Prefeito defende reforma administrativa com salários de quase R$ 5 mil a quem cursou até a antiga 8º série e de quase R$ 7 mil a quem tem 2ª grau e diz cumprir a lei, apesar do entendimento contrário de assessor jurídico da Câmara

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O prefeito de Sorocaba, José Crespo (DEM), defendeu durante entrevista na coluna O Deda Questão do Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema (FM 91,1Mhz) a aprovação do projeto de lei que propõe uma reforma administrativa do Executivo e cria cargos 30 comissionados para quem tem até 8º série com salário de R$ 4.8 mil; mais 40 cargos para quem tem o 2ª grau com salário de R$ 6;9 mil e mais 60 cargos para quem tem diploma de nível universitário com salário de R$ 8.9 mil; além de outros cargos de assessor com salário de R$ 11 mil. “É bom para Sorocaba”, argumentou o prefeito. “O projeto está perfeito do ponto de vista legal. É uma questão política”, completou Crespo sobre a votação polêmica da medida. Para justificar salários de quase R$ 5 mil para quem tem 8º série no serviço público enquanto na iniciativa privada este trabalhador não chega a ganhar nem R$ 1 mil, Crespo afirmou que se trata de cargo de comando onde o escolhido vai trabalhar 12 horas por dia sem receber hora extra ou qualquer outro adicional para levar ao funcionário de carreira as prioridades do Plano de Governo do prefeito.

Questionado se a verdade não é que ele vai usar estes cargos para o pagamento, com um emprego pago com dinheiro público, a quem trabalhou em sua campanha, o prefeito disse que entende que a oposição diga isso, mas frisou: “isso não é verdade, os escolhidos serão por sua competência”.

Afirmei que o assessor jurídico da Câmara, Almir Ismael Barbosa, deu parecer contrário a criação dos cargos de Ensino Fundamental e Médio, dizendo que assessoramento e chefia é para quem nível universitário. Crespo disse que conhece o assessor, reconhece sua competência, mas que é apenas uma visão que diverge da sua. Crespo explicou que paga do seu bolso a assessoria particular do escritório de advocacia de Luiz Antônio Fleury Filho (ex-governador), Fúlvio Julião Biazzi (ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado) e Cláudio Alvarenga (ex-secretário de Estado) que lhe garantiram que o seu projeto está completamente dentro da lei. O prefeito também disse que a Prefeitura para pelo assessoramento da Conan (empresa que dá consultoria a prefeituras) e que a Conan garantiu que o projeto está dentro da lei. “Tem gente que não me deixa trabalhar. Ainda estão tentando, mas não vão conseguir”, afirmou Crespo.

FOTO: Trecho do parecer do assessor jurídico da Câmara Almir Ismael Barbosa que desaconselha vereadores a aprovarem a criação de cargos de nível escolar do Ensino Médio e Fundamental