Prefeita se impõe à Câmara e fortalece a terceira via para a eleição de 2020

A prefeita Jaqueline Coutinho resistiu à pressão de pelo menos 10 dos 20 vereadores da Câmara Municipal – que não queriam mudanças substanciais na equipe de secretariado do prefeito Crespo – e começou a colocar pessoas de sua confiança em cargos importantes da administração.

Sob o argumento de que não tem nada contra eles, mas que prefere trabalhar com pessoas próximas a ela, Jaqueline Coutinho tirou Ronald Pereira da Silva do comando do Saae e colocou Mauri Pongitor que está na autarquia há quase 30 anos; tirou Fábio Pilão de Obras e colocou Wilson Unterkircher Filho (o Kuka) que já foi secretário dos ex-prefeitos Crespo e Lippi e estava no 2º escalão; e também André Gomes saiu da Educação para a volta do professor Vanderlei Acca que havia sido o titular da pasta quando ela governou a cidade na primeira cassação de Crespo, em 2017.

A sensação é de que mais mudanças irão acontecer (podendo inclusive ser hoje) e a intenção é deixar o governo com a cara dela. O que é absolutamente normal, mesmo que haja um clima de harmonia entre ela e Crespo.

Ao contrário do que afirmei em versão anterior desta postagem, dois assessores de confiança de Crespo, Carlos Mendonça (o Carlão da coxinha) e Folguy – que haviam sido exonerados –, não foram renomeados para cargo de confiança e nem passa pela cabeça da prefeita fazer esta renomeação, me diz sua assessora Bia Negrão.

O comportamento da vice-prefeita mostra que mesmo que ela não seja candidata a prefeitura em 2020 – como o diretório municipal do PDT divulgou e ela também, em vídeo divulgado em sua rede social quando reafirmou que quer governar bem e não pensa na eleição – o seu grupo terá alguém concorrendo.

Se antes a eleição para prefeito em 2020 era Manga – vereador com grande penetração nas classes D e E e que avança para setores da sociedade onde não circulava, como a pizzada com os empresários Ataliba Mustafá, Laurinho Miguel e amigos (foto) – contra o candidato do PSDB (Maria Lúcia Amary ou Vitor Lippi ou Flávio Amary), agora a terceira via virá forte, ou melhor, muito forte do ponto de vista organizacional, afinal cada passo que Jaqueline Coutinho deu desde que tomou posse na madrugada de sexta-feira passada demonstra isso: foco, disciplina e planejamento para 2020.

Obviamente que haverá uma reação. A primeira, e mais óbvia, partindo dos próprios vereadores. A segunda, também óbvia, partindo dos adversários do seu espectro ideológico (em que pese estar no PDT) de centro direita. A terceira, igualmente óbvia, dos candidatos do campo da esquerda. Mas de onde virá a quarta frente?

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