofrendo com a greve e reafirmou que o sindicato está aberto ao diálogo. “O prejuízo para a cidade é incomensurável”, afirmou. Na reunião, também foi ressaltado o prejuízo que a greve vem causando à economia da cidade, com o comércio perdendo vendas e tendo que arcar com o transporte de seus funcionários.

Já o vereador JP Miranda (PSDB), que se posicionou contra a greve, parabenizou o presidente da Câmara pela iniciativa de promover o diálogo entre as partes, afirmou que este é o melhor caminho e criticou o radicalismo de ambas as partes, afirmando que “não será possível resolver o problema chamando sindicalista de ‘terrorista’, de um lado, e o prefeito sendo chamado de ‘vagabundo’, de outro”.