Prefeito que aprovou a construção de novos bairros (que são maiores que 8 cidades da região) defende o projeto, cutuca prefeito atual e diz que está feliz com decisão

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Hoje deputado federal, Vitor Lippi era prefeito de Sorocaba e foi sua a decisão de autorizar a construção de mais de quase 5 mil moradias que vão levar mais de 20 mil pessoas para os novos bairros de Sorocaba, chamados de Carandá (inaugurado simbolicamente na sexta-feira passada) e Altos de Ipanema. Ambos ficam na região que liga os municípios de Sorocaba a Porto Feliz, cerca de 3 quilômetros após o Parque São Bento até então o último bairro de Sorocaba naquele extremo da cidade.

A inauguração do Carandá aconteceu na sexta-feira passada de forma simbólica. Inicialmente serão menos de 600 moradores a ocupar os apartamentos do Carandá, embora já estejam prontos as 2.560 unidades. Ainda não há data para a inauguração do Altos do Ipanema II e nem para a ocupação completa do Carandá.

Mas a falta de infraestrutura (escola, unidades de saúde, posto de atendimento policial, posto de atendimento social, igrejas, áreas comuns de convívio) e o que o poder público investiu em outro tipo de infraestrutura (ônibus, ligação de rede de água e esgoto, criação de cargos de médicos e equipes para a saúde e cargos de professores e equipe para a educação) são temas críticas há anos e voltam à tona no momento em que ocorre a inauguração de um deles.

O básico na visão geral dos críticos (no qual me incluo) era a ocupação dos vazios urbanos que existem em Sorocaba o que do ponto de vista social e financeiro seria bem mais em conta do ponto de vista financeiro e mais saudável do ponto de vista social. Outro crítico dos bairros é José Roberto Ercolin, âncora do Jornal da Ipanema e hoje, durante a coluna O Deda Questão (FM 91,1Mhz), chegou a classificar a decisão de construir esses dois bairros de irresponsabilidade do poder público.

Vitor Lippi, que já havia confirmado sua vinda à emissora independentemente de que o assunto a ser tratado fosse esse (já que tinha o desejo de fazer um balanço do ano de 2016 e sua atuação como deputado federal) topou a mudança de pauta e dedicou o tempo necessário da entrevista para explicar o que levou ele a autorizar a construção de quase 5 mil moradias.

Como Lippi raciocinou para decidir

Primeiramente ele lembrou que a região onde os bairros foram construídos estiveram ao longo dos anos reservados para a ampliação da cidade no Plano Diretor e ele defende que a cidade precisa sim crescer, por ser natural (palavra usada por ele) esse crescimento. Na verdade, o crescimento de uma cidade, qualquer que seja, é cultural (o poder público não só autoriza como estimula que isso aconteça, como são os casos do Carandá e Altos do Ipanema II).

Depois Lippi explicou que como prefeito tinha que ter tomado a decisão entre o ideal (que era a ocupação dos vazios urbanos) e o possível (autorizar os dois conjuntos habitacionais). “Minha decisão era autorizar fazer ou não. E entendo que acertei em permitir que fosse feito. Estou muito feliz e satisfeito com o resultado. Entendo que foi uma decisão acertada mesmo sem o que seria ideal de equipamento, mas em política é assim, paulatinamente tudo vai se acertando”, disse ele ao defender que não se arrepende da decisão que tomou ao autorizar os conjuntos habitacionais.

Fogo amigo: Lippi x Pannunzio

O prefeito Pannunzio, a quem coube administrar e criar o básico de infraestrutura para que o Carandá saísse do papel, foi citado por mais de uma vez ao longo da entrevista como sendo alguém que tem uma visão diferente e que se fosse o prefeito á época não autorizaria a implantação de dois bairros que juntos são maiores do que 8 cidades da região. Lippi, então, cutucou o prefeito perguntando: “quantas moradias ele construiu?” E ele mesmo respondendo: “que eu saiba nenhuma” E justificou: “Em Sorocaba, havia uma necessidade de demanda expressiva de moradias populares. Nós tínhamos mais de 20 mil famílias cadastradas para esse tipo de habitação. Os empreendedores encontraram aquela área, perguntaram para a prefeitura se havia a possibilidade de fazer e nós viabilizamos”, explicou.

Como assim os empreendedores encontraram aquela área?

Pois é. Agora que um dos conjuntos começa a sair do papel Lippi explicou que a escolha da área foi feita pela construtora.

Lippi disse que o local escolhido para a construção do Carandá não foi definido pelo Executivo, mas pelos os empreendedores privados responsáveis pela construção. Segundo o deputado, a iniciativa privada, que utiliza recursos de um convênio com o governo federal, faz uma pesquisa nacional sobre locais onde há necessidade de moradias e chegou àquela área. E se ele, como prefeito, tivesse sido contra, por conta da falta de estrutura da região, a população ficaria sem essa opção de moradia.

Ou seja, a falta de infraestrutura (rodovia duplicada, escola, unidades de saúde, posto de atendimento policial, posto de atendimento social, igrejas, áreas comuns de convívio) ou o que o poder público investiu em outro tipo de infraestrutura (ônibus, ligação de rede de água e esgoto, criação de cargos de médicos e equipes para a saúde e cargos de professores e equipe para a educação) se justificam diante do fato das famílias terem (ou virão a ter a partir do cronograma de entrega real das moradias) o seu teto. O custo dessa conquista se justifica, interpreto das explicações de Lippi. Assim o hoje deputado e então prefeito resumiu sua decisão de criar dois bairros maiores do que 8 cidades da Região Metropolitana de Sorocaba.

As 8 cidades menores que os 2 bairros

Juntos, o Residencial Jardim Carandá (2.560 apartamentos) e o Residencial “Altos do Ipanema II” (2.160 apartamentos) somam 4720 moradias e estimam reunir mais de 20 mil pessoas assim que estiverem totalmente ocupados.

Das 27 cidades que foram a Região Metropolitana de Sorocaba (portanto que elegem prefeito e vereadores), 8 delas tem uma população bastante menor:

Alambari (5.460 moradores)

Alumínio (16.766 moradores)

Araçariguma (17.085 moradores)

Capela do Alto (19.212 moradores)

Cesário Lange (16.943 moradores)

Jumirim (3.092 moradores)

Sarapui (9.734 moradores)

Tapiraí (8.085 moradores).

 

O que é o Residencial Carandá

O Residencial Jardim Carandá fica à margem da Rodovia Emerenciano Prestes de Barros, tem 2.560 apartamentos de 47 m², divididos em sala, cozinha, banheiro e dois quartos, além de vaga de garagem. O imóvel é financiado pelo Banco do Brasil e cerca de 94% do valor do imóvel são subsidiados pelos governos Federal (Minha Casa Minha Vida) e Estadual (Casa Paulista). A diferença fica por conta do proprietário, que quita a dívida em parcelas mensais correspondentes a até 5% da renda familiar, ao longo de dez anos. O projeto beneficiou famílias com renda de até R$ 1.600,00.

O que é o Residencial Altos do Ipanema II

O Residencial “Altos do Ipanema II” também fica à margem da Rodovia Emerenciano Prestes de Barros. São 2.160 apartamentos de 47 m², divididos em sala, cozinha, banheiro e dois quartos, além de vaga de garagem. A Caixa Econômica Federal é a financiadora e 94% do valor do imóvel é subsidiado pelos governos Federal (Minha Casa Minha Vida) e Estadual (Casa Paulista). A diferença fica por conta do proprietário, que quita a dívida em parcelas mensais correspondentes a até 5% da renda familiar, ao longo de dez anos.